quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Gago Coutinho e a Associação Naval de Lisboa / Real Associação Naval

 Gago Coutinho Faria anos hoje a minha contribuição para a sua história na Associação Naval de Lisboa:







Carlos Viegas Gago Coutinho, nasceu em Belém, Lisboa, a 17 de Fevereiro de 1869. Filho primogénito de José Viegas Gago Coutinho, marítimo, natural de Faro e de Fortunata Maria Coutinho, natural de Faro, moradores na Calçada da Ajuda nº 5. Foi baptizado na Igreja de Santa Maria de Belém a 2 de Junho de 1869, morreu na Freguesia de Santa Engrácia às 18h05 do dia 18 de Fevereiro de 1959.

Era assim que descrevia a sua família:

«Meu pai era um homem de reduzida educação literária. Só a primária, mas conhecia escrita comercial, em que praticava. Sargento de mar-e-guerra até 1873, serviu na nau Vasco da Gama e na fragata D. Fernando. Era homem alto, desempenado, bem branco. (...) falecendo em Lisboa com 93 anos. Meus avós eram livreiros em Faro. (...) De minha mãe, senhora pequena, algarvia, filha de padeiros, e que devia ter ascendência moura, nada mais sei a não ser que um irmão dela era patrão de um cahique da costa (...). (...) Desde os 8 anos que foi minha mãe adoptiva uma amiga de minha mãe, D. Maria Augusta Pereira, falecida em 1914.»

Em 1885 Gago Coutinho concluiu o curso do Liceu e devido aos fracos recursos materiais de seu pai não conseguiu satisfazer a vontade de frequentar um curso de Engenharia na Alemanha, matriculou-se então na Escola Politécnica para preparar a sua entrada na Escola Naval, um ano depois. Entrou para a Armada como aspirante em 1886. Em 1890 foi promovido a guarda-marinha, em 1891 a segundo-tenente, e em 1895 possuía já a patente de primeiro-tenente. Em 1907 foi promovido ao posto de capitão-tenente e em 1915 a capitão-de-fragata. Em 1920 era já capitão-de-mar-e-guerra. Em 1922 foi promovido ao posto de vice-almirante, e em 1958 um ano antes de falecer, a almirante.

 

O seu primeiro grande embarque foi na corveta “Afonso de Albuquerque”, de 7 de Dezembro de 1888 a 16 de Janeiro de 1891, numa viagem para Moçambique pertencente à Divisão Naval da África Oriental. Seguidamente passou à canhoneira “Zaire”, na qual navegou até 24 de Abril de 1891, viajando de regresso a Lisboa. Colocado na Divisão Naval da África Ocidental, embarcou sucessivamente na lancha-canhoneira “Loge”, que comandou, na canhoneira “Limpopo”, na canhoneira “Zambeze”, e na corveta “Mindelo”. Durante o serviço nesta corveta no Brasil, em 1894, adoeceu com a febre-amarela, foi então internado no Hospital da Beneficência Portuguesa no Rio de Janeiro. Já em Portugal, esteve embarcado na canhoneira “Liberal” e na corveta “Duque da Terceira”. Foi nesta corveta que fez nova viagem ao Atlântico Norte. Viajou depois até Moçambique na embarcação de transporte “Pero de Alenquer” e, a seguir, ingressou na corveta “Rainha de Portugal”, embarcou então na canhoneira “Douro”, que o trouxe para Lisboa. Fez parte da guarnição da corveta couraçada “Vasco da Gama”, até 31 de Março de 1898, da qual passou para a sua primeira comissão como geógrafo ultramarino, em Timor.

De espírito inovador, era sincero e austero, afirmava: «Gosto de controvérsias, de tudo o que possa esclarecer, pois sou comunicativo como todos os homens do mar. Gosto da discussão que faz luz...». Normalmente modesto ao fazer as suas apresentações e conferências nas academias, qualidade que, segundo os que com ele conviviam, vinha cultivando desde sempre: «(durante a travessia), o meu papel foi secundário.» (Gago Coutinho, 30/03/1942). Também muito imaginativo, tinha sempre uma resposta de espírito pronta para dar, ou uma anedota para contar. Em resposta à pergunta: como tinha atravessado África a pé? Resposta pronta de Gago Coutinho: «Como havia de ser? Com as botas rotas, para a água sair mais à vontade, porque, para entrar, entrava sempre.»

Assinalável é também o seu gosto pelo desporto, visto não ser muito comum na época em que viveu. Desde adolescente que o praticava, remo, vela e especialmente ginástica com aparelhos. Já com alguma idade, ainda trabalhava com as argolas montadas numa trave do tecto na Rua da Madragoa, para se manter em forma. A prática desportiva interessava-o, e dedicou-lhe algumas das suas palavras, das quais temos o exemplo aquando da conferência do 71º. aniversário do Real Ginásio Clube Português (1946). Foi  Secretário Geral da Real Associação Naval/Associação Naval de Lisboa e rezam as crónicas que foi ele quem deu, em Portugal, o primeiro curso de Patrão da Náutica de Recreio, em 1900, na Real Associação Naval. Já no inicio do século XX organizava com frequência conferências no seu clube náutico.

Das suas diversas viagens destacamos:

1893 – No Mindelo (Luanda - Rio de Janeiro), cujo comandante era o grande almirante Augusto de Castilho

1896 - No Pero de Alenquer (Lisboa – Lourenço Marques), seguindo na medida do possível a histórica rota de Vasco da Gama, na sua viagem rumo à Índia, travessia que tão grandes ensinamentos lhe veio a fornecer para os seus estudos sobre "Náutica dos Descobrimentos".

