sexta-feira, 8 de maio de 2020

A Mulher na Associação Naval de Lisboa

Artigo escrito para o Anuário de 2016 que depois não foi impresso:


No século XIX a dança começou por ser a único modo da mulher desenvolver alguma actividade física, sendo considerada um ser frágil devia haver uma supremacia das faculdades afectivas sobre as intelectuais  e uma sujeição da sexualidade a uma vocação maternal, por tudo isto a mulher no desporto está aliada à luta contra a discriminação e na base da conquista social. Nos anos 1800 a participação da mulher nas provas desportivas era vista como um divertimento, enfatizando-se a sua beleza e postura corporal mas não se dava importância à força, agilidade e destreza das atletas.
As mulheres já participavam nos Jogos Ingleses a partir de 1770 mas só nos Jogos Olímpicos de 2012 é que existiam praticantes femininos em todas as modalidades olímpicas! Para o Barão Pierre de Coubertin “Uma Olimpíada com mulheres seria impraticável, desinteressante, inestética e imprópria” e continua  “O único herói Olímpico real é o homem adulto individual. Por isso, nada de mulheres ou desportos de equipa” ou ainda “pessoalmente, não aprovo  a participação de mulheres em competições públicas, o que não significa que se devam abster de praticar um grande número de desportos, com a condição de não ser um espectáculo. O seu papel nos jogos olímpicos deveria ser, essencialmente, como nos antigos torneios, coroar os vencedores” . 
Em Portugal e em particular na Associação Naval de Lisboa a participação da mulher no Remo e na Vela é muito tardia. Nas primeiras regatas do Clube a mulher apenas oferecia os prémios para as provas, nomeadamente bordando as Bandeiras de Honra, a mais antiga das quais, para as Guigas, ainda existe e está em exposição na Sede do Clube. Sua Majestade a Rainha D. Maria Pia protectora do clube ofereceu, por diversas vezes Bandeiras de Honra, como prémio para as Regatas da Real Associação Naval. 
No norte do País temos conhecimento de regatas de Remo feminino mais cedo do que no sul, no Jornal do Porto de 29 de Agosto de 1863 lemos sobre uma regata “de barcos remados por mulheres de Avintes” que se realizou na Foz. Estas mulheres eram barqueiras (maganas) que faziam o transporte entre as duas margens do rio nesta localidade. Em Lisboa ou Cascais a primeira manifestação de Remo feminino que encontrámos foi no final do século XIX nas Regatas de Paço de Arcos, mais concretamente a 27 de Setembro de 1896 com “corridas de escaleres tripulados por senhoras”.
Contudo a Vela, em Lisboa, teve um renascer ligeiramente mais cedo com o primeiro Iate timonado por uma senhora a fazer  parte da regata organizada pelos nossos rivais –Real Clube Naval de Lisboa – em 1894, a autora dessa proeza foi a britânica Eleanor Bucknall, esposa do Comodoro daquele clube, mãe do Campeão Olímpico de Remo e vencedor da Boat Race Henry Bucknall,  que timonou a sua Canoa “Mavis” nas Regatas de Paço de Arcos. Apesar do facto, temos contudo conhecimento que a Rainha D. Amélia protectora da Real Associação Naval ia muitas vezes ao leme do seu Iate Lia em passeio.
No livro “150 anos de História” a primeira vez que temos qualquer informação sobre  Remo feminino é em 1983 e sobre os femininos na Vela apenas em 1984 somos informados que neste ano é construído um balneário exclusivamente para senhoras!
Pela minha ligação ao Remo e à ANL tenho conhecimento que nos anos oitenta do século passado várias mulheres representaram o clube e venceram diversos títulos nacionais. Nessa década a ANL sagrou-se campeã nacional  de Double-Skull feminino em1985, 1986 e 1987 tendo em 1985 repartido o título de campeão nacional de Shell de 4 com timoneiro feminino com o Clube Ferroviário de Portugal que segundo o relatório da FPR terminaram ex-áqueo nesse ano. Algumas das responsáveis destas  proezas que me recordo, com a preciosa ajuda do Luís Reis, foram a Ana Romão, Catarina Santos, Maria José Fonseca, Carla Querido, Ana Viegas, Leonor Rodrigues e a Alice.
Em 1988 nos relatórios da FPR entre muitos títulos masculinos temos a informação da vitória no Skiff Juvenil Feminino nos campeonatos nacionais.
Pretendia destacar a remadora Cristina Roque Lino que para mim foi a melhor atleta que representou a ANL em Remo. Queria sublinhar entre as várias vitórias desta atleta a medalha de Prata que venceu nas Regatas Internacionais de Macon de 1990 prova durante a qual tive o privilégio de a acompanhar como treinador. Participou ainda no ano seguinte no Campeonato do Mundo Júnior em Banyoles, Espanha. Com uma grande formação pessoal e desportiva não desmereceu quando, ainda muito jovem, foi desclassificada num Campeonato Nacional depois de vencer destacada a prova, devido a duas colegas numa embarcação terem gritado palavras de incentivo… eram as regras da altura, muito injustas. Apesar disso não desistiu e destacou-se representando sempre muito bem o clube e a selecção nacional.
Em 1992 na secção de Remo dos 75 atletas que representaram o Clube nos vários escalões apenas três eram femininos ( uma sénior, uma júnior e uma infantil). Ainda como treinador da Associação Naval de Lisboa quero realçar no I Campeonato Nacional de Ergómetro, em 1993,  a participação das atletas presentes na prova e que se destacaram, nomeadamente a Filipa Cabaça e a Elsa Rodrigues. Ainda nesse ano a Filipa subiu ao pódio no Campeonato Nacional de Fundo em Crestuma. No ano de 1995 mais duas pupilas minhas, a Inês e a Ana Margarida, representaram condignamente o clube e subiram ao pódio no Campeonato Nacional de Velocidade Shell.
Queria também lembrar a remadora Raquel Franca que além de atleta da ANL foi a primeira mulher a exercer como árbitro de Remo, actuando como Juíza em várias regatas do nosso Calendário de Provas.  
Nos anos 80 e 90 do século passado na Secção de Canoagem também praticaram desporto no Clube diversas atletas femininas que não tenho contudo resultados para apresentar, queria no entanto destacar um projecto meritório que poucos conhecem que foi assinado entre a ANL, a Secretaria de Estado do Ambiente e da Juventude  e a Universidade Lusíada coordenado pelo sócio José Félix da qual a nossa sócia, na altura, Ana Nunes fazia parte. O projecto propunha-se efectuar descidas de rio em canoas cedidas pela ANL , nas quais os estudantes dos cursos de Direito, Gestão,  e História daquela Universidade recolheram elementos sobre a situação dos rios portugueses e do meio ambiente circundante. O projecto foi amplamente difundido na imprensa nacional.
No início do século XXI o meu realce vai para a sócia Susana Lusquinhos que serviu o Clube de várias formas ora como funcionária da secretaria ora como atleta de competição, com vários títulos nacionais conquistados e ultimamente colabora com o clube como excelente treinadora onde inicia todos os dias diversos sócios na prática do Remo, graças à sua brilhante formação técnica e humana tornou-se num ícone incontornável da Associação Naval de Lisboa. No Remo de Lazer muitas são as atletas que várias vezes por semana mantêm a sua perfeita linha remando na nossa frota de Yolles, pois não é só em competição que se pratica este belo desporto. Ultimamente com a ajuda do Treinador José Leitão fizemos um apanhado dos mais recentes resultados do Remo Feminino no nosso clube e podemos afirmar que continuamos com uma boa prestação desportiva através das prestações das atletas Madalena Ferreira, Marta Sampaio, Catarina Vieira, Ana Santos e Maria Felício. Na Taça de Portugal de 2014 Madalena Ferreira e Ana Santos conquistaram o segundo lugar em double-skull e nos Campeonatos Nacionais Catarina Vieira, Marta Monteiro, Ana Santos e Madalena Ferreira conquistaram o terceiro lugar no Quadri-skull.
Em 2015 foram Campeãs Nacionais de Yolle 4 as atletas Ana Santos / Madalena Ferreira / Rita Pape / Catarina Vieira e no Campeonato Nacional de Fundo em Quadri.skull  estas atletas conseguiram o pódio. Nos Campeonatos Nacionais a Madalena Ferreira csubiu também ao pódio na prova de Skiff.
Neste ano de 2016 temos já conquistado o título de Campeãs Nacionais de Yolle 4 com as atletas Ana Santos / Catarina Vieira / Marta Sampaio / Maria Felício.
Divagando agora pela secção de Vela gostaria de começar por destacar em 1993 a dupla Teresa e Rita Borges Coutinho que foram Campeãs Nacionais de “420” e representaram Portugal no Mundial da Classe em Itália. Durante a época de 1995 a velejadora Margarida Aguiar sagrou-se Campeã Nacional da Classe “Europe”.  Em 1997 e 1998 Inês Nolasco e Mafalda Barros sagraram-se bicampeãs nacionais da classe 420 Júnior. No ano seguinte Rita Gonçalves e Rita Guerra venceram o mesmo Campeonato Júnior de 420.
No ano do Milénio Marta Lobato venceu o Campeonato Nacional da Classe “Europe e em 2004 a ANL sagrou-se Campeã Nacional de Match Racing Feminino com a equipa composta por Margarida Aguiar, Sara Telhada, Mafalda Barros, Inês Gamito e Diana Neves.
Em 2005 a dupla campeã nacional júnior da classe “420” Rita Rocha e Mariana Lobato representaram Portugal no Mundial da Juventude ISAF que se disputou na Coreia.
Em 2007 a equipa de Match Racing liderada pela atleta Rita Gonçalves e composta por Ana Champalimaud, Mariana Lobato, Ingrid Fortunato e Catarina Costa sagrou-se Campeã Nacional. Ainda a equipa feminina de Match Racing agora patrocinada pela Schroders e com uma equipa base composta por Leme Rita Gonçalves, Trimmer Mariana Lobato, Trimmer Ana Champalimaud, Trimmer Ingrid Fortunato, Trimmer Catarina Costa e Proa Diana Neves, participou no Campeonato Europeu de Match Racing Feminino realizado em St. Quay, França, nos dias 9 a 13 de Setembro de 2008. A participação portuguesa nesta prova coube então à equipa liderada por Rita Gonçalves, velejadora da Associação Naval de Lisboa, e foi constituída por Marta Lobato, Ingrid Fortunato e Mariana Lobato. Esta equipa que teve uma excelente performance em 2007, campeã nacional, em 2008 sagrando-se bi-campeã nacional feminina e alcançando ainda  o 3º lugar do ranking nacional absoluto. Neste mesmo ano participou ainda no ISAF Nations Cup. Em 2009 foi o tricampeonato nacional, as velejadoras que participaram nesse ano foram a Rita Gonçalves ao Leme,  Ingrid Fortunato no Trimmer genoa, Catarina Costa no Trimmer spi e Diana Neves a proa, estiveram também presentes no Campeonato Europeu e na Grand Final da ISAF Nations Cup. Em 2010 para além do Tetra-campeonato de Portugal de Match Racing participaram no Mundial com uma equipa formada pelas velejadoras Rita Goncalves ao Leme, Mariana Lobato em Trimmer Vela Grande/Spi, Ingrid Fortunato no Trimmer estai e Diana Neves a proa, participaram além disso no Campeonato Ibero-americano onde alcançaram um honroso terceiro lugar conquistaram ainda o quinto lugar no Europeu da Classe.
De salientar que a base desta equipa esteve presente nos Jogos Olímpicos de Londres porém nesta altura já não representavam a Associação Naval de Lisboa!!!
Para honrar o desporto feminino e Sua Majestade a Associação Naval de Lisboa instituiu em 2004 o Troféu Rainha D. Amélia, perpétuo com uma prova  aberta a barcos de Cruzeiro que durante a regata sejam governados por Timoneiras. A prova tornou-se já um destaque no Calendário da Vela e S.A.R. a Senhora D. Isabel de Bragança sensibilizou-se com o projecto e na segunda edição da prova distribuiu os prémios às vencedoras.   

























