sexta-feira, 3 de junho de 2022

Remo e Paralímpicos

 

Remo e Paralímpicos

As Paralimpíadas, jogos desportivos para atletas portadores de deficiência iniciaram--se em 1960 na cidade de Roma começando, a partir daí, a realizar-se no mesmo local dos Jogos Olímpicos. Já em 1948, Sir Ludwig Guttmann organizou uma competição desportiva para Veteranos da II Guerra Mundial com lesões na coluna. Apenas em 1968 no México e 1980 em Moscovo, devido a boicotes políticos, problemas logísticos e falta de vontade dos países organizadores, os Jogos Paralímpicos não acompanharam os Jogos Olímpicos.

O número de atletas envolvidos nos Jogos tem vindo sempre a aumentar. De 400 em Roma, 3195 em Atlanta e mais de 4000 em Sidney. No que toca às modalidades náuticas, a Vela iniciou a sua participação na Austrália e o Remo conseguiu pertencer ao Movimento apenas a partir de Pequim.

Durante o ano de 2001, a Federação Internacional de Remo   (FISA) requereu, formalmente, ao Comité Paralímpico Internacional (IPC), a inclusão do remo nos Jogos Paralímpicos de 2005.

No entanto tornava-se necessário realizar dois Campeonatos Mundiais de Remo adaptado, até ao ano 2005, e atingir a meta de 24 nações participantes nas Regatas de Remo adaptado no Campeonato do Mundo de 2004. No Campeonato Mundial de Remo de 2002, sete tripulações de diferentes nações estiveram em competição. Ainda em 2002 foi assinado o Protocolo de Remo Adaptado de Sevilha, onde a FISA e 36 das suas filiadas (Federações Nacionais de Remo) se comprometeram a desenvolver oportunidades para atletas portadores de deficiência poderem remar e a inscrever tripulações formadas por atletas com deficiência no Mundial de 2004.

O Remo entrou para o programa Paralímpico em 2005, e os Jogos Paralímpicos de Pequim foram a estreia nas Paralimpíadas. O termo "adaptado" quer dizer que o equipamento é modificado para a prática do desporto e não propriamente "adaptado" a cada atleta. A Federação Internacional de Remo (FISA) é o órgão máximo do Remo mundial. As corridas são realizadas num percurso de 1000 metros para todas as classes. Em Portugal, a modalidade é dirigida pela Federação Portuguesa do Remo(FPR), fundada em 1920.

A presença do desporto do Remo nas Olimpíadas deve-se a um excelente trabalho de José Nunes, treinador de Remo e funcionário da Federação Portuguesa do Remo que, contra todas as expectativas, foi eleito Presidente da Comissão de Remo Adaptado da FISA e desenvolveu um esforço hercúleo para conseguir que um grande número de países apoiasse e desenvolvesse a prática de remo adaptado no seu seio, com o intuito de conseguir uma representação mínima em Pequim.

O Remo adaptado foi introduzido em Portugal na década de 80 com o inicio da utilização do Ergómetro (aparelho que simula a remada em terra), quando a Associação Naval de Lisboa um clube fundado em 1855, o mais antigo da Europa Continental, assinou diversos protocolos com algumas Associações de apoio a cidadãos com deficiência. A partir daí foi-se universalizando a sua prática em Portugal e abrangendo cada vez mais pessoas com problemas de saúde, nos ginásios ou até mesmo como inclusão social nas prisões.  

Para alguém que se sinta descriminado e, ou mesmo, inferior poder desenvolver a prática desportiva e, ao mesmo tempo, fazer parte de uma tripulação/equipa é fundamental. O Remo tem-se mostrado uma excelente ferramenta de inclusão social, ainda por cima se houver contacto com outros atletas sem deficiência e em pleno contacto com a Natureza. O desporto do Remo é um dos poucos desportos onde atletas portadores de deficiência não necessitam de grandes adaptações para remar o que permite que eles pratiquem remo junto com pessoas sem deficiência. O facto de praticarem o desporto no mesmo local, com os mesmos equipamentos que as equipas convencionais, forma o mesmo sentimento para com o clube e espera-se deles o mesmo retorno de paixão e compromisso.