Já com 75 anos fez, a bordo da barca portuguesa Foz do Douro, uma nova travessia à vela, Santos – Leixões, durante a qual navegou 105 dias, utilizando o histórico astrolábio, como os antigos mareantes portugueses, confirmando, assim, as suas opiniões sobre as rotas por estes seguidas.

Calcula-se, por conseguinte, que durante toda a sua vida, o almirante teria navegado 30837 milhas o que, por certo, constitui um recorde para todos os oficiais do seu tempo. A sua missão, a bordo dos barcos em que prestou serviço, foi, quase exclusivamente, de "oficial encarregado da navegação", daqui vindo a resultar o conhecimento que manteve com o sextante clássico.

De 1913 a 1914 Gago Coutinho comandou a  missão de delimitação da fronteira Angola com a Rodésia, surgindo como seu colaborador o segundo-tenente Arthur de Sacadura Cabral a quem o almirante apelidava de «observador de fina vista».

A competência do geógrafo levou à sua nomeação pelo Ministério da Guerra, em 1928, a presidente da Comissão, para propor a reorganização dos serviços geográficos, cadastrais e cartográficos. Neste mesmo ano passou igualmente a vogal da comissão encarregada de estudar o estabelecimento de um aeroporto nos Açores, e a navegação aérea nas colónias

Desempenhou ainda as funções de Presidente da Comissão de Cartografia, contribuíndo eficazmente para a criação da missão geográfica de Moçambique e para a solução definitiva da fronteira luso-belga na região do Dilolo.

Assim, o seu interesse pela aviação não surgiu apenas do espírito Romântico que esta inspirava, mas principalmente do caracter científico do almirante. Gago Coutinho pressentiu na aviação uma hipótese de novas descobertas científicas, onde desejava aplicar os seus inúmeros conhecimentos e pesquisar quer a nível marítimo quer a nível terrestre. O emprego, quase diário, que havia feito, em África, durante as suas missões de geógrafo, do sextante e o grande conhecimento sobre este instrumento, eram mais que suficientes para justificar a sua opinião. Assim, Gago Coutinho foi um dos primeiros oficiais de Marinha a oferecer-se para ir ao estrangeiro obter a sua «Carta de piloto do ar», uma vez que a de «piloto do mar» já tinha há alguns anos. Tirou o Brevet em França em 1915, num frágil Maurice Farman, o "baptismo do ar" do almirante realizou-se em Portugal, mais propriamente na Escola de Aviação Militar em Vila Nova da Rainha, acompanhado pelo já piloto-aviador Sacadura. Nesta escola, foi, mais tarde, instrutor.

A propósito da sua passagem pela escola referida, e já no contexto das experiências aéreas na companhia, de Sacadura Cabral, o almirante comenta:

«Vou ao aeródromo de Vila Nova da Rainha e dou três voos com o Sacadura. Total, 35 minutos no ar. Admirável a segurança; demos vários saltos, curvas, etc. até governei um pouco. Pareceu-me bastante fácil e muito mais seguro do que eu julgava. Em todo o caso, entusiasmei-me.»

Esta foi a primeira de algumas das suas experiências de voo que culminariam com a Travessia Aérea do Atlântico Sul, que consagra o nome de Gago Coutinho como aviador, na História Nacional.

 

 

OBRAS PUBLICADAS:

Algumas determinações de longitude feitas ultimamente em África pela missão da fronteiro do Barotze, 1915

As determinações de latitude pela missão da fronteira Barotze, 1915

Impressões de duas viagens através de África entre Angola e Moçambique, 1915

Relatório da missão geodésica de São Tomé. 1920

Relatório da viagem aérea Lisboa-Rio de Janeiro, 1923 (de colaboração de Sacadura Cabral)

Tentativa de interpretação simples da teoria da relatividade restrita, 1926

O roteiro da viagem de Vasco da Gama e a sua versão nos Lusíadas, 1930

Desdobramento da derrota de Vasco da Gama nos Lusíadas, 1931

Possibilidade da rota única de Vasco da Gama em Os Lusíadas. Impossibilidade de Vasco da Gama ter de Cabo Verde navegado para o Sul, 1931

Pela Segunda vez, possibilidade de ler em Os Lusíadas uma rota única de Vasco da Gama, 1933

Gaspar Côrte-Real, 1933

Alguns erros em que se apoiou o desdobramento da rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas, 1933

Continuação dos erros em que se apoiou o desdobramento da rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas, 1934

Passagem do Cabo Bojador, 1935

Influência que as primitivas viagens portuguesas à América do Norte tiveram sobre o descobrimento das Terras de Santa Cruz, 1937

O almirante foi também colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

 

Bibliografia

ALBUQUERQUE, Luís de, Curso de História da Náutica, Lisboa, Alfa, 1989.

BOLÉO, José de Oliveira, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, Lisboa, Sociedade de Geografia, 1972.

CORRÊA, Pinheiro, Gago Coutinho, Precursor da Navegação Aérea, Porto, Portucalense Editora, 1969.

Correia, José Pedro Pinheiro,

LEMOS; Carlos M. Oliveira e, O Almirante Gago Coutinho, Lisboa, Instituto Hidrográfico, 2000.

REIS, Manuel dos, CORTESÃO, Armando, Gago Coutinho Geógrafo, Coimbra, Junta de Investigações do Ultramar, 1970, sep. de Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Tomo XIII, 1969. 

http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/index1.html





domingo, 24 de janeiro de 2021

Com Barco emprestado o Ferroviário foi Campeão

 


«DE BARCO EMPRESTADO, FERROVIÁRIO É CAMPEÃO»

 História de uma regata, por Sandoval Cruzinha

«De barco emprestado, Ferroviário é Campeão». Foi este o título escolhido pelo (Dr.) João Oliveira, – também ele remador – para escrever, em 28 e 30 de março de 1983, nas páginas do Jornal a Bola, sobre a conquista do Campeonato Nacional de Fundo, no Rio Douro, pelo Clube Ferroviário de Portugal.