segunda-feira, 20 de abril de 2020

Memórias Olímpicas de António Pinheiro

Cortesia do seu neto José António Pinheiro, colocamos fotos, medalhas e insígnias da participação Olímpica.







Explicações do próprio:

Eu sou neto de António Pinheiro (Seleccionador e Treinador da Equipa do Galitos de Aveiro e que esteve presente nos JO de 1948(Londres) e 1952(Helsinquia/Finlândia) = o meu Avô é o careca que aparece na foto dos Olímpicos de 1948 o 1º lado dto em baixo. E sou FILHO de José Matos Pinheiro que era o Timoneiro da Equipa do Galitos de Aveiro e que só esteve presente nos JO de 1952. O meu Pai faleceu em 01/08/2019 e acho que era nessa data o único elemento vivo da Equipa. Contava-me o mesmo que foi escolhido para Timoneiro não só por andar "enfarinhado" naquelas andanças mas também por ter muito boa voz (era um amante de Fado de Coimbra e Ópera e eram-lhe reconhecidos os dotes em canto...fazia serenatas às moças), então como tinha muito boa voz e colocação da mesma, e era "franzino" foi escolhido para ser o Timoneiro. Ou seja meu Avô Paterno esteve presente em 2 JO = 1948/Londres e 1952/Helsinquia e o meu Pai presente só JO 1952/Helsinquia.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

HISTÓRIA DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DO REMO




Apesar da prática do Remo em Portugal ter começado já em 1828 o remo de competição só dava os primeiros passos com a fundação da Real Associação Naval em 1855 pelo Rei D. Luís ainda como Duque do Porto.
No livro de José Pontes, “Quasi um século de desporto”, tomamos conhecimento que em 1849 Abel Power Dagge “teve a veleidade de organizar uma regata” de Remo, tendo sido esta portanto a primeira prova organizada em Portugal.
No programa da Regata do Tejo de 11 de Setembro de 1854 constava a participação de duas guigas de 4 remos, “tripoladas por curiosos”.

Nos clubes existiam duas classes de sócios os Capitalistas (depois Proprietários), que pagavam joia, e eram os donos das embarcações e os Sub Escreventes (depois Contribuintes) que apenas pagavam uma subscrição, mas não eram proprietários do material do clube e só podiam remar desde que autorizados pelos Patrões.

