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APRESENTAÇÃO SLIDE 4
O remo é um dos desportos olímpicos mais antigos e tradicionais,
mas a trajetória feminina na modalidade é marcada por uma transição fascinante:
de uma atividade considerada "imprópria" para a saúde da mulher a um
símbolo de força e igualdade técnica.
O remo, historicamente associado à disciplina militar e à
elite académica masculina de Oxford, Cambridge, demorou a abrir suas águas para
as mulheres. Foi preciso esperar praticamente um século até que a competição de
remo entre Oxford e Cambridge incluísse a vertente feminina.
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Foi em 1927 que se deu a primeira prova, pondo frente a
frente clube naval de Oxford e o clube naval da universidade de Newnham, em
Cambridge. Durante décadas, a participação feminina foi cerceada por
preconceitos médicos e sociais que ditavam que o esforço extremo do desporto
prejudicaria a fertilidade e a "delicadeza" feminina. Contudo, a
história do remo feminino é uma narrativa de resistência, provando que a
técnica e a resistência física não possuem género.
O Remo de competição regulamentado existe desde 1715 com a
disputa da Doggett´s Coat and Badge para comemorar a subida ao trono de George
I.
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Em Portugal temos notícias da sua prática desde 1828 com a
formação do Arrow Club.
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O Remo feminino existe também desde tempos imemoriais, há
uma foto do Codex Maness de 1310 com mulheres a remar, uma ilustração das
regatas femininas em Veneza em 1441 e em 1610, de uma pintura de 1784 e de uma
regata de double em 1871. Na Suécia há ilustrações de Remo Feminino desde o
século XV.
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Em Portugal descobri recentemente que em 1862 as Maganas,
padeiras de Avintes participavam já nas regatas de Leixões, apesar de que só
nos campeonatos nacionais de fundo de 1968 é que houve a presença de uma
tripulação feminina no nosso País.
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O Papel e a História da Mulher no Remo de Competição
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No século XIX a dança começou por ser a único modo da mulher
desenvolver alguma actividade física, sendo considerada um ser frágil devia
haver uma supremacia das faculdades afectivas sobre as intelectuais e uma sujeição da sexualidade a uma vocação
maternal, por tudo isto a mulher no desporto está aliada à luta contra a
discriminação e na base da conquista social. Nos anos 1800 a participação da
mulher nas provas desportivas era vista como um divertimento, enfatizando-se a
sua beleza e postura corporal mas não se dava importância à força, agilidade e
destreza das atletas. As mulheres começaram a remar em clubes isolados, mas as
competições eram raras. Muitas vezes, as regatas femininas eram julgadas pelo
estilo e elegância, e não pela velocidade. O foco estava na postura e na
harmonia dos movimentos, refletindo a visão da época de que a competição direta
era "bruta" demais para o sexo feminino.
As mulheres também já participavam nos Jogos Ingleses a
partir de 1770 onde competiram nas provas de boccia e de arco e flecha mas só
nos Jogos Olímpicos de 2012 é que existiram praticantes femininos em todas as
modalidades olímpicas, e nos Jogos de Paris 2024 foram os primeiros da história
a atingir a paridade total (50% homens, 50% mulheres), revertendo completamente
o legado de exclusão do seu fundador.!
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Para o Barão Pierre
de Coubertin “Uma Olimpíada com mulheres seria impraticável, desinteressante,
inestética e imprópria” e continua “O
único herói Olímpico real é o homem adulto individual. Por isso, nada de
mulheres ou desportos de equipa” ou ainda “pessoalmente, não aprovo a participação de mulheres em competições
públicas, o que não significa que se devam abster de praticar um grande número
de desportos, com a condição de não ser um espectáculo. O seu papel nos jogos
olímpicos deveria ser, essencialmente, como nos antigos torneios, coroar os
vencedores”. Dizia!
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Alice Milliat: A Mulher que Dobrou o COI
Alice Milliat era uma tradutora e remadora francesa. Ao ver
os seus pedidos de inclusão de mulheres serem repetidamente negados por
Coubertin, ela decidiu passar à ofensiva começou por:
1.
Fundação da FSFI (1921): Criou a Federação
Desportiva Feminina Internacional para organizar as mulheres fora da alçada do
COI.
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2. Os Jogos
Olímpicos Femininos (1922): Milliat organizou a primeira edição em Paris. O
sucesso foi tão estrondoso (milhares de espectadores e recordes quebrados) que
o COI ficou alarmado.
3. A
"Guerra" do Nome: Coubertin e o COI processaram Milliat pelo uso do
termo "Olímpicos". Ela cedeu e mudou o nome para Jogos Mundiais
Femininos, mas continuou a realizá-los a cada quatro anos (1926, 1930, 1934).
4. A Rendição
de Coubertin: O sucesso comercial e popular dos jogos de Milliat era tão grande
que o COI percebeu que, se não integrasse as mulheres, os Jogos Olímpicos
"masculinos" ficariam obsoletos. Em 1928 (Amesterdão), o atletismo
feminino foi finalmente admitido, embora de forma limitada.
