Remo Historia
Pretendo publicar factos desconhecidos sobre a história dos desportos náuticos, colocando a sua beleza em destaque.
quinta-feira, 13 de março de 2025
segunda-feira, 3 de março de 2025
Clube Naval Infante D. Henrique primeiros dias
O Clube Naval Infante D. Henrique fundado em 4 de Julho de
1925 inscreveu-se na FPR em 22 de Junho de 1932, na altura da inscrição era
dirigido pela Direção presidida pelo sr. Américo Pereira, informação retirada do
anuário da Federação de 1944.
Foi-me solicitado, para contribuir para o Livro do
Centenário de um dos maiores clubes de Remo portugueses, o que eu possuísse no
meu acervo sobre as vitórias do Infante no Remo, nomeadamente na Taça Lisboa e
que atletas se distinguiram ao seu serviço, algo muito difícil devido ao pouco
acervo que existe da modalidade, dado que a Federação Portuguesa do Remo nunca
prestou a devida atenção à sua História nem dos verdadeiros intervenientes – os
Clubes, no entanto apresento o que consegui reunir no meu pequeno acervo que
fui juntando ao longo dos anos.
No início da sua história no Remo, o Infante como gosta de
ser conhecido pelas suas gentes, foi um clube com participações regulares nas
provas da modalidade. Gostaríamos de começar por salientar os primeiros
Campeões Regionais de Velocidade os remadores principiantes que venceram o
Shell 4 em 1931 e 1932 e que voltariam a vencer em 1941 e 1945. A vitória do
Shell 4 Júnior em 1942 e do Skiff Júnior
também neste ano, dos skiff júnior e
sénior no ano de 1946 e nas épocas de 1949 e 1950 a vitória no Campeonato
Regional em Shell de 2 Júnior, de destacar que as provas eram já muito
competitivas nessa altura na região Norte. As classes numa dada embarcação eram
escolhidas pela experiência e não pela idade biológica.
Em 1950 recebia da federação um subsídio de 464$20 relativo
aos Km percorridos na deslocação para a sua participação no Campeonato Nacional
da Modalidade.
Apos um hiato podemos verificar no relatório e contas da
federação que em 1955 o CNIDH venceu a regata “dia de abertura” em Shell de 4
principiantes e voltou a ser campeão regional de Shell de 2, em principiantes e
no ano seguinte voltou mais uma vez a vencer o título regional de Shell 2
principiantes.
No ano de 1957 a FPR alterou um pouco a orgânica do Remo ao
dividir as regiões em CENTRO-Norte e Centro-Sul ao invés do simples Norte/Sul
de qualquer maneira trouxe mais um título regional para o Infante desta vez o
de Shell 4 júnior.
Só em 1960 voltamos a ver indicação, no relatório e contas
da FPR, da inscrição de três atletas e um timoneiro pelo Infante, nos anos
anteriores não houve participação por parte do Clube. Neste ano realizaram-se
pela primeira vez as Regatas Luso-Brasileiras.
No relatório de 1961
temos o Infante inscrito com a morada na Rua dr. Joaquim M. da Costa, 588 – 1º em
Valbom. Na lista de atletas da Federação podemos verificar a inscrição do
Timoneiro nº 166 Joaquim Fernandes e do remador principiante em Shell e júnior
em yolle Armando de Almeida P. Pereira. As classificações eram dadas pela
experiência dos atletas pela participação nas provas realizadas e das classificações
obtidas.
Em 1962 registamos a inscrição do timoneiro nº 251 António Eugénio
Rodrigues Pinheiro e de 5 remadores, no ano seguinte o mesmo timoneiro com
apenas 2 remadores. Neste ano, 1963 não foram efetuados Campeonatos Nacionais
devido à participação portuguesa no Brasil nas Regatas Luso-Brasileiras.
O ano de 1964 poderá ser o ano que catapultou o Infante para
a ribalta do Remo nacional pois saudamos a indicação na federação de 27
remadores e dois timoneiros, Joaquim Fernandes e José Vitorino Almeida e Silva,
dos seus 312 sócios, assim como, dois professores de ginástica/Instrutores de
Remo, o também timoneiro José V. Almeida e Silva e Joaquim M. de Sousa e Silva.