Os anos 60 do século XVIII foram muito profícuos em agremiações náuticas tanto em Lisboa onde temos conhecimento de vários Clubes tais como Club dos Remeiros Lusitano, Tagus Rowing Club, Club Naval, Club do Tejo, Club dos Remeiros Corsário etc.
No Porto encontrámos referências ao Oporto Boat Club, só de ingleses, Clube Naval Portuense e em 1872 o ainda existente Clube Fluvial Portuense.
Na Figueira destacamos a Associação Naval Figueirense, com estatutos de 1866 e o Clube Moderno cujos estatutos datam de 1881(antecessores da Naval e do Ginásio). A 14 de Outubro de 1880 funda-se em Setúbal a Associação Fluvial Setubalense. Na cidade de Aveiro, em 1894, o Ginásio Clube Aveirense organiza uma secção de Remo, que mais tarde viria a chamar-se Clube Mário Duarte. Só no advento da República é que temos conhecimento do Remo em Viana com a fundação do Viana Taurino Club o primeiro desta cidade e que iria começar e dinamizar o desporto do Remo no rio Lima, contudo já em 1906 no Jornal Aurora do Lima podemos ler que: “nas festas da Senhora da Agonia realizou-se uma regata de três escaleres a 4 remos”.
Em 1863 as Maganas de Avintes competiam entre si nas regatas portuenses, portanto o Remo Feminino também tem muita história em Portugal.
Em 1884, ainda por iniciativa de Abel Power Dagge, foi criado o primeiro Campeonato que se realizou em Portugal. As regatas foram efectuadas no Tejo durante três provas seguidas, em skiff, como competidores estiveram os ingleses Hickei e Mitchel e o futuro Barão de Almeirim, Manuel Braamcamp, que venceu os ingleses e conquistou o Titulo de Campeão do Tejo, ganhando uma medalha de ouro que usava com orgulho na corrente do seu relógio. É durante este ano, 1884, por iniciativa da Real Associação Naval que as regatas passam a ser sempre em linha recta na distância de uma milha aproximadamente. Em 27 de Janeiro de 1892, são aprovados os estatutos do Club Naval de Lisboa, já em actividade desde Novembro de 1891. Com o aparecimento do Clube Naval de Lisboa os desportos náuticos e o Remo em particular, ganham um notável incremento porque o recém-criado Clube imprime um grande dinamismo na prática desportiva.
Aproveitando o apoio e beneplácito do seu Comodoro, Sua Majestade El Rei D. Carlos, o Clube Naval de Lisboa cresceu e difundiu os Desportos Náuticos pelo País abrindo secções e Postos Náuticos em Azambuja, Cascais, Trafaria, Luanda, Lourenço Marques, Portimão, Lagos, Pedrouços e no Funchal. Estas delegações evoluíram mais tarde para os actuais clubes existentes nestas localidades.
No alvorecer do século XX despertava grande interesse as regatas em guigas de quatro e de seis remos. No entanto, a falta de uniformidade nas características das embarcações, a que se juntava uma deficiente regulamentação, suscitavam frequentes conflitos que, em alguns casos, conduziam à quebra de relações entre as principais agremiações náuticas. Em 1898, no Centenário da Índia devido a um empate numa regata de Remo os atletas da Real Associação Naval e do Real Clube Naval envolveram-se numa zaragata que destruiu a Cervejaria Jansen, no Cais do Sodré, com prejuízos no valor de 400.000 réis (O Infante D. Afonso quis inteirar-se pessoalmente do ocorrido) e em 1906 houve mesmo um duelo à espada, em Cascais, entre Alberto Totta do CNL e Carlos Sá Pereira da ANL, devido a uma regata da Taça Lisboa. Guiga D. Maria Pia
A necessidade de regulamentação das regatas de Remo mereceu alguma reflexão no “Congresso Marítimo Nacional”, promovido pela Liga Naval Portuguesa, em 1902, sem que contudo daí resultasse alguma alteração tendo, no entanto, sido aprovada a tese “Impulsionamento do rowing nacional. Sua utilização possível na educação física do povo português”, da autoria de Joaquim Leotte dirigente do Clube Naval de Lisboa e o grande responsável pela instituição da Taça Lisboa a prova mais importante do Remo Português.
É neste contexto que em 1904, a pedido de Joaquim Leotte, a Associação Naval de Lisboa, o Clube Naval de Lisboa, o Clube de Aspirantes de Marinha e o extinto Clube Naval Madeirense instituíram a Taça Lisboa em Remo como Campeonato de Portugal, a Taça ainda hoje em competição, constitui a prova desportiva mais antiga do nosso país. Assim nasceu a Taça Lisboa e a Convenção que se lhe seguiu assinada pelos mesmos clubes, a 20 de Abril de 1904. A primeira regata da taça foi realizada a 29 de Maio, ao longo da muralha da Junqueira, entre as docas de Santo Amaro e do Bom Sucesso. Venceu a ANL –
A Convenção, o primeiro regulamento de regatas de Remo, estabelece as bases para a regulamentação “das corridas de embarcações de Remo e tinha como fim último promover “o desenvolvimento do rowing portuguez”, a ela se devendo o rápido desenvolvimento que o Remo atingiu nos anos que se lhe seguiram.
Nos Jogos Olímpicos de 1908, Henry Bucknall, o voga da tripulação de Shell 8 de Inglaterra, que venceu a medalha de ouro, aprendeu a remar no Clube Naval de Lisboa, Filho do Comodoro do CNL Henry Bucknall. Remador Oporto na Boat Race. Cascais.
Em 1910 Armando Soares Franco, Presidente da ANL oferece uma Taça com o seu nome para ser disputada pelas Escolas Superiores de Lisboa e Mauperrin Santos, sócio do Clube Naval, Director da Escola Académica e Presidente da Sociedade Promotora de Educação Física Nacional (futuro COP) oferece também uma Taça com o seu nome que seria disputada pelas Escolas Secundarias e Liceus da Capital, começando então uma nova era no desporto escolar. As regatas eram organizadas pelo CNL e pela ANL com o patrocínio da CML. Alguns anos mais tarde a Federação Portuguesa do Remo continuaria a utilizar essas Taças com o mesmo propósito, nascendo as regatas escolares que se iriam disputar até aos anos sessenta em Lisboa, no Porto e na Figueira.
Nesta altura não havia nenhum entendimento entre os vários clubes e cada um tinha as suas regras e tipos de embarcações, em Lisboa remava-se em Guigas de 4 e 6 com e sem banco móvel, na Figueira usavam Guigas de 4 de banco fixo e escaleres, no Porto em Runners, introduzidos em Portugal pelo Fluvial, e em Escaleres.
Em 1911 houve uma tentativa, por parte do Clube Naval de Lisboa, de fundar a Federação de Remo mas os propósitos não vão avante. Houve uma reunião na sede do CNL com representantes dos clubes de Lisboa, Porto, Figueira, Aveiro, Esposende e Vila do Conde, mas como a ANL se recusou a aceitar o acordo, ficou apenas como proposta.
Ainda em 1911, Francisco Bento Pinto ofereceu à Naval 1º de Maio a Taça Alzira, para ser disputada como Campeonato Regional entre os dois clubes da Figueira.
Nestes desaguisados existia a Federação Portuguesa de Sports que englobava vários desportos mas que ninguém ligava muito e não impunha respeito.
A 20 de Setembro de 1914 disputou-se em Portugal pela primeira vez uma Regata Universitária disputada no Mondego a Taça Universidade de Coimbra. A Regata foi presidida pelo Reitor da Universidade de Coimbra e venceu por uma proa a Faculdade de Ciências, a prova não mais foi efectuada e a Taça perdeu-se sem se saber onde está.
Nos dias 9, 10,11 e 12 de Junho de 1916 o Ginásio Clube Português organizou um Congresso de Educação Física que deliberou ser importante criar um Instituto que oriente a Educação e Cultura Física e que o Desporto a par da Inspecção Médica sejam obrigatórios nas escolas desde a instrução primária. Uma deliberação que ainda hoje não é cumprida pelas autoridades governamentais, mantendo-se perfeitamente actual.
No jornal Sport de Lisboa, de 18 de Novembro podemos ler que o Ginásio Clube Figueirense lança um repto aos clubes portugueses para uma reunião na Figueira a fim de se escolher o melhor tipo de barco de competição existente ou para adquirir um, esta pode ser considerada mais uma tentativa de fundação de uma Federação. Efectivamente numa reunião em Janeiro de 1917 reuniram-se na sala da direita da Sede do Ginásio Clube Figueirense, modernamente à Rua Nova. A sala foi adaptada, colocaram palmeiras e outras plantas em vasos com as cores do clube, nas paredes altas estavam pendurados quadros com assuntos náuticos e ao centro por cima da presidência estava o valioso estandarte do Ginásio bordado a Ouro, a Bandeira Nacional e a legenda a letras gordas: “O futuro de Portugal está no mar”. O Presidente da Direcção do Ginásio deu as boas-vindas aos representantes dos clubes e convidou Álvaro Gaia, delegado da ANL para presidir aos trabalhos do Congresso Náutico da Figueira, ladeado por Augusto d´Oliveira, director técnico do Ginásio Figueirense e por Augusto Nogueira, delegado da Associação Naval 1º de Maio.
No final dos trabalhos foram aprovadas as seguintes conclusões:
Características do barco de corrida a adoptarem:
- Outrigger de 4 remos de tábua trincada com o mínimo de 5 tábuas.
- Comprimento de 12 m a 12 m 40.
- Boca mínima de 0,65 m.
- Pontal adequado às circunstancias locais.
- Slides colocados à vontade, podendo ser colocados no centro ou na borda, sem fixação de percurso.
- Que os clubes da mesma localidade possuam, dentro das condições acima barcos perfeitamente iguais.
- Que seja adoptado um único regulamento de corrida, fixando-se porem em 1500 metros o percurso das corridas dos campeonatos interclubes.
- Que se procure instituir um troféu com a cooperação de todos os clubes náuticos do país que adira à sua instituição e que a regata se realize alternadamente nas localidades sedes dos mesmos clubes, ficando a organização a cargo desses clubes.
Só que, as dificuldades económicas dos clubes eram de tal ordem, que estas conclusões do Congresso da Figueira nunca foram adoptadas por nenhum dos clubes congressistas. Podendo ainda somar o facto do Clube Naval de Lisboa nunca ter aderido e inclusive achar que esta embarcação não era a adequada à prática do Remo em Portugale que a distância era menor do que a normalmente usada na Taça Lisboa e na maioria de provas de Seniores, que era já de 2000 metros.