O Legado Final
Coubertin retirou-se da presidência do COI em 1925, ainda
amargurado com a "feminização" dos Jogos. Milliat, por outro lado,
embora tenha morrido em relativo anonimato em 1957, venceu a guerra cultural.
Sem a sua insistência e a sua coragem de desafiar o status
quo conservador da época, é provável que o remo e o desporto feminino, em
geral tivessem demorado mais décadas a serem praticados.
A Quebra de Barreiras e o Reconhecimento Olímpico
Curiosidade Final
Em Paris 2024, no centenário da última Olimpíada de
Coubertin em Paris, o governo francês e o comité organizador fizeram questão de
homenagear Alice Milliat, dando o seu nome a arenas e espaços públicos,
corrigindo um esquecimento histórico de quase um século.
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O ponto de inflexão ocorreu na metade do século XX. A
fundação de associações independentes e o aumento da pressão por igualdade no
desporto levaram a marcos decisivos no Remo:
• 1954: O
primeiro Campeonato Europeu Feminino foi realizado, marcando o início das
competições internacionais de alto nível.
• 1974: Mundiais de femininos absolutos
• 1976
(Montreal): O remo feminino finalmente estreou nos Jogos Olímpicos. No entanto,
as distâncias eram diferentes: as mulheres remavam 1000 metros, enquanto os
homens remavam 2000 metros. Essa disparidade só foi corrigida em 1988, Seul quando
as distâncias foram equalizadas. As atletas organizaram-se através de
relatórios médicos e protestos técnicos, provando que o seu treino era idêntico
ao masculino, depois só em
• 1985 Mundiais
Femininos PL
Conclusão
A história da mulher no remo é a transição do "remar
por lazer" para o "remar por glória". Superando as barreiras do
amadorismo forçado e das limitações físicas impostas pela sociedade, as
remadoras conquistaram o direito de competir nos mesmos termos que os homens. O
remo de competição hoje não é apenas um desporto para mulheres, mas um palco
onde a resiliência feminina é celebrada em cada remada.
1. A Estratégia dos Clubes Independentes
Como os clubes tradicionais de remo (muitos ligados a
universidades ou marinhas) proibiam a entrada de mulheres, elas fundaram os
seus próprios espaços.
• O Ace
Ladies Rowing Club, na Grã-Bretanha, e outros clubes femininos na França e na
Alemanha, tornaram-se "incubadoras" de atletas.
• Elas não
esperaram por permissão; organizaram as suas próprias regatas e criaram
federações nacionais exclusivamente femininas para gerir o desporto fora da
alçada dos homens.
2. A Tática da "Excelência Técnica"
Para combater o argumento de Coubertin de que o remo
feminino era "inestético", as remadoras focaram obsessivamente na
técnica de remada.
• Elas
convidaram juízes internacionais para observar as suas provas e provar que eram
tão técnicas quanto os homens.
• Isso
forçou a FISA (Federação Internacional de Sociedades de Remo) a reconhecer
oficialmente as competições femininas em 1954, muito antes de o COI permitir a
sua entrada nas Olimpíadas.
3. A Aliança com os Países de Leste
Um fator político inesperado ajudou a organização feminina:
a Guerra Fria.
• Países
como a União Soviética, a Alemanha Oriental e a Roménia viram no remo feminino
uma oportunidade de ganhar medalhas e demonstrar superioridade ideológica.
- Estes
países profissionalizaram o remo feminino, investindo em ciência
desportiva e treino de elite. A pressão desses blocos políticos forçou o
COI a incluir o remo feminino em Montreal 1976, pois as potências
comunistas queriam somar esses pontos no quadro de medalhas.
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Só que na minha opinião a história do remo feminino de alta
performance tem um nome dominante: Roménia. Nas últimas décadas, o país
estabeleceu uma hegemonia impressionante, produzindo as atletas mais
condecoradas da modalidade.
Apresento aqui as remadoras que mais acumularam medalhas em
Jogos Olímpicos, que é o padrão ouro para medir o sucesso no desporto.
As Maiores Medalhistas Olímpicas
|
Atleta |
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
Total |
|
Elisabeta Lipă |
Roménia |
5 |
2 |
1 |
8 |
|
Georgeta Damian |
Roménia |
5 |
0 |
1 |
6 |
|
Doina Ignat |
Roménia |
4 |
1 |
1 |
6 |
|
Kathrin Boron |
Alemanha |
4 |
0 |
1 |
5 |
|
Viorica Susanu |
Roménia |
4 |
0 |
1 |
5 |
|
Katherine Grainger |
Grã-Bretanha |
1 |
4 |
0 |
5 |
Destaques Individuais
1. Elisabeta Lipă (A Lenda)
É considerada por muitos a maior remadora de todos os
tempos. O seu feito é extraordinário não apenas pela quantidade, mas pela longevidade:
ela conquistou a sua primeira medalha de ouro em Los Angeles 1984 e a última em
Atenas 2004. Ganhou medalhas em barcos diferentes, desde o skiff simples
(individual) até ao oito feminino (coletivo).