A nível da declaração de embarcações foi comunicado a existência de 1 Shell de
4 novo, 1 shell de 4 regular, 1 shell de 2 regular, 1 skiff em mau estado, 1 Guiga
em estado regular, 2 Randers regulares e 3 Pic-nic regulares. O infante
comunicou também a necessidade da construção de um tanque de remo, o Clube
ficou em 8º lugar na classificação regional, não tendo participado, contudo nos
campeonatos nacionais da modalidade.
Em 1965 a Direção Geral dos Desportos fixou os escalões etários
infantis, iniciados, juvenis, juniores e seniores. Este ano e o seguinte foram
anos de treino e aprendizagem do clube para em 1967 organizar a Regata do 42º
aniversario do Clube Naval Infante D. Henrique. Nas provas oficiais
participaram pelo Clube sete remadores e dois timoneiros distribuídos nos
escalões Juniores e Juvenis. O Infante foi campeão regional de Shell de 2 com
timoneiro Júnior. Obteve 29 pontos com um segundo lugar nos Juvenis e ficando
em 7º lugar a nível regional e no 11º a nível nacional como resultado do 2º
lugar da equipa de juvenis e 8º dos Juniores.
Na época de 1968 o Infante apresentava já a existência de 19
remadores e cinco timoneiros, o Clube participou nos campeonatos nacionais
obtendo o 11º lugar na classificação geral de clubes com 34 pontos.
É, porém, neste ano que é incluído no relatório da FPR, pela
primeira vez, uma equipa feminina campeã nacional de fundo de Shell de 2 com timoneiro,
tripulação essa pertencente ao Clube Naval Infante D. Henrique sendo, portanto,
o clube pioneiro do remo feminino competitivo em Portugal. O remo feminino em
Portugal existe comprovadamente desde 1862 com a participação das Maganas de
Avintes nas Regatas de Leixões, mas, no calendário federativo foi a primeira
vez que equipas femininas se sagraram campeãs nacionais. Havia nesse ano sete
senhoras inscritas na federação, cinco do Infante e duas do Clube Naval de
Lisboa apenas, num total de 22 clubes e 687 atletas.
Ainda neste ano o Infante venceu o Shell de 2 com timoneiro
masculino júnior nos campeonatos regionais vencendo a “Taça Clube Naval Infante
D. Henrique”.
Para o ano de 1969 ficou o Clube Naval Infante D. Henrique incumbido
da realização do campeonato regional da zona norte no dia 30 de Março.
Continua...
terça-feira, 27 de agosto de 2024
Ginásio Clube Aveirense
Às 13:15 de 12 de Agosto de 1894, incluída nas festas de homenagem a José Estevão, organizou uma regata, em conjunto com o Real Club Fluvial Portuense.
Da qual saíram vencedores os escaleres Neiva, do Real Club Fluvial Portuense, Mariposa, do Ginásio Aveirense, e Nauta, a bateira Carnot e o Barco Moliceiro Arreda da Proa.
A 2 de fevereiro de 1907 anunciava-se no jornal Campeão das Províncias:
"Corre que o grémio Ginásio expira por estes dias, e que em sua substituição se criará um grémio que irá fundir-se com o Club Mário Duarte."
O mesmo jornal, em 2 de março de 1907, anuncia que ainda se procura dar vida ao Ginásio.
Por fim, na edição de 21 de Agosto de 1907 do referido jornal, na última página, aparece o seguinte anúncio de arrematação:
"Pelo tribunal do comércio desta comarca, cartório do escrivão A. Pinheiro e nos autos de justificação para arresto em que é justificante o Banco de Portugal representado pelos seus agentes nesta cidade e justificado o «Gremyo-gynasio-aveirense» também desta cidade, vão à praça no dia 1º de Setembro próximo pelas 11 horas da manhã à porta de onde se encontra instalado o mesmo Grémio, para serem entregues a quem maior lanço oferecer sobre a sua avaliação, todos os móveis e objectos ali existentes.