Passados 35 anos sobre esta regata, dirão vocês: “Cheira-me a bafio”! De facto, esta história pertence ao “museu” da nossa memória, mas ao ser convidado para escrever umas linhas no nosso boletim de treinadores de Remo, entendi que devia aproveitar a oportunidade para prestar uma singela homenagem ao Clube Naval Infante D. Henrique, e à minha tripulação de Shell 8+, vencedora dessa regata nesse ano.

A história conta-se assim:

Em 1983 o CFP não dispunha de um Shell 8+ em condições de participar com dignidade em provas de grande exigência, como é um Campeonato Nacional de Fundo. Era um barco antigo, largo e pesado, ao qual adicionávamos a dificuldade de remar em barcos Shell, nas águas remexidas do Tejo. Treinávamos na Doca do “Espanhol” em Alcântara – Lisboa – com cerca de 1500m (bem esticados) em Shell4 c/s timoneiro. Quatro desses remadores eram mais altos e pesados, e outros quatro mais baixos e leves. Conjunto ideal para formar um Shell 8+, “enfiando” os pesados a meia-nau, e os leves às pontas (proa e ré). Tínhamos tudo, só faltava o barco! E todos queriam muito participar nesse campeonato.

Então, o “Jójó” (Jorge Mendes) treinador da rapaziada, resolveu recorrer à “pedincha” e contactou o Sr. Albino Oliveira, ao tempo, Presidente do Clube Naval Infante D. Henrique (CNIDH) perguntando, se não teria um barco que nos pudesse emprestar. A resposta foi pronta! Venham para cima que têm cá um barco à vossa espera! E lá fomos!… (O CNIDH não participou nesta prova)

Alugámos uma carrinha de 9 lugares onde couberam 10, e partimos para Gondomar na 6ª feira dia 25 de março.

À chegada lá estava o Sr. Albino Oliveira à nossa espera e deparamo-nos com um Shell 8+ em madeira do “Carpentiere Navale Donoratico” novinho, à nossa disposição. Não perdemos tempo! De imediato, começámos a montar aranhas e a proceder às afinações, metendo o barco na água, e voltando a terra 3 ou 4 vezes, até conseguirmos atinar com a afinação mais adequada ao conjunto dos remadores.

No sábado dia 26, treinámos em tranches de 30’/40’ e voltávamos a terra para mais afinações nos ângulos das forquetas, alavancas e entre eixos, até conseguirmos o máximo equilíbrio e rendimento na água. Os remos de madeira eram nossos. Nessa noite, fomos jantar a um pequeno restaurante (já não me recordo o nome) na Ribeira do Porto, onde estava afixado um poster grande com a fotografia do rio Douro desde a Foz até à Ponte Luís I. Acresce dizer, que eu era o timoneiro desse Shell 8+ e, como tal, responsável pelo rumo e pelo espírito combativo da tripulação.

Comecei ali, na toalha de papel da mesa, a desenhar as curvas do Douro e a definir a estratégia da regata com o “Jójó” (Jorge Mendes), e ficou decidido que o meu rumo seria apontar à Alfândega do Porto (minha voga) e dali tirar uma reta até a Ponte D. Luis I, para depois dar leme para a sota, encostando mais ao lado de Gaia, uma vez que a chegada ficava nessa margem depois da Ponte Dª Maria Pia. No tal restaurante, a dona, vendo que estávamos equipados com as cores do Ferroviário, “espicaçava-nos” dizendo que: “Bossemecês” não têm hipótese nenhuma. Quem “bai” ganhar é o “Flubial”! Vai uma apostinha, disse-lhe eu?!… (muito longe de imaginar que iríamos ser campeões) Tá bem, se ganharem, venham cá beber uma garrafa de espumante! Combinado!

Dia 27 de Março, domingo muito cedo, no posto náutico do CNIDH, dávamos os últimos retoques no barco. Tínhamos que remar de Gondomar, cerca de 10Km, para chegar à largada, que foi dada na Afurada. A meio do caminho tivemos uma avaria. Partiu-se uma correia do pau-de-voga a um remador, creio que ao Carlos Alberto (o CA, como lhe chamamos), que entretanto, desenrascou a situação com um atacador de uma sapatilha. E eis-nos na largada, alinhados com mais 4 tripulações: ARCO, GALITOS, CNL, FLUVIAL e CFP. O CDUP não alinhou (peço desculpa se me falta nomear algum clube):

– Senhores, prontos?… LARGA!…

E começou a luta entre todos para ganhar a dianteira. Não tínhamos percorrido 100m e nova avaria num pau de voga ou slide, já não posso precisar bem. Levantei o braço, mas não fui atendido pelo juiz arbitro.

Parámos, reparámos, e seguimos em último lugar, em voga forte e ritmada, tentando que os nossos adversários não descolassem muito de nós. Paulatinamente lá fomos encurtando distâncias. Transposta a Ponte da Arrábida comecei a dar leme para a minha voga apontando à Alfandega do Porto, enquanto as restantes tripulações se encostavam do lado de Gaia, acompanhando a curva do rio. Nesta zona da Alfândega, conforme a estratégia planeada, apontei à Ponte D. Luis I, em linha reta, dando leme para a minha sota, com o objetivo de passar a Ponte o mais perto possível do lado de Gaia, e com esta manobra conseguir juntarmo-nos às outras tripulações. E assim foi!