É no Remo que as provas para cidadãos com deficiência se realizam juntamente com o Remo para o cidadão convencional. Este desafio da Federação Internacional é um grande passo que o desporto tem dado com o objectivo da inclusão. Com as provas de remo adaptado exclusivas para pessoas com deficiência, talvez apenas assistissem os próprios atletas e os seus familiares enquanto que nas actuais condições existem condições iguais para cidadãos com e sem deficiência. Na água há maior liberdade do que nas ruas, sem automóveis, buracos, postes, descidas, subidas ou outros obstáculos.

Pode-se remar com ou sem pernas, com tronco e braços ou só com os braços, remar depressa ou devagar pouco ou em grandes distâncias e o facto de se remar sentado torna-o um desporto adaptável. Podem remar pessoas com lesões musculares, paralisia cerebral, amputadas, deficiência visual ou intelectual, com 8 ou 80 anos. É um desporto para todos.

Categorias de Remo adaptado:

São quatro categorias de competição: Skiff Masculino, Skiff Feminino, Double-Skull Misto, Shell de Quatro com timoneiro Misto. Cada uma delas pode ser composta por atletas com diferentes tipos de deficiências que são classificados de acordo com a capacidade funcional empregada:

A – Agrupamento funcional utilizado: braço.

TA – Agrupamento funcional utilizado: tronco e braço.

LTA – Agrupamento funcional utilizado: perna, tronco e braço










 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

História do Remo Indoor

 Remo Indoor - Sua História


Chabrias, um almirante Ateniense do século IV a.C., introduziu as primeiras máquinas de remo como dispositivos de treino militar suplementares. "Para treinar remadores inexperientes, Chabrias construiu aparelhos de remo de madeira em terra onde os principiantes podiam aprender a técnica algum tempo antes de embarcarem no navio.

A primeira máquina de remo indoor da história moderna foi inventada por um dos homens mais fortes do mundo em 1872, William Buckingham Curtis que patenteou a sua máquina de remo com amortecedor hidráulico. O que tornava a máquina única era o seu sistema de volante e catraca, contudo muito antes, em Atenas no século IV a.C. há indícios de treino de Remo em terra.

Entre cerca de 1900 e meados do século XX, a Companhia de Máquinas Narragansett em Providence, Rhode Island começou a produzir máquinas de Remo Indoor que eram resistentes e fiáveis. Estes aparelhos começaram a ser usados nos campus universitários, onde as equipas de remo os utilizavam para o treino fora da temporada de provas.

Mas foi a partir da era das Olimpíadas modernas que as máquinas de remo indoor se desenvolveram, principalmente devido ao aparecimento de um maior número de competições, de clubes e universidades a participar em provas e também muito por culpa do clima invernal.

Quem teve a oportunidade de remar numa Gjessing, máquina norueguesa criada por Nilson Gjessing,em 1970 tem fortes recordações. O remo ergómetro Gjessing, possuía roldanas, cabos, pêndulos, cintas ajustáveis para controle da resistência.

Desde os anos 80 do século passado até agora apareceram vários fabricantes de máquinas de remo indoor, Biorower, Nordic Track Rower, Hydrow Connected Rower, Velocity Exercise Magnetic Rower, Water Rower, RP3, no entanto o mais conhecido e mais utilizado é o Concept2.

Os irmãos Peter e Dick Dreissigacker, além de serem os criadores do Remo Indoor Concept2, fabricaram também os primeiros remos em fibra de carbono para disputarem as provas de acesso à seleção americana de 1976. Embora não se tenham qualificado para as Olimpíadas, eles continuaram a fabricar os remos e em 1981, usando a roda de uma antiga bicicleta, criaram um aparelho de remo indoor utilizando a resistência do ar. Tendo como objetivo principal o de atender às suas necessidades de treino e de outros remadores que ficavam sem remar no inverno quando os rios e os lagos congelam, o aparelho de remo indoor tornou- se um ótimo instrumento para desenvolvimento da sua capacidade aeróbia.