Pela presente são citados quaisquer credores incertos para deduzirem os seus direitos. Aveiro, 19 de Agosto de 1907"
De acordo com este jornal, na sua edição de 28 de dezembro de 1907, a maioria do material seria arrematado pelos sócios do Club Mário Duarte, bem como a antiga sede do Ginásio que seria arrendada por estes por um período de 5 anos. Apesar disto, o Club Mário Duarte não é uma continuação do Ginásio Aveirense, este mesmo jornal dá conta, na sua edição de 9 de novembro de 1907, da criação de um novo clube, denominado «Clube D'Aveiro», que aparentava ter esse propósito, no entanto este clube aparenta, pelos dados disponíveis até ao momento, ter sido irrelevante e de pouca dura.
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
O Remo no Mundo - a minha visão
O Remo como meio de propulsão,
que consiste em colocar a pá dentro de água com um ponto de apoio na borda da
embarcação é utilizado desde sempre. Sendo mais fácil em mares abrigados, não
invalida, no entanto, o seu uso na travessia dos Oceanos como nos foi
demonstrado pelos “Drakkars”
Vikings.
Tendo começado, certamente pela
utilização de um tronco flutuante o Homem foi desenvolvendo embarcações cada
vez mais sofisticadas através da união de troncos chegando até aos
impressionantes Trirremes,
que utilizavam cerca de 170
remadores. Foram Usados no Mediterrâneo, onde os homens chegavam a morrer à
fome, à sede ou em pleno combate nessas embarcações.
O Remo como desporto de
competição é um dos mais antigos e tradicionais, regatas entre galeras faziam
parte das civilizações egípcias, gregas e romanas. Na Odisseia, Homero fala-nos
numa viagem de Ulisses, pela ilha de Ítaca, num barco a remos, enquanto que na
Eneida, Virgílio conta-nos que Eneias, príncipe de Tróia, homenageou seu pai,
com uma disputa entre quatro barcos, movidos por duzentos remadores
acorrentados às embarcações. O Faraó Amenophis II foi imortalizado na sua tomba
remando, há também excertos de uma regata em Veneza no ano de 1315.
Apesar
do Remo ser muito popular entre profissionais só no inicio dos anos 1700 é que
o desporto se popularizou entre cidadãos
amadores quando principiaram as regatas ao longo do Tamisa, das quais a
mais antiga que se conhece é a Doggett´s
Coat and Badge Race que toma lugar desde 1715.
Em 1775 realizou-se um Festival de Água da
qual fazia parte uma regata de remo em Chelsea, no Tamisa, que obtinha muitos
patrocinadores e que constituiu a possibilidade para Handel compor a sua “Water
Music”. Nos finais do século XVIII o Remo começou a fazer parte do desporto
Universitário o que lhe proporcionou um grande incremento, principalmente
depois de em 1829 ter sido estabelecida a primeira das tradicionais regatas
entre Oxford e Cambridge. Dez anos volvidos e efectuava-se a primeira das
célebres regatas de Henley.
Nos Estados Unidos a regata de
Yale contra Harvard teve o seu início em 1852. O Canadiano Ned Hanlan (“The Boy In Blue”, dado que envergava uma camisola
azul) a nível profissional sagrou-se Campeão do Mundo entre 1880 e 1884 em Skiff,
ainda antes das Olimpíadas.
Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos modernos, em
Ouchy ©
O pai
dos Jogos olímpicos, Barão Pierre de Coubertain, escreveu várias vezes sobre o
desporto do Remo, uma das quais com esta bela frase que nos transmite a ideia
geral do Remo “O intenso esforço do remador, a harmonia e o sincronismo dos seus
movimentos na transposição das barreiras naturais fazem do Remo um desporto
ideal”.
A
Federation Internationale dês Societès d´Aviron (FISA), fundada em 1892, é a
mais antiga de todas as Federações desportivas, possui a sua sede em Lausanne
com mais de uma centena de membros. A Federação Portuguesa do Remo, a mais
antiga de Portugal, fundada em 1920 é membro da FISA desde 1922.
FPR
FISA
Apesar da técnica de remo não ter
sofrido grandes alterações ao longo do tempo, o desenho, a construção e o peso
do equipamento utilizado no desporto do Remo sofreu grandes modificações em
especial no século vinte.