Passámos o CNL, e depois o Galitos. À nossa frente, o Arco e o Fluvial, discutiam a cabeça da regata, sem contarem que uns intrusos vindos de Lisboa se preparavam para dar luta até ao fim. Recordo como se fosse hoje, os gritos e aplausos de incentivo ao Fluvial, que vinham das duas margens do Douro e do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís. Foi espetacular! Nunca tinha vivido até àquela regata um ambiente tão entusiasta de apoio ao Remo, que, diga-se de passagem, também nos galvanizou e contribuiu para darmos mais luta.

É nesta fase da regata que entra na nossa tripulação o nono remador, – o Simões. Quem era este personagem? Ninguém! Apenas o nome de código que eu arranjei para substituir o termo “PEGA 20” quando fosse necessário fazer séries para descolar dos adversários. E resultou!

Ultrapassámos o CNL, Galitos e Arco com esta “ratice” e ficámos ao lado do Fluvial antes da Ponte D. Luís. O experimentado timoneiro do Fluvial, conhecedor do Douro, começou a “empurrar-me” para o meio do rio, não permitindo ao Ferroviário, encostar ao lado de Gaia. Mas lá fomos lado a lado, ora com a proa do Fluvial à frente, ora com a do Ferroviário, numa luta titânica sem sinais de quebrar o ritmo.

Aproximávamo-nos da Ponte Dª Maria e da linha de chegada. A cadência aumentava na ponta final, podendo qualquer das tripulações ser campeã, e continuávamos naquele “baile” de proa para a frente, proa para trás, até que no limite das forças o “SIMÕES” voltou para ajudar a equipa do Ferroviário, e vencemos por uma proa!

Três ou quatro elementos da tripulação lançaram-se à água completamente eufóricos! Estava tudo doido! Eu só desejava ter à mão uma garrafa de oxigénio. Fiquei afónico. O mais caricato é que com tanto banho, esquecemo-nos de ir receber a taça e as medalhas, ficando o “Jójó” (Jorge Mendes) sozinho à nossa espera com a taça e as medalhas na mão.

A classificação ficou assim ordenada: 1º CFP; 2º Fluvial; 3º Arco; 4º Galitos e 5º CNL, conforme escreveu o Eng. Flores (presidente do júri) no Jornal de Notícias.

No final da regata o Sr. Fernando Barbedo que acompanhou a prova, perguntava se o timoneiro do Ferroviário era do Porto, pelo facto de ter feito aquele rumo.

Conto esta história para enaltecer as virtudes do REMO. Nunca teríamos sido Campeões sem a solidariedade do CNIDH e do seu presidente Albino Oliveira que nos emprestou o barco. Nunca teríamos sido Campeões, se aqueles 8 rapazes do Ferroviário não tivessem fibra, espírito de sacrifício, crença e uma vontade de ganhar extraordinária.

São inúmeros os atributos do nosso desporto: dignidade, honestidade, generosidade, companheirismo, lealdade, espírito de sacrifício e entreajuda, liderança. Estes são alguns dos valores que ficam para a vida.

Tinha 14 anos, em 1962, quando comecei a praticar Remo. Hoje, com 71, ainda por cá ando como treinador a passar a mensagem a outros.

A Nossa tripulação era constituída por: 1 – Fernando Palma (O tira linhas); 2 – Alcino Costa (O Ramsés); 3 – Carlos Afonso (Atual presidente da ANL); 4 – Paulo Ferreira; 5 – Eduardo Jorge Oliveira; 6 – António Gonçalves; 7 – Carlos Alberto (CA); 8 – José Leitão (Atual diretor da formação da FPR); Timoneiro: Sandoval Cruzinha; Treinador: Jorge Mendes (Jójó).

 

P.S.: Não voltámos ao restaurante para beber o espumante.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

 Água do Vidago


Nas regatas efectuadas  a 3 de Outubro de 1915 pelo Viana Taurino, em Viana do Castelo, para competição da Taça com o nome do clube, origina-se uma grande celeuma porque um dos competidores, o Fluvial, coloca slides no Escaler Porto (segundo alguns este facto transformava-o em Runner) e vence a regata mas depois é desclassificado, por maioria, pelos árbitros, dizendo o júri que não passou por uma bandeira (supostamente tinha desaparecido com a maré). Este episódio fez correr muita tinta nos jornais da época. Na regata participaram clubes de Viana, Esposende, Vila do Conde e Porto. Ainda na mesma regata comentou-se o equipamento dos atletas, se devia ser calça ou calções e lê-se também no Jornal Sport de Lisboa(…) A garrafa de excitante despejada à partida pela tripulação do Viana Taurino Clube, a que se refere o Sr. Silveira, não passa de uma simples e inofensiva garrafa de água do Vidago (…). Na prova acabou por vencer a equipa da casa – o escaler Viana – tripulado por Jorge Campos, Luciano Dias, João Pinto e João Victor, timonado por José de Passos Lomba. Durante a prova tinham encalhado num banco de areia que dado o atraso no começo das provas a maré baixou e o areal ficou a descoberto. 




terça-feira, 22 de setembro de 2020

 BANDEIRA DE HONRA


Esta Bandeira de Honra em exposição na Sede da Associação Naval de Lisboa existe desde 1863, junto o Jornal onde foi pela primeira vez colocada em desafio:





sexta-feira, 18 de setembro de 2020

                                                          Remo Feminino


Recentemente descobri no Jornal do Porto que as mulheres do norte, nomeadamente Avintes (conhecidas pelas Maganas) começaram a remar muito mais cedo que as suas congéneres do sul.