 

Sendo muito eficaz quanto ao treino cardiovascular, à perda de peso e ao treino em circuito, entre outros, o Concept2 a partir de 1988 tem vindo a evoluir na área mecânica quanto ao tamanho, peso, acessibilidade, sistemas de resistência ao ar, escalas de resistência, como também na área tecnológica, com os seus novos visores, conectores, programas e sensores e também a sua adaptabilidade.






























sexta-feira, 22 de abril de 2022

História do Remo de Mar - Coastal Rowing

 Remo Costeiro: a evolução do remo tradicional

Remo Mar: uma nova maneira de remar

O Remo de Mar é um desporto relativamente recente com um rápido crescimento que se espalhou rapidamente por todo o mundo, podendo ter a sua estreia nos próximos Jogos Olímpicos de Paris em 2024.

O remo costeiro moderno teve seu início na década de 1970, com o desenvolvimento da Alden Ocean Shell. Inicialmente planeado para ser um projeto de casco mais estável e eficiente para remo recreativo, eventualmente os proprietários de Alden começaram a competir com seus cascos em pequenos eventos e até mesmo na Head of the Charles. 

É por isso que o arquiteto naval Arthur E. Martin é conhecido como o pai do remo recreativo. Depois de muitos ajustes nos designs, em 1970 ele começou a produzir a Alden Ocean Shell, uma embarcação de remo individual em fibra de vidro para usar em mar aberto, com assento deslizante e remos com cerca de três metros. Durante vários anos os cascos foram produzidos pela Martin Marine Company (mais tarde renomeada Alden Rowing Shells) em Kittery Point, Maine.

As embarcações Alden Ocean preencheram a lacuna entre os Shell de corrida competitivos e os barcos de assento fixo em condições de navegar. Estes barcos exclusivos além de ter carrinho são cascos estreitos, mas estáveis, graciosas linhas alargadas que os colocam acima das ondas de mar aberto com falcas curvas que impedem a entrada da maior parte das ondas.

Martin decidiu ensinar a remar ao cidadão comum e afirmou então que a sua '' aula de 10 minutos e 75 centavos de preço '' é tudo o que a maioria das pessoas precisa para se sentir confortável numa embarcação recreativa.

Na época, a Martin Marine era a única empresa de naval que se dedicava exclusivamente a fazer barcos recreativos com carrinho móvel. Neste momento até as grandes marcas de competição olímpica fabricam estas embarcações.

O que agora chamamos remo de mar surgiu em França no final dos anos oitenta a partir de uma ideia do navegador dos oceanos Gerard D’Aboville. Foi então desenvolvido por uma comissão técnica que incluiu o monegasco Jannot Antognelli e o Marselhês Denis Masseglia, membro da Federação Internacional de Remo (FISA) desde 1992.

A ideia original era substituir o Yole de Mer de madeira, que são uns barcos um pouco mais estreitos típicos do remo em águas mais revoltas, por barcos capazes de suportar um mar agitado pelas ondas e pelo vento. Assim nasceu o novo Yole de Mer em fibra, com um, dois e quatro remadores e um timoneiro, que começou a surgir na costa sul da França e logo depois na costa atlântica, mediterrânica e nas colônias francesas ultramarinas.

Esta versão extrema do remo, que privilegia mais a relação entre os praticantes e a natureza, pratica-se no mar, praias ou em grandes lagos caracterizados por terem muito vento ou também pelo movimento das ondas. É muito diferente do remo tradicional, onde a água é parada e os cursos são protegidos. Praticar Remo de Mar significa remar em águas agitadas e em condições muitas vezes difíceis. Portanto, é essencial ter um bom conhecimento da técnica do remo para poder enfrentar o trajeto da corrida.