As primeiras embarcações de
corrida eram de casco trincado robustas e pesadas, o atleta utilizava apenas os
braços e o tronco como meio de propulsão. Existiam com um, dois, quatro seis e
oito remadores, actualmente desapareceram as de seis. Os barcos eram conhecidos
como inriggers ou outriggers conforme a sua forqueta ou tolete era colocada
directamente no casco, ou utilizavam uns acrescentos em metal, as aranhas (que
apareceram por volta de 1828). Em outriggers existiam o Skiff ou Single de um
atleta com remos parelhos, o Pair-Oar de dois atletas, cada um com um remo de
ponta e timoneiro, o Double Skull de dois atletas com remos parelhos, sem
timoneiro e os de quatro, seis e oito remadores com timoneiro e remos de ponta.
A beleza do Remo encontra-se no
ritmo dos atletas que impulsionam a embarcação (“A Sinfonia do Movimento”como
descrevia o construtor George Pocock). O estilo e o ritmo têm variado ao longo
dos anos, sendo que actualmente, a remada consiste num movimento cadenciado e
distinto durante o seu ciclo. A remada pode ser dividida em várias partes,
iniciando-se no ataque, com a tomada de água, a passagem do remo na água e o
final com o safar do remo (saída da pá da água), depois vem o deslize do
remador com o remo fora de água e o início de um novo ciclo da remada. O
remador está sentado de costas para a proa da embarcação, o movimento é gerado
por uma sequência de Pernas, Tronco e Braços e o deslize fora de água é o
inverso com Braços, Tronco e por fim as Pernas.
Basicamente podemos dividir a
modalidade em Remo de Ponta e de Parelhos. No Remo de Ponta o atleta segura um
remo, com cerca de
Actualmente no Remo Olímpico, só
existem barcos de tipo Shell (sucessores dos outriggers) podendo ser divididos no
Skiff (1X) – Um atleta com dois remos parelhos, o Double Skull (2X) – com dois
atletas de remos parelhos, o Quadri Skull (4X) – quatro atletas com remos
parelhos, o Shell de dois sem timoneiro (2-) – dois atletas com remos de ponta,
o Quatro sem timoneiro (4-) – quatro atletas cada um com o seu remo de ponta, e
o barco rei do Remo o Shell de oito (8+) – oito atletas com timoneiro e cada
atleta com um remo de ponta; competimos ainda em Shell de dois com timoneiro
(2+) – dois atletas com um remo de ponta cada e com um timoneiro, no Quatro com
timoneiro (4+) – quatro atletas com um remo de ponta cada e com um timoneiro,
embora estas últimas duas embarcações não pertençam ao alinhamento dos Jogos
Olímpicos, por razões economicistas. O comprimento das embarcações varia entre
cerca de sete metros no Skiff e dezoito metros no Oito, que é dividido em duas
partes, para melhor ser transportado. Durante as regatas de Remo o plano de
água permite o alinhamento de pelo menos seis tripulações, em pistas com um
mínimo de
Em 1857 J.C. Babcock de New York
inventou uma forma de slide num Skiff
e em 1870 adaptou-o num barco de seis remos. O slide ou carrinho veio dar um
grande incremento no andamento da embarcação pois possibilitou a utilização das
pernas na remada. Em 1875 Michael Davis patenteou a forqueta com travinca e no ano seguinte desenvolveu
uma embarcação com aranhas móveis. As aranhas móveis foram mais tarde proibidas
pela FISA, por este facto não é usado, apesar de possibilitar um andamento
muito superior à das embarcações com aranhas normais.
M.F. Davis patent#165,072
M.F. Davis patent#209,960
Em
Em
1896 foram eliminadas das Regatas de Boston
City as provas com profissionais. Ainda nesse ano, na Grécia, realizaram-se
as I Olimpíadas modernas das quais o Remo fazia parte, no entanto as provas
foram canceladas devido ao mau tempo. Desde essa data que o Remo faz parte dos
Jogos Olímpicos.
CARTAZ DOS J.O. 1896
Em 1916 o Remo para ligeiros,
atletas com menos de
Em 1923 formava-se em Inglaterra
a Women`s Amateur Rowing Association
e em
A
100ª REGATA OXFORD – CAMBRIDGE
Nos anos seguintes o Remo
continuou a ser um dos desportos mais praticados ao mesmo tempo que se assistia
a um grande incremento técnico e de material, as embarcações tornaram-se mais
leves e sofisticadas e as tripulações evidenciaram uma técnica mais apurada
devido ao aumento do treino e do seu controle. Durante o período da II guerra
mundial as competições foram praticamente todas suspensas. Com a divisão
europeia nos dois blocos também o Remo sofreu grandes diferenças na sua técnica
e estilo havendo duas grandes escolas, – a Alemã Ocidental e a dos países de
Leste com a sua política de desporto nacional.