Há notícias no Jornal do Porto de regatas a partir de 1863, talvez tivesse havido ainda mais cedo a ler:

                                             






sexta-feira, 3 de julho de 2020

ENTREVISTA À REVISTA ANTREMO





  • Como e quando se deu o primeiro contacto com o Remo?
Em miúdo praticava futebol e atletismo mas nos meus passeios por Lisboa junto ao Tejo via uma embarcação todos os domingos de manhã a passear no rio, (mais tarde vim a saber que eram os Veteranos do CNL a quem depois chamámos a Brigada do Reumático porque tinham sempre um papel crítico e formativo sobre os mais jovens do clube e com os quais aprendi a relação certa a ter com o rio e com os procedimentos náuticos, devo-lhes muito) e disse para mim isto de andar de barco deve ser giro, fui à lista telefónica das páginas amarelas e verifiquei que o Clube Naval de Lisboa estava à distância de um Km de minha casa, fui lá e inscrevi-me. Comecei nas Escolas do Clube onde me formei como Remador, Timoneiro e Marinheiro (Vela) frequentávamos estes cursos e davam-nos uma apostilha que era colada no cartão de sócio. O Clube funcionava com muito amadorismo e os treinadores iam mudando amiúde e sem muita formação, como eu ia ao Clube todos os dias e como havia falta de pessoas a direcção convidou-me para ser o Monitor das Escolas. Assim que a FPR iniciou acções de Formação inscrevi-me e frequentei o Curso de Monitores e depois o de 3º Grau onde tive como prelectores o Sr. Fernando Estima e o Prof. Monge da Silva que me instituíram o bichinho do treino.
  • A atividade como treinador teve início em 1985, como foi o percurso desde aí?
Comecei como disse atrás no CNL onde leccionava as Escolas e depois com a contratação do José Nunes para Coordenador do Clube ao mesmo tempo que treinava também a ANL, fiquei como seu adjunto mas de facto era o coordenador efectivo do Clube treinando Iniciados, Juvenis, Juniores e Seniores e coordenando os Monitores das Escolas, o José Nunes estruturava de longe.
O CNL era um Clube muito ligado à prática da Manutenção e ensino do Remo, quando quis impulsionar a competição dado que já tínhamos ultrapassado em muito o Ferroviário no número de praticantes e estávamos a aproximarmo-nos da ANL tive desavenças com a Direcção do Remo sobre o rumo a tomar e fui dar aulas de Vela ainda no Clube Naval de Lisboa e iniciei a construção de um Iate de 7 metros em madeira com outros sócios do Clube.
Só que depois o José Nunes convidou-me para integrar a sua equipa técnica e mudei-me de armas e bagagens para a Associação Naval de Lisboa onde treinei todas as classes da ANL desde Escolas, Manutenção e Competição e onde aprendi tudo o que era bom e mau num clube extremamente competitivo e onde vencemos muitos títulos nacionais. Tive também a sorte de ir a Macon como treinador da Cristina Roque Lino onde ela venceu a Medalha de Prata e acompanhei o Double do Pedro Fernandes e Bernardo Cabral que também venceu a Medalha de Prata.
Fui rodando entre o CNL, a ANL, o CNOCA e o Ferroviário estes dois últimos apenas com uma passagem.  
  • Já treinou 4 clubes lisboetas com dimensões, ambições e condições muito díspares, houve grandes diferenças em termos de organização e cultura desportiva?
Posso dizer que sou a única pessoa que foi Campeã Nacional como atleta e treinador nos três principais clubes de Lisboa, ANL, CNL e CFP.
Como já tinha dito o CNL é um Clube com um passado glorioso, já foi o maior clube português com secções em muitas cidades mas que de vez em quando morre e tem que recomeçar tudo de novo o que não é saudável! Não sabe aproveitar os seus melhores membros e como tal definha muitas vezes infelizmente.
A Associação Naval de Lisboa é uma máquina desportiva e competitiva que de vez em quando abranda mas retoma seguidamente toda a sua força baseada num excelente número de sócios sempre disponíveis para o clube em qualquer função e trabalho. É uma bola de neve sempre em andamento, que aproveita muito bem a massa humana de Lisboa ligada ao remo mesmo que tivesse sido formada nos seus rivais.
O CNOCA é o Clube da Marinha de Guerra muito ligada à Vela na qual o Remo depende dos humores do Presidente em exercício gostar ou não da modalidade e assim cultivar esse gosto nos Cadetes da Escola Naval. Muito inconstante por isso.
O Clube Ferroviário de Portugal é um clube de empresa com muitas secções que normalmente funcionam na Sede em Santa Apolónia e que envia um Delegado para gerir a Secção de Remo que a maioria das vezes não percebe nada do nosso desporto e que dirige a Secção ditatorialmente sem ouvir os sócios da secção e alguns até se aproveitam do lugar para subir socialmente na empresa e no Clube mãe. Mas quando esse Delegado trabalha em equipa o Ferroviário oferece excelentes condições de trabalho e um bom material náutico, conseguindo excelentes resultados. Falta-lhe uma estrutura montada e um continuar do trabalho realizado, tem muitos altos e baixos.   