Ao todo ele ganhou oito medalhas Olimpicas, sendo
cinco de ouro, duas de prata e uma de bronze. Para isso, ela disputou seis
Olimpíadas consecutivas, de 1984 até 2004, garantindo medalhas em
todas elas.
2. Georgeta Damian
Dominou o início dos anos 2000. Ela é famosa pela sua
parceria com Viorica Susanu no "dois sem" (coxless pair) e por ser
peça fundamental no barco de oito da Roménia que foi imbatível por várias
edições olímpicas.
3.Doina Ignat
Mais uma remadora romena, que conquistou seis medalhas
olímpicas durante sua carreira.
4. Kathrin Boron
Representando a potente escola alemã, Boron é um exemplo de
consistência técnica no sculling (remo de parelhos). Ela conquistou as
suas quatro medalhas de ouro em quatro Olimpíadas consecutivas (1992 a 2004),
sempre em barcos de classe mundial.
5. Katherine Grainger
A remadora mais titulada da Grã-Bretanha. A sua história é
de resiliência: após conquistar três pratas consecutivas (2000, 2004, 2008),
ela finalmente alcançou o ouro em casa, nos Jogos de Londres 2012. Em 2016, no
Rio, somou mais uma prata, tornando-se a primeira mulher britânica a ganhar
medalhas em cinco edições diferentes dos Jogos.
Ekaterina Anatolyevna Khodotovich-Karsten (em bielorrusso: Кацярына Анатолеўна Хадатовіч-Карстэн; Minsk, 2 de junho de 1972) é uma remadora bielorrussa,
bicampeã olímpica e hexacampeã mundial no skiff.
Carreira
Karsten competiu nos Jogos Olímpicos de 1992, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016.[1]
obteve duas medalhas
de ouro (1996 e 2000), uma de prata (2004)
e uma bronze (2008) nas Olimpíadas seguintes, sempre no skiff simples.[2] Em
sua sétima Olimpíada, no Rio de Janeiro, competiu aos 44 anos e ficou em
segundo lugar na final B, finalizando em oitavo no geral.
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A conquista, em 1990, da primeira medalha na Taça das Nações
com uma tripulação feminina em double-skull. No ano seguinte, novamente uma
tripulação feminina conquista mais uma medalha na Taça das Nações, uma medalha
nas regatas internacionais de Lucerna e atinge a final A no Campeonato do Mundo,
o denominador comum é Conceição Batista que teve estes resultados com a Heloísa
Luz e com a Luciana Alçada.
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Sobre as atletas que tive a honra de treinar pretendia
destacar a remadora Cristina Roque Lino que para mim foi a melhor atleta que treinei.
Queria sublinhar entre as várias vitórias desta atleta a medalha de Prata que
venceu nas Regatas Internacionais de Macon de 1990 prova durante a qual tive o
privilégio de a acompanhar como treinador. Participou ainda no ano seguinte no
Campeonato do Mundo Júnior em Banyoles, Espanha. Com uma grande formação
pessoal e desportiva não desmereceu quando, ainda muito jovem, foi
desclassificada num Campeonato Nacional depois de vencer destacada a prova,
devido a duas colegas numa embarcação terem gritado palavras de incentivo… eram
as regras da altura, muito injustas. Apesar disso não desistiu e destacou-se
representando sempre muito bem o clube e a selecção nacional.
Para terem uma noção em 1992 na secção de Remo da ANL dos 75 atletas que
representaram o Clube nos vários escalões apenas três eram femininos ( uma
sénior, uma júnior e uma infantil). Ainda como treinador da Associação Naval de
Lisboa quero realçar no I Campeonato Nacional de Ergómetro, em
1993, a participação das atletas presentes na prova e que se
destacaram, nomeadamente a Filipa Cabaça e a Elsa Rodrigues. Ainda nesse ano a
Filipa subiu ao pódio no Campeonato Nacional de Fundo em Crestuma. No ano de
1995 mais duas pupilas minhas, a Inês e a Ana Margarida, representaram
condignamente o clube e subiram ao pódio no Campeonato Nacional de Velocidade
Shell.
Queria também lembrar a remadora Raquel Franca que além de
atleta da ANL foi a primeira mulher a exercer como árbitro de Remo, actuando
como Juíza em várias regatas do nosso Calendário de Provas.
No CNL destaco a Raquel e Carmo que venceram o double skull
e ficaram segundo lugar no Dois sem timoneiro e no Quadri Skull.
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Merece também destaque a carreira da Filomena Franco
vencedora de uma medalha de Bronze nos Mundiais e a participação nos Jogos
Paralímpicos de Londres em 2012,onde eu estive presente como responsável do
Remo Paralímpico Português, como Vice-Presidente do Comité.
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Para finalizar destaco a atleta Patrícia Batista Campeã
Europeia de Remo de mar 2025
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