Em 1954 realizaram-se os primeiros
campeonatos da Europa Femininos que foram dominados pela União Soviética. No
ano de 1962 competiram-se em Lucerna os primeiros Campeonatos do Mundo
realizados pela FISA, assim como em
Foi em 1977 que os irmãos
Dreissigacker começaram a construir remos de material compósito e em 1981
lançaram também no mercado o ergómetro Concept
II que veio revolucionar o treino do remo e universalizar um dos desportos
mais completos que se pratica.
O primeiro Campeonato do Mundo de
Femininos Pesos Ligeiros teve lugar no ano de 1985 em Hazewinkel em que a
distância de prova para as mulheres foi igualada à dos homens. Em 1991 mais uma
vez os Dreissigacker desenharam e lançaram no mercado uma inovação – os remos
com pá de cutelo – que com o aumento do tamanho da pá iria ajudar os atletas
com pior técnica mas que em equipas de topo nunca se chegou à conclusão da sua
vantagem, apesar da seguinte universalização das pás Big Blade (um melhoramento
da pá de cutelo que fica sem a espinha). Ao longo das épocas estes remos
continuam sofrendo várias alterações mínimas que apenas servem a economia e o
consumismo da empresa americana.
Nesse mesmo ano como não podia
deixar de ser, foi inaugurado em Inglaterra, pela Rainha Isabel II o Museu do Remo
com o nome de River and Rowing Museum.
No limiar do século XXI o
britânico Steve Redgrave conquistou a sua quinta medalha de ouro olímpica em
cinco olimpíadas consecutivas algo nunca conseguido por outro atleta em
desportos de endurance. Outro atleta, também remador e inglês, Jack Beresford
conseguiu três medalhas de ouro e duas de prata em cinco olimpíadas, tendo sido
apenas traído pelo cancelamento dos jogos olímpicos que se deviam realizar em
1940. Nos femininos Elisabeta Lipă venceu cinco medalhas de ouro, duas de prata
e uma de bronze nas suas presenças em seis jogos, Georgeta Damian venceu também
cinco medalhas de ouro e uma de bronze nas três olimpíadas em que competiu,
Ekaterina Karsten venceu três medalhas nas suas três presenças em olimpíadas
duas de ouro e uma de bronze.
Steve Redgrave – GB
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
REMO DE MAR - COASTAL ROWING
Remo costeiro: a evolução do remo tradicional
Remo Mar: uma nova maneira de remar
O remo de mar é um desporto relativamente recente E com um rápido crescimento que se espalhou rapidamente por todo o mundo, podendo ter a sua estreia nos próximos Jogos Olímpicos de Paris em 2024.
O remo costeiro moderno teve seu início na década de 1970, com o desenvolvimento da Alden Ocean Shell. Inicialmente planeado para ser um projeto de casco mais estável e eficiente para remo recreativo, eventualmente os proprietários de Alden começaram a competir com seus cascos em pequenos eventos e até mesmo na Head of the Charles.
É por isso que o arquiteto naval Arthur E. Martin é conhecido como o pai do remo recreativo. Depois de muitos ajustes nos designs, em 1969 ele começou a produzir a Alden Ocean Shell, uma embarcação de remo individual em fibra de vidro digna do mar, com assento deslizante e remos com cerca de três metros. Durante vários anos os cascos foram produzidos pela Martin Marine Company (mais tarde renomeada Alden Rowing Shells) em Kittery Point, Maine.
As embarcações Alden Ocean preencheram a lacuna entre os Shell de corrida competitivos e os barcos de assento fixo em condições de navegar. Estes barcos exclusivos além de ter carrinho são cascos estreitos, mas estáveis, graciosas linhas alargadas que os colocam acima das ondas de mar aberto com falcas curvas que impedem a entrada da maior parte das ondas.