  • Para além de treinador, houve também oportunidade de estar envolvido noutros projectos ligados ao desporto, nomeadamente na fundação da ANTREMO. Como avalia a evolução da nossa associação?
Avalio muito bem ultimamente, o Albino soube rodear-se de excelentes colaboradores que têm vindo a oferecer com a sua liderança excelentes ferramentas aos treinadores de Remo.
  • Houve também oportunidade de integrar a Direção da FPR, do CNL e a Comissão Executiva do Comité Paralímpico. Que retrato faz dessas experiências como dirigente?
Fui convidado a primeira vez para direcção da FPR pelo Sr. Fernando Estima, o que me surpreendeu e a muita gente, dado que era apenas o treinador do Clube Naval de Lisboa. O objectivo era a Fundação da ANTREMO da qual nos saímos muito bem. Liderei também a formação da FPR onde fomos considerados pelo Instituto do Desporto como uma das melhores Federações nessa área juntamente com o Basket, as nossas propostas eram sempre acolhidas com a maior vivacidade pela tutela. Universalizámos a deslocação dos treinadores aos Simpósios da FISA, em vez de irem apenas os treinadores nacionais, que depois passavam obrigatoriamente aos seus colegas o que tinham apreendido numa reunião de treinadores em Coimbra.
Como Presidente do CNL percebi o funcionamento do mundo da política e consegui trazer o apoio das Juntas de Freguesia e da Câmara Municipal de Lisboa ao Clube sempre muito difícil pois existem milhares de clubes na Cidade tendo sido convidado inclusivamente para integrar a Assembleia de Freguesia onde o Clube Naval estava instalado. Apercebi-me como as Juntas de Freguesia são importantes para os seus cidadãos, nomeadamente os mais carenciados e idosos.
No Comité Paralímpico onde cheguei a Vice-presidente tive a honra de acompanhar como dirigente a nossa atleta Filomena Franco aos Jogos a Londres e perceber as dificuldades que os atletas com deficiência suportam para conseguir praticar desporto. É de facto espectacular a dedicação e a simpatia destes nossos colegas desportivos.  
  • O  blog Remo História tem contribuído muito para a divulgação da história da nossa modalidade. Como surgiu o interesse pelo tema e a ideia de fazer o blog?
Quando realizámos o Centenário da Taça Lisboa tive a ideia de convidar para o evento os descendentes dos fundadores do Clube Naval o que à partida poderia não acolher grande aceitação dado que essas pessoas em maioria já não estavam ligadas nem à modalidade nem ao Clube. Só que ao invés disso foi um grande êxito perguntavam se era possível levar mais um familiar e traziam fotos e documentos que tinham em casa e que não sabiam o que fazer deles, acabei por ter um acervo extraordinário e comecei a pensar que tinha que mostrar aos outros que o Remo era o desporto mais antigo e tradicional no nosso País, assim nasceu o Blog porque na altura era muito popular ser um Bloggee e era fácil de passar a mensagem.
  • É costume dizer-se que a história ajuda-nos a evitar erros do passado. Tem-se dado pouca atenção à história das náuticas e do Remo, em particular?
Sim porque se repararmos na história do Remo os ciclos têm-se sucedido e as direcções têm caído sempre em erros semelhantes, se por acaso soubessem a sua História talvez os pudessem evitar.
  • Olhando para o presente e perspectivando o futuro, o que falta fazer no Remo nacional e qual poderá ser o papel dos treinadores e da ANTREMO?
Se repararmos bem nas direcções dos Clubes (pelo menos em Lisboa) e da Federação os melhores dirigentes têm sido sempre aqueles que foram treinadores, porque conhecem muito bem a modalidade, as suas deficiências e necessidades assim como estamos habituados a socializar e a dirigir pessoas é sempre mais fácil para nós reunirmos as condições necessárias para a evolução do nosso desporto.
Quanto ao papel da ANTREMO é muito importante que a rivalidade clubística não venha ao de cima na Associação de Treinadores e que seja capaz de levar os Clubes e a Federação ao aumento do número de praticantes aproveitando também ex-atletas do nosso desporto que abraçaram o ensino da Educação Física nas escolas para protocolar com essas escolas o ensino e a prática do Remo onde estão inseridos. A proliferação do Remo Indoor na sociedade em geral e nos ginásios em particular acho que pode ser também uma fonte de recrutamento tão necessária já que somos tão poucos e não temos vindo a crescer sustentadamente!  
  • Para terminar, e uma vez que estamos a passar por um período que certamente ficará inscrito na história do desporto mundial, como sairá o Remo desta pandemia?
Vai ser muito difícil a recuperação total não só para o Remo como para toda a sociedade já que os nossos costumes terão que ser muito alterados e como os remadores são cada vez menos temos que nos unir de Norte a Sul e remarmos todos para o mesmo lado.
É importante perceber que o Remo, assim como qualquer desporto, tem que tratar bem as pessoas e incentivá-las com simpatia, premiando os mais valorosos seja qual for a sua função porque Atletas, Dirigentes, Treinadores, Árbitros, Condutores de lanchas, Voluntários, Familiares e Assistentes são todos necessários e não podemos dispensar nenhum, o Remo precisa de todos e quantos mais melhor!




sexta-feira, 8 de maio de 2020

A Mulher na Associação Naval de Lisboa

Artigo escrito para o Anuário de 2016 que depois não foi impresso:


No século XIX a dança começou por ser a único modo da mulher desenvolver alguma actividade física, sendo considerada um ser frágil devia haver uma supremacia das faculdades afectivas sobre as intelectuais  e uma sujeição da sexualidade a uma vocação maternal, por tudo isto a mulher no desporto está aliada à luta contra a discriminação e na base da conquista social. Nos anos 1800 a participação da mulher nas provas desportivas era vista como um divertimento, enfatizando-se a sua beleza e postura corporal mas não se dava importância à força, agilidade e destreza das atletas.
As mulheres já participavam nos Jogos Ingleses a partir de 1770 mas só nos Jogos Olímpicos de 2012 é que existiam praticantes femininos em todas as modalidades olímpicas! Para o Barão Pierre de Coubertin “Uma Olimpíada com mulheres seria impraticável, desinteressante, inestética e imprópria” e continua  “O único herói Olímpico real é o homem adulto individual. Por isso, nada de mulheres ou desportos de equipa” ou ainda “pessoalmente, não aprovo  a participação de mulheres em competições públicas, o que não significa que se devam abster de praticar um grande número de desportos, com a condição de não ser um espectáculo. O seu papel nos jogos olímpicos deveria ser, essencialmente, como nos antigos torneios, coroar os vencedores” . 
Em Portugal e em particular na Associação Naval de Lisboa a participação da mulher no Remo e na Vela é muito tardia. Nas primeiras regatas do Clube a mulher apenas oferecia os prémios para as provas, nomeadamente bordando as Bandeiras de Honra, a mais antiga das quais, para as Guigas, ainda existe e está em exposição na Sede do Clube. Sua Majestade a Rainha D. Maria Pia protectora do clube ofereceu, por diversas vezes Bandeiras de Honra, como prémio para as Regatas da Real Associação Naval. 
No norte do País temos conhecimento de regatas de Remo feminino mais cedo do que no sul, no Jornal do Porto de 29 de Agosto de 1863 lemos sobre uma regata “de barcos remados por mulheres de Avintes” que se realizou na Foz. Estas mulheres eram barqueiras (maganas) que faziam o transporte entre as duas margens do rio nesta localidade. Em Lisboa ou Cascais a primeira manifestação de Remo feminino que encontrámos foi no final do século XIX nas Regatas de Paço de Arcos, mais concretamente a 27 de Setembro de 1896 com “corridas de escaleres tripulados por senhoras”.
Contudo a Vela, em Lisboa, teve um renascer ligeiramente mais cedo com o primeiro Iate timonado por uma senhora a fazer  parte da regata organizada pelos nossos rivais –Real Clube Naval de Lisboa – em 1894, a autora dessa proeza foi a britânica Eleanor Bucknall, esposa do Comodoro daquele clube, mãe do Campeão Olímpico de Remo e vencedor da Boat Race Henry Bucknall,  que timonou a sua Canoa “Mavis” nas Regatas de Paço de Arcos. Apesar do facto, temos contudo conhecimento que a Rainha D. Amélia protectora da Real Associação Naval ia muitas vezes ao leme do seu Iate Lia em passeio.
No livro “150 anos de História” a primeira vez que temos qualquer informação sobre  Remo feminino é em 1983 e sobre os femininos na Vela apenas em 1984 somos informados que neste ano é construído um balneário exclusivamente para senhoras!
Pela minha ligação ao Remo e à ANL tenho conhecimento que nos anos oitenta do século passado várias mulheres representaram o clube e venceram diversos títulos nacionais. Nessa década a ANL sagrou-se campeã nacional  de Double-Skull feminino em1985, 1986 e 1987 tendo em 1985 repartido o título de campeão nacional de Shell de 4 com timoneiro feminino com o Clube Ferroviário de Portugal que segundo o relatório da FPR terminaram ex-áqueo nesse ano. Algumas das responsáveis destas  proezas que me recordo, com a preciosa ajuda do Luís Reis, foram a Ana Romão, Catarina Santos, Maria José Fonseca, Carla Querido, Ana Viegas, Leonor Rodrigues e a Alice.
Em 1988 nos relatórios da FPR entre muitos títulos masculinos temos a informação da vitória no Skiff Juvenil Feminino nos campeonatos nacionais.
Pretendia destacar a remadora Cristina Roque Lino que para mim foi a melhor atleta que representou a ANL em Remo. Queria sublinhar entre as várias vitórias desta atleta a medalha de Prata que venceu nas Regatas Internacionais de Macon de 1990 prova durante a qual tive o privilégio de a acompanhar como treinador. Participou ainda no ano seguinte no Campeonato do Mundo Júnior em Banyoles, Espanha. Com uma grande formação pessoal e desportiva não desmereceu quando, ainda muito jovem, foi desclassificada num Campeonato Nacional depois de vencer destacada a prova, devido a duas colegas numa embarcação terem gritado palavras de incentivo… eram as regras da altura, muito injustas. Apesar disso não desistiu e destacou-se representando sempre muito bem o clube e a selecção nacional.
Em 1992 na secção de Remo dos 75 atletas que representaram o Clube nos vários escalões apenas três eram femininos ( uma sénior, uma júnior e uma infantil). Ainda como treinador da Associação Naval de Lisboa quero realçar no I Campeonato Nacional de Ergómetro, em 1993,  a participação das atletas presentes na prova e que se destacaram, nomeadamente a Filipa Cabaça e a Elsa Rodrigues. Ainda nesse ano a Filipa subiu ao pódio no Campeonato Nacional de Fundo em Crestuma. No ano de 1995 mais duas pupilas minhas, a Inês e a Ana Margarida, representaram condignamente o clube e subiram ao pódio no Campeonato Nacional de Velocidade Shell.
Queria também lembrar a remadora Raquel Franca que além de atleta da ANL foi a primeira mulher a exercer como árbitro de Remo, actuando como Juíza em várias regatas do nosso Calendário de Provas.  