O ano de 1919 é marcado pela realização na Figueira da Foz, do Campeonato Internacional de Remo para comemorar a vitória das forças aliadas da Primeira Grande Guerra, onde seria disputada a Taça da Vitória que a par da Taça Lisboa seria a prova mais importante do remo português. Podiam concorrer a este campeonato todas as colectividades desportivas nacionais e estrangeiras legalmente constituídas.
A Taça da Vitória foi instituída pela Associação Naval 1º de Maio e adquirida por subscrição entre as Nações Aliadas da Grande Guerra e destinava-se a ser disputada em outriggers de oito remos. As Nações que subscreveram a Taça foram Portugal, Brasil, América do Norte, Inglaterra, França, Itália, Bélgica, Servia, China, Japão, Grécia, Sião, Roménia, Honduras, Libéria, Panamá, Nicarágua e Peru. As embarcações de 8 foram compradas de propósito em Inglaterra pela Naval 1º Maio.
 Também em 1919 se formou a primeira Selecção Nacional de remo para os Jogos Interaliados em Paris, também conhecidos como os Jogos Pershing.
Dado que não se realizaram os Jogos Olímpicos, as Nações Aliadas organizaram estas provas, em vários desportos, para moralizar os soldados e aproximar os países amigos.
Um misto da ANL e do CNL, representou Portugal e remou em Shell 8 e Shell 4: Timoneiro: Ricardo Dias, Remadores: Augusto Talone, Jorge Ferro, Virgílio Silva, Carlos Sobral, João Sasseti, José Branco, João Silva, Gabriel Ribeiro no oito, e no quatro: Timoneiro: Augusto Neuparth, os Remadores: Carlos Burnay, Raul Brito, Rodrigo Bessone Basto e José Serra Pereira como suplentes: Henrique Aragão, António Diniz, Humberto Reis e Carlos Sá Pereira.
No dia 19 de Fevereiro de 1920 na Sala da Associação Naval de Lisboa reúne-se a Comissão Organizadora e Iniciadora da Federação Nacional de Remo, com a participação dos clubes de Lisboa e da Figueira (do Porto não houve resposta à solicitação mesmo depois de serem enviados dois ofícios), marcando então a reunião de delegados oficiais para o dia 10 de Março. A Comissão que elaborou as Bases e os estatutos era composta por José Duarte, Ricardo Pereira Dias, Carlos Sobral e Jorge Ferro.
Sensivelmente um ano depois aos 29 dias do mês de Agosto de 1921 reuniram-se também na Sala da Associação Naval, os clubes: Associação Naval de Lisboa, Clube Naval de Lisboa, Associação Naval 1º Maio, Ginásio Clube Figueirense, Clube Naval Setubalense e Sport Algés e Dafundo tendo procedido à eleição da primeira Comissão Dirigente da Federação Portuguesa do Remo que ficou assim constituída:
Presidente – Dr. Carneiro Prego
Secretario – Nuno Vasconcelos
Tesoureiro – José Reis
Vogais – Augusto Salgado e Carlos Botelho Moniz
A FPR veio unificar e desenvolver o Remo em Portugal, incrementou as provas já existentes e tentou universalizar o desporto do Remo em toda a sociedade da época, apesar de muitas divergências entre as Comissões Dirigentes e os Clubes, que não pagavam as suas quotas atempadamente o que dificultava a organização da Federação e o pagamento das suas despesas incluindo a quota à FISA.
Em 1922 a Federação Portuguesa do Remo inscreve-se na FISA, o que lhe permite fazer-se representar nos campeonatos da Europa em Como, Itália, em 1923, com uma tripulação de Shell de dois com timoneiro do Sport Clube do Porto e, em 1926, em Lucerna, Suíça, com uma tripulação do Clube Naval de Lisboa que participou nas provas de quatro com e sem timoneiro.
A FISA em 1925, ao querer homenagear o Remo português, convidou Portugal para que ficasse indigitado para organizar os campeonatos da Europa de 1926 e para tal foi nomeado o Presidente da Assembleia Geral da FPR, Álvaro Lino Franco, como Vice-Presidente da Federação Internacional de Remo. Pedro Peters, na altura o Presidente da Comissão Dirigente, deu conhecimento na AG de 5 de Dezembro de 1925, que o governo de Portugal se tinha comprometido com um subsídio de 500 000$00 para a organização dos Campeonatos da Europa e também a dragagem do rio Mondego na Figueira da Foz, local onde se desenrolaria a prova. O não cumprimento governamental motivou a vergonha da FPR, a demissão de Álvaro Franco da FISA e o castigo a Portugal tendo sido retirado o apoio da Federação Internacional no transporte das embarcações para os Campeonatos da Europa, o que motivaria também a ausência forçada do nosso país durante largos anos às provas internacionais.
Em 1928 a nova Comissão Dirigente da Federação Portuguesa do Remo marcou para dia 17 de Junho uma nova prova a Travessia de Lisboa com um percurso de 5000 metros, em inriggers e outriggers de 4 e outriggers de 8 remos e tripulações mistas, no intuito do desenvolvimento da prática do Remo. O objectivo era o de proporcionar aos clubes um ensejo para que todos os seus remadores a pudessem disputar sem preocupações de categoria.
Os Campeonatos Nacionais de Remo de 1931, organizados pelo Clube Fluvial Portuense e pelo Sport Clube do Porto, realizados no Porto, entre o Bicalho e a Alfândega, destacaram-se pela forte adesão do público que acorreu a ambas as margens para assistir àquele que foi o maior evento desportivo realizado em Portugal até aquela data, tendo-se computado uma assistência superior a 50 mil pessoas, com provas de 2000 e 5000 m.
Nesse mesmo ano, as Regatas Internacionais da Figueira da Foz com provas Natação, Remo e Vela tiveram igualmente grande adesão por parte do público, contabilizando-se cerca de 25 mil assistentes.
A realização, a partir da década de trinta, dos Campeonatos Escolares de Remo, organizados pela Federação Portuguesa de Remo e a criação a nível estatal dos Centros de Remo da Mocidade Portuguesa, movimentaram um maior número de praticantes, facto que se refletiu no fomento da modalidade.
A realização das “Festas da Cidade” em Lisboa, em 1934 proporcionaram que se fizesse o primeiro encontro Porto – Lisboa em outriggers de 8. A prova efetuou-se no dia 10 de Junho ao longo da muralha da Junqueira na distância de 2500 m. A disputa da “Taça Tejo”, oferta da CML, disputou-se pelas 14h00, na Junqueira com a vitória do Sport Club do Porto.
Em 1936 realizaram-se em Cascais as espectaculares Regatas Internacionais do Estoril, com a presença de Franceses, Holandeses, Belgas e Ingleses. Integrado neste certame náutico realizou-se o Primeiro Campeonato de Portugal de outriggers de 8 no qual ficou vencedor o Clube Naval de Lisboa.
Na década de trinta havia competição na forma de Campeonatos Nacionais e Regionais de Fundo e Velocidade, Principiantes, Escolares e Internacionais da Figueira e Cascais. Podemos juntar ainda as regatas particulares das agremiações existentes.
A Taça Salazar foi adquirida com donativos das 68 Câmaras Municipais do Continente que assim quiseram prestar o seu concurso à da Figueira da Foz quando esta resolveu prestar homenagem ao então Presidente do Conselho dando o seu nome a um riquíssimo troféu para ser disputado em regatas internacionais a terem lugar anualmente nesta cidade. Esta obra de arte esteve quase para ser destruída mas alguns figueirenses conseguiram colocá-la a salvo no Museu da Figueira da Foz.
Nesta década apenas em 1938 e 1939 se pode efetuar esta prova. No primeiro ano concorreram as tripulações dos seguintes clubes:
Studenten Roeivercentging Njord (Holanda), London Rowing Club (Inglaterra), Rudercclúb am Wamnsea (Alemanha), Sport Nautique Universitaire de Bruxelas (Belgica) e os portugueses do Ginásio Figueirense, Associação Naval 1º de Maio, Clube Náutico de Viana, Sport Club do Porto e o Sporting Clube Caminhense. Após as eliminatórias remaram a final o London R. C. que venceu em 6´50´´contra os Alemães
É em 1939 que há a introdução dos Yolles de 4 e 8 nos Campeonatos Regionais de Fundo. A Mocidade Portuguesa começou a construir Yolles em estaleiros portugueses e alargou os seus Centros de Remo possuindo agora filiados em Lisboa, Porto, Viana do Castelo, Barcelos, Figueira da Foz e Setúbal. Realizaram-se Regatas Escolares em Lisboa, Porto e Figueira da Foz.
Na década de quarenta com o apoio das organizações do regime, a Organização Nacional da Mocidade Portuguesa e a Brigada Naval, no desporto do Remo assiste-se a um grande incremento na prática da modalidade com um retorno a níveis existentes no tempo da monarquia, ao mesmo tempo que os clubes estagnam e as suas instalações deterioram-se, dado que era importante e gratuito representar a Brigada Naval, ou mais tarde, a Liga dos Antigos Graduados da Mocidade Portuguesa, LAG, os quais constroem hangares e embarcações enquanto os velhos clubes eram votados ao abandono. Salazar num dos seus discursos populistas e inflamados tem este “desabafo”: ”… Que pena me faz ver esse Tejo maravilhoso, sem que nele remem ou velejem, sob um céu incomparável, aos milhares, os jovens filhos deste país de marinheiros…”