Martin afirmou então que a sua '' aula de 10 minutos de 75 centavos '' é tudo o que a maioria das pessoas precisa para se sentir confortável numa embarcação recreativa.
Na época, a Martin Marine era a única empresa de naval que se dedicava exclusivamente a fazer barcos recreativos com carrinho móvel. Neste momento até as grandes marcas de competição olímpica fabricam estas embarcações.
O que agora chamamos remo de mar surgiu em França no final dos anos oitenta a partir de uma ideia do navegador dos oceanos Gerard D’Aboville. Foi então desenvolvido por uma comissão técnica que incluiu o monegasco Jannot Antognelli e o Marselhês Denis Masseglia, membro da Federação Internacional de Remo (FISA) desde 1992.
A ideia original era substituir o Yole de mer de madeira, que são uns barcos um pouco mais estreitos típicos do remo em águas mais revoltas, por barcos capazes de suportar um mar agitado pelas ondas e pelo vento. Assim nasceu o novo Yole de mer, com um, dois e quatro remadores e um timoneiro, que começou a surgir na costa sul da França e logo depois na costa atlântica, mediterrânica e nas colônias francesas ultramarinas.
Esta versão extrema do remo, que privilegia mais a relação entre os praticantes e a natureza, pratica-se no mar, praias ou em grandes lagos caracterizados pelo vento e pelo movimento das ondas. É muito diferente do remo tradicional, onde a água é parada e os cursos são protegidos. Praticar Remo de Mar significa remar em águas agitadas e em condições muitas vezes difíceis. Portanto, é essencial ter um bom conhecimento da técnica do remo para poder enfrentar o trajeto da corrida.
São Usados cascos mais largos com uma popa desnivelada para permitir que a água flua para fora do barco. Geralmente ocorre em águas abertas e não se esquiva das ondas e do vento. É a versão extrema do remo e perfeita para os aventureiros que gostam da emoção das condições desconhecidas, do remo e das belas paisagens costeiras. É uma das comunidades de remadores com um crescimento mais rápido e é particularmente acessível a remadores baseados em locais onde a água plana não está próxima. O remo costeiro é mais fácil de aprender do que o remo em águas planas, devido em parte à estabilidade e robustez dos barcos, que difere muito dos barcos de estilo olímpico. Para se tornar um bom remador costeiro, as tripulações devem estar atentas às marés e correntes, conhecer a topografia do percurso e saber o que fazer num meio com tráfego marítimo e em caso de mau tempo.
O remo costeiro pode ser encontrado em todos os cantos do mundo, incluindo as Maldivas, muitas partes da África, as costas da América do Norte e do Sul e, mais tradicionalmente, na Europa. Barcos a remo costeiros também são usados no interior em alguns lagos e rios onde a água tende a não ser muito plana.
Realiza-se um campeonato mundial costeiro desde 2007 e há uma proposta em consideração para adicionar um evento costeiro de exibição nas próximas Olimpíadas.
Na competição Mundial de Remo, ocorrem dois formatos de competição de remo costeiro:
A competição de resistência que neste formato vê as equipes remando em regatas de 4 a 6 quilômetros em torno de vários pontos de viragem marcada por boias. É um desafio de resistência, habilidade, navegação e adaptabilidade às condições variáveis de uma distância maior, o percurso é localizado em mar aberto e com a largada / chegada na água ou na praia.
No World Rowing Beach Sprint Finals, o formato na praia: Beach Sprint é um estilo de corrida de eliminação frente a frente, com um sprint curto ao longo da praia, uma prova de 250m com uma curva de 180 graus numa boia antes de remar de volta à praia e correr até a linha de chegada. As competições são estruturadas de tal forma que os atletas que progridem mais são obrigados a competir várias vezes dentro de um curto período de tempo. Esta disciplina de remo testa no atleta o seu poder e força, bem como habilidades de navegação costeira e o desempenho sob fadiga.
Existem atualmente sete classes de barcos para homens e mulheres: single scull, double sculls, quádri scull com timoneiro e um double scull misto.
Começou com a FICSF (Federação Italiana de Remo de Assento Fixo) a organizar a primeira regata internacional em Itália, em Noli, no oeste da Ligúria, depois, em 2006, aconteceu o primeiro Campeonato Italiano de Remo Costeiro, organizado por Canottieri Sanremo, combinado com uma regata internacional aberta a todos as tripulações estrangeiras. O evento também se repetiu em 2007 e foi considerado como o I Campeonato Mundial - FISA Coastal Rowing World Championship.