Nos anos 80 e 90 do século passado na Secção de Canoagem também praticaram desporto no Clube diversas atletas femininas que não tenho contudo resultados para apresentar, queria no entanto destacar um projecto meritório que poucos conhecem que foi assinado entre a ANL, a Secretaria de Estado do Ambiente e da Juventude  e a Universidade Lusíada coordenado pelo sócio José Félix da qual a nossa sócia, na altura, Ana Nunes fazia parte. O projecto propunha-se efectuar descidas de rio em canoas cedidas pela ANL , nas quais os estudantes dos cursos de Direito, Gestão,  e História daquela Universidade recolheram elementos sobre a situação dos rios portugueses e do meio ambiente circundante. O projecto foi amplamente difundido na imprensa nacional.
No início do século XXI o meu realce vai para a sócia Susana Lusquinhos que serviu o Clube de várias formas ora como funcionária da secretaria ora como atleta de competição, com vários títulos nacionais conquistados e ultimamente colabora com o clube como excelente treinadora onde inicia todos os dias diversos sócios na prática do Remo, graças à sua brilhante formação técnica e humana tornou-se num ícone incontornável da Associação Naval de Lisboa. No Remo de Lazer muitas são as atletas que várias vezes por semana mantêm a sua perfeita linha remando na nossa frota de Yolles, pois não é só em competição que se pratica este belo desporto. Ultimamente com a ajuda do Treinador José Leitão fizemos um apanhado dos mais recentes resultados do Remo Feminino no nosso clube e podemos afirmar que continuamos com uma boa prestação desportiva através das prestações das atletas Madalena Ferreira, Marta Sampaio, Catarina Vieira, Ana Santos e Maria Felício. Na Taça de Portugal de 2014 Madalena Ferreira e Ana Santos conquistaram o segundo lugar em double-skull e nos Campeonatos Nacionais Catarina Vieira, Marta Monteiro, Ana Santos e Madalena Ferreira conquistaram o terceiro lugar no Quadri-skull.
Em 2015 foram Campeãs Nacionais de Yolle 4 as atletas Ana Santos / Madalena Ferreira / Rita Pape / Catarina Vieira e no Campeonato Nacional de Fundo em Quadri.skull  estas atletas conseguiram o pódio. Nos Campeonatos Nacionais a Madalena Ferreira csubiu também ao pódio na prova de Skiff.
Neste ano de 2016 temos já conquistado o título de Campeãs Nacionais de Yolle 4 com as atletas Ana Santos / Catarina Vieira / Marta Sampaio / Maria Felício.
Divagando agora pela secção de Vela gostaria de começar por destacar em 1993 a dupla Teresa e Rita Borges Coutinho que foram Campeãs Nacionais de “420” e representaram Portugal no Mundial da Classe em Itália. Durante a época de 1995 a velejadora Margarida Aguiar sagrou-se Campeã Nacional da Classe “Europe”.  Em 1997 e 1998 Inês Nolasco e Mafalda Barros sagraram-se bicampeãs nacionais da classe 420 Júnior. No ano seguinte Rita Gonçalves e Rita Guerra venceram o mesmo Campeonato Júnior de 420.
No ano do Milénio Marta Lobato venceu o Campeonato Nacional da Classe “Europe e em 2004 a ANL sagrou-se Campeã Nacional de Match Racing Feminino com a equipa composta por Margarida Aguiar, Sara Telhada, Mafalda Barros, Inês Gamito e Diana Neves.
Em 2005 a dupla campeã nacional júnior da classe “420” Rita Rocha e Mariana Lobato representaram Portugal no Mundial da Juventude ISAF que se disputou na Coreia.
Em 2007 a equipa de Match Racing liderada pela atleta Rita Gonçalves e composta por Ana Champalimaud, Mariana Lobato, Ingrid Fortunato e Catarina Costa sagrou-se Campeã Nacional. Ainda a equipa feminina de Match Racing agora patrocinada pela Schroders e com uma equipa base composta por Leme Rita Gonçalves, Trimmer Mariana Lobato, Trimmer Ana Champalimaud, Trimmer Ingrid Fortunato, Trimmer Catarina Costa e Proa Diana Neves, participou no Campeonato Europeu de Match Racing Feminino realizado em St. Quay, França, nos dias 9 a 13 de Setembro de 2008. A participação portuguesa nesta prova coube então à equipa liderada por Rita Gonçalves, velejadora da Associação Naval de Lisboa, e foi constituída por Marta Lobato, Ingrid Fortunato e Mariana Lobato. Esta equipa que teve uma excelente performance em 2007, campeã nacional, em 2008 sagrando-se bi-campeã nacional feminina e alcançando ainda  o 3º lugar do ranking nacional absoluto. Neste mesmo ano participou ainda no ISAF Nations Cup. Em 2009 foi o tricampeonato nacional, as velejadoras que participaram nesse ano foram a Rita Gonçalves ao Leme,  Ingrid Fortunato no Trimmer genoa, Catarina Costa no Trimmer spi e Diana Neves a proa, estiveram também presentes no Campeonato Europeu e na Grand Final da ISAF Nations Cup. Em 2010 para além do Tetra-campeonato de Portugal de Match Racing participaram no Mundial com uma equipa formada pelas velejadoras Rita Goncalves ao Leme, Mariana Lobato em Trimmer Vela Grande/Spi, Ingrid Fortunato no Trimmer estai e Diana Neves a proa, participaram além disso no Campeonato Ibero-americano onde alcançaram um honroso terceiro lugar conquistaram ainda o quinto lugar no Europeu da Classe.
De salientar que a base desta equipa esteve presente nos Jogos Olímpicos de Londres porém nesta altura já não representavam a Associação Naval de Lisboa!!!
Para honrar o desporto feminino e Sua Majestade a Associação Naval de Lisboa instituiu em 2004 o Troféu Rainha D. Amélia, perpétuo com uma prova  aberta a barcos de Cruzeiro que durante a regata sejam governados por Timoneiras. A prova tornou-se já um destaque no Calendário da Vela e S.A.R. a Senhora D. Isabel de Bragança sensibilizou-se com o projecto e na segunda edição da prova distribuiu os prémios às vencedoras.