São usados cascos mais largos com uma popa desnivelada para permitir que a água flua para fora do barco. Geralmente ocorre em águas abertas e não se esquiva das ondas e do vento. É a versão extrema do remo e perfeita para os aventureiros que gostam da emoção das condições desconhecidas, do remo e das belas paisagens costeiras. É uma das comunidades de remadores com um crescimento mais rápido e é particularmente acessível a remadores baseados em locais onde a água plana não está próxima. O remo costeiro é mais fácil de aprender do que o remo em águas planas, devido em parte à estabilidade e robustez dos barcos, que difere muito dos barcos de estilo olímpico. Para se tornar um bom remador costeiro, as tripulações devem estar atentas às marés e correntes, conhecer a topografia do percurso e saber o que fazer num meio com tráfego marítimo e em caso de mau tempo.

O remo costeiro pode ser encontrado em todos os cantos do mundo, incluindo as Maldivas, muitas partes da África, as costas da América do Norte e do Sul e, mais tradicionalmente, na Europa. Barcos a remo costeiros também são usados no interior em alguns lagos e rios onde a água tende a não ser muito plana.

Realiza-se um campeonato mundial costeiro desde 2007 e há uma proposta em consideração para adicionar um evento costeiro de exibição nas próximas Olimpíadas.

Na competição Mundial de Remo, ocorrem duas formas de competição de Remo Costeiro:

A competição de resistência que neste formato vê as equipes remando em regatas de 4 a 6 quilômetros em torno de vários pontos de viragem marcada por boias. É um desafio de resistência, habilidade, navegação e adaptabilidade às condições variáveis de uma distância maior, o percurso é localizado em mar aberto e com a largada / chegada na água ou na praia.

No World Rowing Beach Sprint Finals, o formato é na praia: Beach Sprint é um estilo de corrida de eliminação frente a frente, com um sprint curto ao longo da praia, uma prova de 250m com uma curva de 180 graus numa boia antes de remar de volta à praia e correr até a linha de chegada. As competições são estruturadas de tal forma que os atletas que progridem mais são obrigados a competir várias vezes dentro de um curto período de tempo. Esta disciplina de remo testa no atleta o seu poder e força, bem como habilidades de navegação costeira e o desempenho sob fadiga.

Existem atualmente sete classes de barcos para homens e mulheres: single scull, double-skull, quadriskull com timoneiro e um double skull misto.

Começou com a FICSF (Federação Italiana de Remo de Assento Fixo) a organizar a primeira regata internacional em Itália, em Noli, no oeste da Ligúria, depois, em 2006, aconteceu o primeiro Campeonato Italiano de Remo Costeiro, organizado por Canottieri Sanremo, combinado com uma regata internacional aberta a todos tripulações estrangeiras. O evento também se repetiu em 2007 e foi considerado então como o I Campeonato Mundial - FISA Coastal Rowing World Championship .

Depois. em 2008 a FISA World Rowing Coastal Rowing Championship disputou-se em Sanremo com 485 atletas, 171 equipes e 110 empresas representando 16 nações (Croácia, Chipre, Dinamarca, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Mónaco, Novo Zelândia, Polónia, Espanha, Suécia, Suíça e Estados Unidos).

Desde aí esta modalidade tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos e tivemos em Portugal, o ano passado o Campeonato do Mundo que se desenrolou em Oeiras. 

















quarta-feira, 2 de junho de 2021

  

 Nos anos quarenta organizaram-se várias e diferentes provas destacando em 1944 o I Campeonato de Remo para empregados das Companhias de Seguros, Torneios da Mocidade, o Campeonato Peninsular em 42,43 e 45, e um Campeonato Nacional Universitário em 1945. Em 1947 a FPR organizou a 1ª Conferência Nacional de Remo e publicou um anuário.

 No ano de 1948 Portugal inicia a sua participação nos Jogos Olímpicos. Em 1952,1960,1972,1992,1996 e recentemente em 2008 e 2012 volta a marcar presença no evento.