Depois, em 2008 a FISA World Rowing Coastal Rowing Championship disputou-se em Sanremo com 485 atletas, 171 equipes e 110 empresas representando 16 nações (Croácia, Chipre, Dinamarca, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Mônaco, Novo Zelândia, Polônia, Espanha, Suécia, Suíça e Estados Unidos).
Desde aí esta modalidade tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos e tivemos em Portugal o Campeonato do Mundo que se desenrolou em Oeiras.
terça-feira, 21 de novembro de 2023
Artigo para a Revista MonteMayor;
“Tendo desde o princípio estado ao serviço
dos homens para facilitar os contactos, a água
teve em todo o tempo um papel considerável no
desenvolvimento da civilização. Pode-se
mesmo dizer que a história foi colocada em
marcha a golpes de remo.”
Pierre Carnac
O Remo é utilizado como
meio de transporte pelo Homem desde tempos imemoriais. Certamente na Pré
história os rios e os lagos eram obstáculos difíceis de serem ultrapassados,
árvores arrancadas ou troncos flutuantes foram com certeza as primeiras etapas
da navegação efectuada pelo Homem.
Dada a precária
estabilidade de um tronco os humanos depressa perceberam que juntando vários
conseguiriam uma melhor navegação e protecção contra as ondas gerando a partir
daí embarcações espetaculares e imprevisíveis.
Montemor, perto da Foz do
Mondego deu a Portugal o maior aventureiro e explorador português – Fernão
Mendes Pinto - que certamente terá remado nas suas viagens. Diogo de Azambuja
- Navegador, chegou a Capitão-Mor da
Armada portuguesa encarregada de construir a Fortaleza de S. Jorge da Mina era
também natural da vila. Foi também a terra portuguesa escolhida para possuir a
primeira e única pista de Remo alguma vez construída no nosso País.
A História do Remo está
povoada de civilizações que se aventuraram no desconhecido com “pequenas cascas
de noz”. Os primeiros navios egípcios há mais de três milénios denominavam-se
galeras, movidas por cerca de 20 remadores, podiam ser
equipados também com velas e a direcção era conseguida através da utilização de
um remo maior – Leme de Esparrela -. Os Fenícios, também há cerca de 3000 anos,
eram grandes marinheiros e comerciantes e navegavam pela costa do Mediterrâneo
com os seus barcos mercantes. Os Vikings pilhavam no Mar do Norte com os seus
imponentes barcos de guerra movidos a Remos e à Vela – os Drakkar -. Fomos
contudo nós, os portugueses, que revolucionámos o transporte marítimo através
dos nossos Descobrimentos e da utilização da Caravela. A evolução da Navegação
efectuada constituiu uma das pricipais causas do desenvolvimento da ciência e
da técnica que ainda hoje não terminou.
Os navios de guerra da
região do Mediterrâneo usavam a vela para trajectos mais longos e
combatiam em águas costeiras impelidos por remadores. Guerreavam através da
utilização de um Esporão colocado na proa para afundar as embarcações inimigas,
por abalroamento ou transportavam soldados para conquistar o navio inimigo por
abordagem. Alguns navios romanos utilizavam até catapultas a bordo. No Oriente,
o Junco Chinês é desenvolvido como um navio de estrutura
resistente, apesar de não ter quilha, no entanto há conhecimento que Juncos
chineses navegaram pelos oceanos Índico e Pacífico.
Estes dois meios de
propulsão (a força humana e a vela) coexistiram por muito tempo, mas o
aperfeiçoamento dos Veleiros eliminou gradualmente o transporte em embarcações
a Remo. A vela tem a desvantagem de não poder ser usada com tempo calmo assim
como os barcos a remo não podem ser utilizados em mares revoltos.
O Trireme era o barco
mais veloz da antiguidade, mais estreito que os demais usava os remos na sua
deslocação e na Batalha de Salamis em 480 AC, os Gregos com cerca de 380
embarcações venceram a armada Persa com perto de 600 barcos. Metade dos barcos
Gregos eram triremes.