Por esta altura organizaram-se várias e diferentes provas destacando em 1944 o I Campeonato de Remo para empregados das Companhias de Seguros, Torneios da Mocidade, o Campeonato Peninsular em 42,43 e 45, e um Campeonato Nacional Universitário em 1945. Em 1947 a FPR organizou a 1ª Conferência Nacional de Remo, publicando também um anuário.
Os Campeonatos Peninsulares devem-se às diligências de Mendo Saraiva Lobo, espanhol de nascimento mas português por opção, vencedor da Taça Lisboa em 1931 representando a ANL, da qual foi Director e chegou também a ser Presidente da Federação Portuguesa do Remo.
No ano de 1943 o CNL organizou um Curso de Treinadores (pensamos que o primeiro em Portugal) ministrado pelo experiente treinador de Remo, o Dr. Leopoldo Lehrfeld, acabado de ser nomeado pela FPR como Treinador Nacional e a quem “ conferiu ao Dr. Lehrfeld os mais latos poderes para o desempenho do seu cargo.” Como nos é noticiado na Revista de Marinha de 20 de Março de 1943.
Talvez por isso em 1948 Portugal inicia a sua participação nos Jogos Olímpicos, aproveitando as excelentes performances das célebres tripulações do S. C. Caminhense e do Galitos de Aveiro. Em 1952,1960,1972,1992,1996 e recentemente em 2008 e 2012 através de Pedro Fraga e Nuno Mendes volta a marcar presença nestes eventos. É na década de quarenta que também se conjectura sobre a construção de uma pista de Remo na Cruz Quebrada, em Lisboa, na Barragem do Ermal, em Braga ou na Pateira de Fermentelos, em Aveiro, desenrolando-se uma acesa discussão sobre o melhor local, Devido ao facto da FPR ter usufruído em 1943 de um subsidio de 20 000$00, na Revista de Marinha, João Santos escreve que é de vital importância aproveitar este dinheiro e aplicá-lo todo na construção de uma Pista de Remo, no Estádio Nacional, em vez de dispersar esta quantia por várias provas e despesas, o Remo só teria a ganhar com isso pois finalmente teríamos uma um local adequado às competições oficiais. No entanto a pista de Remo ficaria, mais uma vez, para outra altura.
No Congresso da FISA realizado em Montreux no dia 23 de Maio de 1946 estiveram presentes, pela primeira vez, delegados portugueses. A FPR foi representada pelo seu Presidente José Soares de Oliveira e o membro da Comissão Técnica Francisco Duarte. (Espanha delegou em Portugal a sua representação no Congresso). Nessa reunião Portugal apresentou a candidatura à organização dos Campeonatos da Europa de 1947. A Barragem do Ermal seria o palco do grande Evento, mas devido a nunca se ter realizado nenhuma prova oficial no local a Federação Internacional colocou algumas dúvidas sobre o local, dado que, seria necessário averiguar criteriosamente sobre a funcionalidade da Barragem e de algumas deficiências que poderiam surgir. Por este motivo a votação realizada a pedido da Delegação Nacional no Congresso deu a vitória a Lucerna.
A viagem foi no entanto aproveitada para a visita aos Estaleiros Stämpfli e aí firmar a encomenda de três Skiff destinados ao premio Sacramente Monteiro, instituído pela FPR, sendo o primeiro entregue no espaço de um mês ao Clube Naval de Lisboa para o seu atleta Campeão Nacional de Skiff António Bustorff Ferro. (a embarcação foi construída à medida do atleta, causando espanto a Mr. Stämpfli a invulgar envergadura do remador lisboeta). Este atleta, remador exímio, tal como seu pai Jorge Ferro, desapareceu da nossa modalidade ao alistar-se na Legião Estrangeira onde foi abatido a tiro pouco antes da sua desmobilização.
No congresso da FISA realizado em Helsínquia foi confiada à FPR a realização dos Campeonatos da Europa de 1954, uma honra que não foi secundada pelas autoridades governamentais, que apesar de uma exposição efectuada ao próprio Presidente do Conselho não foi conseguido um subsidio avultado que possibilitasse a organização condigna de uma prova daquela gabarito, (Não se realizavam Campeonatos do Mundo portanto esta era a prova mais importante do Remo, não considerando os Jogos Olímpicos). Este desenrolar de acontecimentos provocou a demissão do Presidente da FPR.
Em 1960 realizaram-se os Campeonatos Nacionais juntamente com os Primeiros Jogos Luso – Brasileiros, em Rio Novo do Príncipe de 4 a 7 de Agosto, as regatas efectuaram-se em Yolle e Shell.
Nos dias 3 e 4 de Agosto de 1963, efectuaram-se os Segundos Jogos Luso Brasileiros, em Porto Alegre, Brasil. Portugal esteve presente com uma delegação chefiada pelo Sr. Madeira Correia, viajaram a CUF em Shell de 4 e o Caminhense em Shell de 8, por este motivo não se realizaram os Campeonatos Nacionais.
O ano de 1966 foi um ano diferente pois realizaram-se pela primeira vez ao mesmo tempo os Campeonatos Nacionais de Juvenis, Juniores e Seniores em Aveiro nos dias 6 e 7 de Agosto.
Em 1968 a Federação tentou chegar a acordo com a Mocidade Portuguesa para que houvesse um calendário de Regatas comum. Contudo os dirigentes da Mocidade com arrogância não aceitaram e perdeu-se uma boa oportunidade para haver um maior desenvolvimento da modalidade, sendo que à sombra dos Legionários os Clubes não conseguem manter um crescimento sustentado.
Nesse ano o CNIDH foi Campeão Nacional de Shell de dois com timoneiro feminino no Campeonato de Fundo, pensamos que foi a primeira vez que houve provas femininas em Campeonatos Nacionais da FPR.
Em 1970 foi comemorado o Cinquentenário da Federação. Inscreveram-se 25 clubes na FPR, foram estabelecidos os subsídios de deslocação para todas as provas do Calendário, para seniores era de $60, $65 para os juniores e $70 para os juvenis. Houve a inscrição de 1247 atletas na Federação, 33 dos quais femininos, com um subsídio de 264 500$00 a FPR fechou as contas com um saldo devedor de 2 893$60. Neste ano tivemos a lamentar o falecimento do Dr. Leopoldo Lehrfeld, que foi Presidente da FPR, Treinador da Selecção Nacional, do CNL e do Ginásio Clube Português, diversas vezes vencedor da Taça Lisboa e participou também como treinador nacional nos Jogos Olímpicos, faleceram também António Biscaia sócio do Ginásio Figueirense e organizador das Regatas da Figueira e Aníbal Lopes colaborador da FPR, o desporto do Remo ficou definitivamente mais pobre com estas perdas. As comemorações das Bodas de Ouro da FPR efetuaram-se com a Edição de uma pequena Brochura com uma mini Historia do Remo e uma conferência em Aveiro finalizando com um discurso de Mário Duarte, grande desportista Aveirense e Presidente da AG da FPR.
A partir de 25 de Abril de 1974, dá-se início a uma nova etapa no desenvolvimento do Remo desportivo, pautada pelos princípios de democratização do desporto, definidos na política estatal da época, tendo em vista a massificação da modalidade. No âmbito desta política, a Direcção Geral dos Desportos, implementa Planos de Desenvolvimento da Modalidade. Em 1976, inicia-se o processo de formação de treinadores, sistematizados em vários graus. É estabelecido um intercâmbio com a Polónia com a vinda da equipa olímpica polaca durante todo o mês de Fevereiro, tendo, no âmbito do mesmo, sido dada formação a um elevado número de técnicos nacionais. Paralelamente, assiste-se à criação de Escolas de Remo da DGD por todo o país.
Nos anos 80, a ANL introduziu a variante de Remo Indoor em Portugal organizando, em 1992, no Pavilhão Carlos Lopes o primeiro Campeonato Nacional de Remo Indoor que conta com um elevado número de participantes.
Em 1985, realiza-se o primeiro Congresso de Remo, na Figueira da Foz onde, pela primeira vez, se reúnem todos os agentes desportivos que participam na vida da modalidade, tendo-se debatido amplamente os problemas do Remo. No ano seguinte o Remo passa a integrar as modalidades com planos de Alta Competição que a Direcção Geral dos Desportos apoia.
Após esporádicas presenças em 1962 e 1982, Portugal inicia, em 1986, a sua participação regular e sistemática em campeonatos do mundo de remo com uma presença em Inglaterra. Dois anos depois, Henrique Baixinho, skiffista peso ligeiro, classifica-se em 4º lugar no Campeonato do Mundo de Milão.
Em 1985 disputa-se em Óbidos um Oxford – Cambridge em Shell de oito, numa pista já balizada, embora de forma rudimentar. Também neste ano são iniciados cursos de remo para cidadãos com deficiência aqui neste Hangar.
Em 1989 são redigidos os novos estatutos e os treinadores criam a sua própria estrutura – o Conselho de Treinadores. A década de 90 é marcada pelo aumento de participações em competições no estrangeiro e pela obtenção dos resultados mais significativos na História do Remo nacional, destacando-se: A conquista, em 1990, da primeira medalha na Taça das Nações com uma tripulação feminina em double-skull. No ano seguinte, novamente uma tripulação feminina conquista mais uma medalha na Taça das Nações, uma medalha nas regatas internacionais de Lucerna e atinge a final A no Campeonato do Mundo; Em 1994, a conquista da primeira medalha num campeonato do mundo com uma tripulação de quadri - skull peso ligeiro Henrique Baixinho, Luís Teixeira, José Leitão e Luís Fonseca. Em 1999, uma tripulação de double-skull masculino, Artur Antunes e Bruno Mascarenhas, conquista o seu primeiro título Mundial, no Campeonato do Mundo de Juniores em Plovdiv, Bulgária. A publicação de legislação sobre o regime jurídico das federações, em 1993, implica que estas alterem os seus estatutos para poderem ser consideradas de utilidade pública desportiva. Em Lisboa realiza-se a Conferência Anual FISA de Treinadores com a presença de técnicos de todo o mundo. Em 1997 tem início o plano de apetrechamento dos clubes, apoiado pela Federação, que viria a contemplar mais de 100 embarcações, dezenas de ergómetros e centenas de remos. Três anos mais tarde, cinco árbitros portugueses obtêm a licença internacional e, quatro deles, passam a partir desta data a marcar presença nas grandes regatas internacionais, incluindo campeonatos do mundo.
No Congresso Ordinário da FISA, realizado em Lucerna, Suíça, em Agosto de 2001, José Nunes é eleito Presidente da Comissão do Remo Adaptado, sendo o segundo português a ter assento nas estruturas executivas da Federação Internacional, devendo-se ao seu excelente desempenho nesse cargo, a participação do Remo Adaptado, pela 1ª vez nos jogos olímpicos em Pequim. Em 2002, depois de um processo iniciado em 1997, é inaugurada a pista de Montemor – O – Velho, obedecendo o seu projecto às especificações da FISA para pistas internacionais. Em 2003, e depois de uma primeira participação no ano anterior, uma tripulação de Remo Adaptado de Soure conquista a primeira medalha num campeonato do mundo. A prática desportiva do Remo tem-se diversificado nos últimos tempos e encontramos hoje também nos planos de actividade federativos além da competição em barcos olímpicos, o Remo Indoor, o Remo de Mar, o Remo Adaptado e o Remo de Turismo, a organização do Congresso Extraordinário da FISA na cidade do Porto em 2001, com a presença de 200 delegados de 60 países, e a realização em Montemor – O – Velho, em Agosto de 2002, da Coupe de la Jeunesse, competição onde estiveram presentes 400 participantes de 10 países europeus, deram à Federação e ao País, uma visibilidade exterior impensável poucos anos atrás, o que originou através de um grande empenho da Federação Portuguesa do Remo e do Governo, a conquista da organização do Campeonato da Europa de 2010 ao fim de 86 anos, o que motivou, até um castigo a Portugal pela FISA, devido ao facto de em 1924 e 1954 os Governos de então não terem apoiado a organização do evento já destinada a Portugal.
Em 2008 a tripulação de Double-Skull Peso Ligeiro Com Pedro Fraga e Nuno Mendes conseguiu o apuramento para os Jogos Olímpicos de Pequim e teve uma excelente prestação conseguindo chegar às Meias-Finais ficando em 8º na Geral, melhor só a equipa do Galitos de Aveiro uns anos antes. Nos Jogos Paralímpicos tivemos a participação de Filomena Franco.
A Federação Portuguesa do Remo participou activamente na fundação do Comité Paralímpico de Portugal e Carlos Henriques é eleito para a sua Comissão Executiva em representação do Remo português. O Remo Adaptado teve um franco desenvolvimento em Portugal, com aumento do número de atletas e participação internacional nos Jogos Paralímpicos e Global Games, contando já com medalhas nos campeonatos do Mundo da Modalidade.
Numa Pista de Remo totalmente renovada, Montemor foi palco em 2010 do Campeonato da Europa de Remo, organizado pela FPR, avançando também a construção dos Centros de Alto de Rendimento de Montemor e do Pocinho, locais que permitiu um aumento da qualidade de treino aos atletas da Selecção Nacional. Nesta Regata Pedro Fraga e Nuno Mendes sagraram-se Vice Campeões da Europa em double-skull Peso Ligeiro.
A paralímpica portuguesa Filomena Franco conquistou a medalha de bronze na prova de Skiff (AS) dos Campeonatos do Mundo de remo, que decorreram no lago Karapiro, na Nova Zelândia."A prova correu muito bem, apesar do vento, que obrigou a um controlo muito grande do barco", disse Filomena Franco, uma atleta paraplégica, em declarações à Agência Lusa.
Filomena Franco, que terminou a prova de 1000 metros em 07.37,36 minutos atrás da brasileira Cláudia Santos (06.47,60) e da francesa Nathalie Benoit (06.43,18), lembrou que o seu grau de lesão "é bastante maior do que os das duas primeiras classificadas".
Depois de ter estado em Pequim2008 por convite, no ano que marcou a estreia do remo nos Jogos Paralímpicos, Filomena Franco garantia que agora sonha com uma presença em Londres 2012. "Estou no caminho certo, corri com as melhores do Mundo. Quero chegar mais longe, sei que tenho muito que trabalhar, mas quero estar em Londres", referiu. Nos Jogos de Pequim 2008, Filomena Franco ficou em 11.º lugar na final B, tendo então admitido que o seu objectivo "era chegar ao fim".
Nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres a dupla de Peso Ligeiro Pedro Fraga – Nuno Mendes conseguiram uma prestação espetacular, apurando-se para a Final A onde conseguiram um extraordinário 5º lugar. Ainda neste ano, em Varese – Itália, esta dupla voltou a ficar em segundo lugar nos Campeonatos da Europa.
Filomena Franco conseguiu também participar nos Jogos Paralímpicos de Londres.
Em 2013 Pedro Fraga venceu duas provas da Taça do Mundo em Skiff Peso Ligeiro (Lucern e Eton Dorney) tornando-se o primeiro português a alcançar tal feito, sagrando-se ainda Vice-campeão da Europa nos Europeus de Sevilha. No Campeonato do Mundo desse ano, na Coreia igualou a prestação de Henrique Baixinho, em 1988 e obteve o 4º lugar em Skiff Peso Ligeiro.
No ano seguinte em Belgrado, mais um feito para este atleta, em Belgrado na Sérvia subiu ao mais alto degrau da prova e sagrou-se Campeão da Europa em Skiff peso ligeiro.
Para 2020 além do Centenário a FPR convenceu a FIFA a delegar a Portugal o Campeonato do Mundo de Remo de Mar a 26 de Setembro em Oeiras.












segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

FEDERAÇÃO NACIONAL DE REMO

FEDERAÇÃO PORTUGUESA DO REMO  

No dia 19 de Fevereiro de 1920 numa Sala da Associação Naval de Lisboa reúne-se a Comissão Organizadora e Iniciadora da Federação Nacional de Remo, com a participação dos clubes de Lisboa e da Figueira (do Porto não houve resposta à solicitação mesmo depois de serem enviados dois ofícios), marcando então uma reunião de delegados oficiais para o dia 10 de Março, com a seguinte ordem de trabalhos:
1 – Discussão dos estatutos da Federação Nacional de Remo, a fim de os submeter à aprovação da lei.
2 – Compra de barcos de determinado tipo, no estrangeiro, para que os delegados devem vir bem ao facto das condições financeiras da sua associação.
3 – Compra ou venda de barcos que possuam as associações federadas, a fim de regularizar a distribuição de embarcações para tornar possível as corridas de remo em embarcações do mesmo tipo.
Pede também a Comissão para que os delegados venham munidos das seguintes relações:
De embarcações, suas características e seu estado actual; de sócios remadores para a sua classificação nas categorias de seniores, juniores e principiantes; de taças que possuam e estejam à disputa, para estabelecer imediatamente o calendário de remo inter – clubes, e campeonato escolar, para a sua disputa, e tipo de barcos em que devem ser disputados.







quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Um bom Timoneiro


UM BOM TIMONEIRO

Todo o desportista que seja timoneiro deve possuir as seguintes qualidades gerais:
Robustez física necessária, num corpo leve e não muito alto, para se poder acomodar bem numa embarcação; boas qualidades morais para se impor à equipa que tem de timonar; muito boa vista, ter a intuição das distâncias, não só para evitar abalroamentos como também para avaliar o espaço em que a sua equipa se deve empregar a fundo; muito boa voz, não só para admoestar a sua tripulação em qualquer falta técnica como também para lhe levantar a moral durante uma regata.
Deve conhecer muito bem a técnica de Remo para poder dar uma instrução eficiente
quando simultaneamente for instrutor e timoneiro, e saber exemplificar correctamente
qualquer dos tempos em que se divide a remada. Também deve saber as afinações do
diverso material de um barco, tais como as medidas entre o pau de voga, as forquetas, os sliders, etc. a fim de aproveitar assim ao máximo os esforços dos remadores.
É importante conhecer as possibilidades físicas dos componentes da sua equipa, para não exigir deles um esforço físico que lhes seja prejudicial.
Tem de saber nadar bem e ainda estar habilitado a prestar socorros a náufragos, dentro e
fora de água. A sua pontualidade à hora marcada deve ser exemplar, não se poupando a quaisquer sacrifícios, servindo assim de modelo à sua equipa.

CUIDADOS A TER ANTES DE SAIR PARA A ÁGUA

Para se ser metódico na preparação do barco, não esquecer de verificar: se a palamenta
respectiva pertence ao barco designado; se os remos estão em bom estado, bem
distribuídos pelos lugares da sota e da voga e com o tacão em condições; se as forquetas
estão bem seguras, verificando o estado dos parafusos e porcas; se não existe qualquer
obstrução no movimento de rotação das forquetas onde o remo deve entrar e rodar
facilmente.
Examinará: o leme e o estado dos gualdropes exercendo uma tensão nos mesmos para
evitar partir-se após ter saído para a água; todo o cavername, falsa quilha, tabuado do
costado e a ligação solidária de todo o conjunto; o alinhamento das forquetas pelo percurso do slider e o bom funcionamento deste, para o que bastará executar todo o percurso, exercendo uma pressão com a mão no sentido vertical; os rodízios e as calhas, sua limpeza e lubrificação.
Convém ainda observar: o estado dos paus de voga e respectivas correias ou sapatos, e se no barco que vai sair leva algum arame de cobre, adesivo, chave bocas, alicate e uma
esponja para poder remediar uma possível avaria.
Antes de embarcar, destinará a cada remador o lugar em que deve sentar-se, se a tripulação não estiver definitivamente constituída, designando-lhe o remo que lhe pertence, o qual deve ser verificado pelo próprio remador se está em condições.
Não deve pensar em sair para a água, se o estado do tempo não o permitir, a água estiver
demasiado revolta e a prancha de embarque não estiver com espaço para colocar a
embarcação.
O barco deve ser retirado para fora do posto náutico, hangar ou pavilhão com todos os
cuidados e atenções requeridas numa manobra quase sempre difícil, já por falta de espaço, já pela colocação dos remadores que procedem a tal operação, que deve ser vigiada e mesmo dirigida pelo timoneiro.



COLOCAÇÃO DO BARCO NA ÁGUA

Se a saída de uma embarcação do posto náutico requer muito cuidado, não devem ter-se
menores atenções na sua condução para água, e esta recomendação, deve ser sempre feita pelo timoneiro que auxiliará o transporte do barco, dirigindo depois a manobra da sua colocação na água, operação delicada quando se trata de barcos tipo Shell e principalmente de um oito.
Como as condições dos locais de embarque, divergem nos clubes existentes em Portugal, não há, correctamente, um processo idêntico a adoptar, com uniformidade, para se proceder à colocação dos barcos na água; porém em qualquer dos casos, a melhor maneira é efectua-lo após prévias vozes de advertência e execução proferidas pelo timoneiro.
Orientando o procedimento dos remadores, evitar-se-á que o material sofra choques
violentos no seu primeiro contacto com a água ou prejuízos ao acostar a embarcação na
prancha que deve ter uma largura e um comprimento tais que permitam o embarque
simultâneo de toda a tripulação.
O embarque deve ser efectuado disciplinadamente e ao timoneiro compete instruir a
tripulação, para poder faze-lo com segurança e simultaneamente, indicando aos remadores como devem colocar o remo, entrar com os pés sobre os paneiros, sentar-se no slider. Etc.