O transporte aquático, incluindo
embarcações a remos e à vela, foi a única forma eficiente de transporte de
grandes quantidades ou para grandes distâncias até à Revolução Industrial. A importância da água levou a que a maioria das
cidades que se destacavam através do comércio se desenvolvessem junto dos rios ou do mar. Até
à Revolução Industrial, o transporte era demorado e dispendioso, a produção e o
consumo mantinham-se o mais próximo possível. No século XIX, o advento das
grandes invenções modificaram radicalmente o transporte, após a existência do telégrafo a comunicação tornou-se práticamente instantânea e independente do transporte.
A utilização da máquina a vapor nos transportes ferroviário e
marítimo, tornou-o independente da força humana, do vento ou da tracção animal.
Velocidade e capacidade cresceram rápidamente, permitindo a especialização e a
produção passou a poder ser realizada independente da localização e dos
recursos naturais.
Com o desenvolvimento do motor a combustão e consequentemente do automóvel o transporte rodoviário tornou-se mais viável. Posteriormente já no século XX, com a chegada do
avião, e após a Primeira Grande Guerra, este tornar-se -ia a forma mais rápida
de levar pessoas e mercadorias a longas distâncias.
Logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, o automóvel e o avião ganharam avanço no
transporte, limitando o transporte ferroviário e marítimo ao transporte de
carga e de curta distância para passageiros.
O Remo, como
desporto tradicional dos ingleses, surge no século XVII, durante a
época Vitoriana, mas fica muito popular a partir do século XIX. Em 1892, foi
criada a organização internacional do Remo, chamada Fedération Internacionale
des Sociétés D’Aviron (FISA), que é a entidade que actualmente regula o
Desporto do Remo. Esta competição é a modalidade mais antiga de todos os
desportos da modernidade.
A tradição de mais de
quatro mil anos não envelhece o desporto do Remo que continua a gerar grande
rivalidade e paixão entre os seus praticantes.
"Um remo só não leva
o barco ao mar."
terça-feira, 11 de abril de 2023
A Participação Internacional de Portugal em Remo em Campeonatos Europa, do Mundo e Jogos Olímpicosdesde 1923 até 1992, contando até 2003 perfaz já um Século, até isso não estamos a comemorar:
PARTICIPAÇÕES
INTERNACIONAIS PORTUGAL 1923 – 1992
ANO |
PROVA |
BARCO |
CLASS |
CLUBES |
1923 |
CAMP EUROPA |
2+ |
6º |
SCP |
1926 |
CAMP EUROPA |
4+ 4- |
7º 3º |
CNL |
1947 |
CAMP EUROPA |
8+ 4+ 1X |
REPESC 5º REPESC |
CG SCC CNL |
1948 |
JOGOS OLIMPIC |
8+ 4+ |
MEI FINAL QUART FIN |
CG SCC |
1950 |
CAMP EUROPA |
8+ |
5º |
CG |
1951 |
CAMP EUROPA |
8+ 1X |
MEI FINAL REPESC |
CG SCC |
1952 |
JOGOS OLIMPIC |
8+ |
REPESC |
CG |
1960 |
JOGOS OLIMPIC |
4+ |
REPESC |
SCC |
1962 |
CAMP MUNDO |
4+ |
REPESC |
SCC |
1972 |
JOGOS OLIMPIC |
2X 1X |
REPESC REPESC |
CUF LAG |
1981 |
CAMP MUNDO |
1X PL |
10º ( 4º FB) |
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1982 |
CAMP MUNDO |
2- 1X 2X PL |
REPESC REPESC 12º |
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1986 |
CAMP MUNDO |
2X PL 1X PL |
12º 12º |
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1987 |
CAMP MUNDO |
2X PL 1X PL |
11º 8º (2º FB) |
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1988 |
CAMP MUNDO |
2X PL 1X PL 1X FPL |
10º 4º 10º |
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1989 |
CAMP MUNDO |
2X 1X PL 1X FPL |
9º 7º (1º FB) 11º |
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1990 |
CAMP MUNDO |
2X 1X PL 2X FPL |
REPESC 9º 8º |
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1991 |
CAMP MUNDO |
2X 8+ PL 1X PL 2X FPL |
13º 8º 7º (1º FB) 6º |
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