NORMAS E PREOCUPAÇÕES DO TIMONEIRO

A sua principal preocupação será o governo da embarcação, para evitar avarias do material e desastres pessoais.
Executará os treinos, de preferência no local onde se realizarem as regatas em que tomar
parte; se não for acompanhado por uma embarcação com o treinador, quando treinar
tripulações, procurará melhorar a técnica da sua equipa, sem prejuízo da sua condição
física, não esquecendo que os grandes percursos fazem os grandes remadores, desde que estes não adquirem defeitos e tendo sempre presente que uma boa técnica suplanta
sempre a força, desde que não falte o fôlego.
Não permitirá observações entre tripulantes, e poupará, na medida do possível, o Voga,
lembrando-se que ele é a alma da equipa e, como tal, deve ser respeitado por todos os
restantes componentes da tripulação.
Timonando um Shell, procurará evitar sempre a mareta causada por qualquer embarcação, afastando-se dela tanto quanto possível ou colocando-se de través (quando já não possa afastar-se) afundando os remos desse bordo para evitar a entrada da água no barco. Nunca deve:
 - Aproximar-se de um paquete ou rebocador em marcha (as suas hélices atraem as embarcações leves e a esteira não as deixa governar);
 - Passar entre um barco e a muralha ou outro barco (um estoque de água transformará a sua equipa em sanduíche);
 - Aproximar-se, na vazante forte, de qualquer bóia ou embarcação de pequeno calado que esteja fundeada (uma e outra em poucos segundos deslocam-se para junto do nosso barco);
 - Passar pelas embarcações à vela a não ser por barlavento e afastado delas, redobrando de cuidados no caso de haver correntes fortes;
 - Confiar no fundo com baixa-mar, porque existem pedras a poucos centímetros da superfície da água;
 - Desprezar todos os cuidados ao entrar numa doca, sair ou rondar um paredão, pois as surpresas são muitas;
 - Empregar o leme a fundo, mas sim por partes e enquanto os remos estiverem dentro de água;
 - Fazer as mudanças de rumo, só com o leme, antes mandando abrandar a sota ou a voga, como ajuda necessária.
Em qualquer época do ano procurará um abrigo para a sua equipa após um treino violento, seja qual for o estado do tempo, mandando agasalhar os remadores antes de
desembarcarem.
Para a saída da água, recondução do barco e sua recolha no posto náutico, deve ter os
mesmos cuidados e atenções que dispensou quando o retirou do hangar e o colocou na
água, sendo indispensável, para uma atracação a acostagem segura, ter um auxiliar na prancha, ou em terra que o ajude nessa operação. A equipa desembarcará também toda ao mesmo tempo se já estiver instruída para esse fim e, contrariamente, procurará o timoneiro exercitá-la para, com segurança, assim proceder de futuro.

CUIDADOS A TER ANTES DE UMA REGATA

Se o não tiver já feito, na véspera da corrida deve o timoneiro verificar o local da prova
para tomar conhecimento dos fundos, força da corrente, ventos, embarcações fundeadas no percurso (ou próximo), revezas de água, etc., a fim de os evitar durante a regata.
Após a última saída ou treino, antes da corrida, vistoriará o barco e palamenta para se
poder reparar ainda qualquer avaria ou deficiência que só então se note. Não esquecerá
fazer à sua tripulação todas as recomendações que julgar úteis ou repetir os conselhos do treinador que porventura acompanhe a equipa.
No dia da prova procederá o próprio timoneiro a uma lubrificação das calhas, rodízios e
forquetas; prenderá os paus de voga, com cabos (reforços sempre aconselháveis)
certificando-se novamente do bom estado do leme e dos gualdropes e que as solas dos
remos não estão deterioradas. Deve conhecer a Regeira onde tem de colocar-se, possuir o galhardete do seu clube à proa da embarcação, afixando o respectivo número de pista que lhe foi atribuído.
Até ao momento oportuno de embarcar e sair par o local das largadas, terá reunida, e em
descanso, toda a tripulação; irá alinhar com uma voga lenta indicando de antemão o local referenciado onde a equipa deve dar a embalagem final e onde fica a meta de chegada.

CONDUTA DO TIMONEIRO NO INÍCIO, DURANTE E APÓS A REGATA

Segurará a Regeira (no caso) com a mão esquerda e os gualdropes com a mão direita,
sentando-se bem no barco a fim de o equilibrar.
Recomendará à equipa: a máxima atenção, não olharem para fora, encostarem os pés ao
pau de voga e o tacão do remo à forqueta, segurarem bem o punho do remo com as duas
mãos, conservarem os remos com o mesmo ângulo do remo do voga, pás em cutelo e
completamente mergulhadas na água; corrigirá o alinhamento do barco, utilizando o proa, num barco de 4, e o proa e o 3 num barco de 8, não utilizando os restantes remadores a não ser que a corrente ou o vento, a isso obriguem.
Ao aviso de preparar para largar do Júri de largada, deve o barco estar alinhado e os
remadores preparados para a largada. Não deixará olhar para fora a equipa nesta ocasião, porque geralmente seguem-se as vozes de largada. Não estando em condições de largar levantará o braço indicando o motivo porque não pode largar. São motivos bastantes: o ter o adversário à frente, não ter o barco alinhado ou ter o barco muito próximo de qualquer adversário, do que pode resultar um toque de remos ou um choque de embarcações.
À voz de Larga!, som de tiro de largada ou luz verde, soltará um enérgico “UM” que seja bem ouvido por toda a tripulação e que deve corresponder ao ataque do Voga, seguido da voz “DOIS”, também enérgico, e correspondente ao safar do remo do Voga.
Ao sinal da largada, a mão esquerda abandona a Regeira (se for caso disso), para que esta não se vá embaraçar no lema, indo logo segurar o respectivo gualdrope.
Marcará bem as dez primeiras remadas e procurará tomar o comando da prova, não se
aproximando demasiado das outras tripulações, mas também não se afastar muito,
procurando sempre seguir nas suas águas, não cortando as do adversário.
Empregará o leme muito suavemente, para não tirar o seguimento do barco, fazendo-o
sempre com as pás dos remos dentro de água e estando sempre atento a qualquer advertência do árbitro, cumprindo-a rigorosamente.
Quando haja qualquer irregularidade cometida por equipa adversa, chamará a atenção do árbitro, continuando sempre a sua tripulação a remar até que ele próprio dê a voz de Leva.
Marcará sempre as remadas do Voga, interrompendo-se só para advertir qualquer remador ou a equipa, de uma falta técnica, nunca esquecendo que só com uma remada comprida e rápida é que pode bater um adversário que remo nas mesmas condições; em 2000 metros, poupe a equipa ate aos 1500, se os outros concorrentes consentirem, não a poupando no entanto nos 500 metros finais, a fim de conseguir um bom tempo.
Nunca deixará de se preocupar com o rumo. O vento e as correntes podem alterá-lo e,
nestas condições, tem que exigir um esforço maior à sua equipa, com prejuízo do resultado da prova ou do tempo que pretender fazer, no caso de correr em contra-relógio. Verificará se, no seu rumo, tem qualquer obstáculo pela frente e não esqueça que este não foge de si, mas nós é que temos de fugir dele. Faça sempre o rumo de forma a entrar sempre dentro da meta, tendo esta preocupação, principalmente nos últimos 500 metros.
Aproveite qualquer guinada de um adversário que vá à frente, para ocupar as suas águas, se forem melhores; sempre que um barco adverso se atire para cima do seu, advirta o timoneiro em voz alta, no caso do árbitro não o ter feito já e por forma a que todos o ouçam.
Embora atrasado, em relação às restantes tripulações, entre sempre na meta remando com energia e estilo.
Finalmente, nunca tente prejudicar os seus adversários, porque o desporto do Remo põe à prova a lealdade e a correcção dos seus praticantes.
Ao terminar uma prova deve saudar os membros do Júri, qualquer entidade oficial que
tenha assistido à regata e os adversários, pela ordem que chegarem, indo junto deles.
No caso de haver algum protesto não esquecer que a embarcação terá que estar dentro de água para a sua validade.
Mandará agasalhar a equipa e seguir para terra se o barco for necessário para outra prova, conservando-se no mesmo se a maioria da equipa assim o desejar. Não se realizando uma prova de remo todos os dias, notificará a equipa da forma como se portou, elogiando-a ou repreendendo-a, conforme as circunstância, não deixando de lhe observar os defeitos, a fim de serem corrigidos de futuro.
Não deixará a equipa arrefecer após o esforço violento da prova, obrigando-a tomar banho e a vestir-se imediatamente após a lavagem do barco e sua palamenta e respectivo arrumo da embarcação.
Carlos Henriques