segunda-feira, 9 de março de 2026

A Mulher na História do Remo

 

SLIDE 1

SLIDE 2

SLIDE 3

APRESENTAÇÃO SLIDE 4

O remo é um dos desportos olímpicos mais antigos e tradicionais, mas a trajetória feminina na modalidade é marcada por uma transição fascinante: de uma atividade considerada "imprópria" para a saúde da mulher a um símbolo de força e igualdade técnica.

O remo, historicamente associado à disciplina militar e à elite académica masculina de Oxford, Cambridge, demorou a abrir suas águas para as mulheres. Foi preciso esperar praticamente um século até que a competição de remo entre Oxford e Cambridge incluísse a vertente feminina.

SLIDE 5

Foi em 1927 que se deu a primeira prova, pondo frente a frente clube naval de Oxford e o clube naval da universidade de Newnham, em Cambridge. Durante décadas, a participação feminina foi cerceada por preconceitos médicos e sociais que ditavam que o esforço extremo do desporto prejudicaria a fertilidade e a "delicadeza" feminina. Contudo, a história do remo feminino é uma narrativa de resistência, provando que a técnica e a resistência física não possuem género.

O Remo de competição regulamentado existe desde 1715 com a disputa da Doggett´s Coat and Badge para comemorar a subida ao trono de George I.

SLIDE 6

 

Em Portugal temos notícias da sua prática desde 1828 com a formação do Arrow Club.

SLIDE 7

 

O Remo feminino existe também desde tempos imemoriais, há uma foto do Codex Maness de 1310 com mulheres a remar, uma ilustração das regatas femininas em Veneza em 1441 e em 1610, de uma pintura de 1784 e de uma regata de double em 1871. Na Suécia há ilustrações de Remo Feminino desde o século XV.

 

SLIDE 8 , 9

 

Em Portugal descobri recentemente que em 1862 as Maganas, padeiras de Avintes participavam já nas regatas de Leixões, apesar de que só nos campeonatos nacionais de fundo de 1968 é que houve a presença de uma tripulação feminina no nosso País.

SLIDE 10

O Papel e a História da Mulher no Remo de Competição

 

SLIDE 11

 

No século XIX a dança começou por ser a único modo da mulher desenvolver alguma actividade física, sendo considerada um ser frágil devia haver uma supremacia das faculdades afectivas sobre as intelectuais  e uma sujeição da sexualidade a uma vocação maternal, por tudo isto a mulher no desporto está aliada à luta contra a discriminação e na base da conquista social. Nos anos 1800 a participação da mulher nas provas desportivas era vista como um divertimento, enfatizando-se a sua beleza e postura corporal mas não se dava importância à força, agilidade e destreza das atletas. As mulheres começaram a remar em clubes isolados, mas as competições eram raras. Muitas vezes, as regatas femininas eram julgadas pelo estilo e elegância, e não pela velocidade. O foco estava na postura e na harmonia dos movimentos, refletindo a visão da época de que a competição direta era "bruta" demais para o sexo feminino.

As mulheres também já participavam nos Jogos Ingleses a partir de 1770 onde competiram nas provas de boccia e de arco e flecha mas só nos Jogos Olímpicos de 2012 é que existiram praticantes femininos em todas as modalidades olímpicas, e nos Jogos de Paris 2024 foram os primeiros da história a atingir a paridade total (50% homens, 50% mulheres), revertendo completamente o legado de exclusão do seu fundador.!

SLIDE 12

 

 Para o Barão Pierre de Coubertin “Uma Olimpíada com mulheres seria impraticável, desinteressante, inestética e imprópria” e continua  “O único herói Olímpico real é o homem adulto individual. Por isso, nada de mulheres ou desportos de equipa” ou ainda “pessoalmente, não aprovo  a participação de mulheres em competições públicas, o que não significa que se devam abster de praticar um grande número de desportos, com a condição de não ser um espectáculo. O seu papel nos jogos olímpicos deveria ser, essencialmente, como nos antigos torneios, coroar os vencedores”. Dizia!

 

SLIDE 13

 

Alice Milliat: A Mulher que Dobrou o COI

Alice Milliat era uma tradutora e remadora francesa. Ao ver os seus pedidos de inclusão de mulheres serem repetidamente negados por Coubertin, ela decidiu passar à ofensiva começou por:

1.                 Fundação da FSFI (1921): Criou a Federação Desportiva Feminina Internacional para organizar as mulheres fora da alçada do COI.

SLIDE 14

2.           Os Jogos Olímpicos Femininos (1922): Milliat organizou a primeira edição em Paris. O sucesso foi tão estrondoso (milhares de espectadores e recordes quebrados) que o COI ficou alarmado.

3.           A "Guerra" do Nome: Coubertin e o COI processaram Milliat pelo uso do termo "Olímpicos". Ela cedeu e mudou o nome para Jogos Mundiais Femininos, mas continuou a realizá-los a cada quatro anos (1926, 1930, 1934).

4.           A Rendição de Coubertin: O sucesso comercial e popular dos jogos de Milliat era tão grande que o COI percebeu que, se não integrasse as mulheres, os Jogos Olímpicos "masculinos" ficariam obsoletos. Em 1928 (Amesterdão), o atletismo feminino foi finalmente admitido, embora de forma limitada.

 

O Legado Final

Coubertin retirou-se da presidência do COI em 1925, ainda amargurado com a "feminização" dos Jogos. Milliat, por outro lado, embora tenha morrido em relativo anonimato em 1957, venceu a guerra cultural.

Sem a sua insistência e a sua coragem de desafiar o status quo conservador da época, é provável que o remo e o desporto feminino, em geral tivessem demorado mais décadas a serem praticados.

A Quebra de Barreiras e o Reconhecimento Olímpico

Curiosidade Final

Em Paris 2024, no centenário da última Olimpíada de Coubertin em Paris, o governo francês e o comité organizador fizeram questão de homenagear Alice Milliat, dando o seu nome a arenas e espaços públicos, corrigindo um esquecimento histórico de quase um século.

 

SLIDE 15

 

O ponto de inflexão ocorreu na metade do século XX. A fundação de associações independentes e o aumento da pressão por igualdade no desporto levaram a marcos decisivos no Remo:

             1954: O primeiro Campeonato Europeu Feminino foi realizado, marcando o início das competições internacionais de alto nível.

             1974:  Mundiais de femininos absolutos

             1976 (Montreal): O remo feminino finalmente estreou nos Jogos Olímpicos. No entanto, as distâncias eram diferentes: as mulheres remavam 1000 metros, enquanto os homens remavam 2000 metros. Essa disparidade só foi corrigida em 1988, Seul quando as distâncias foram equalizadas. As atletas organizaram-se através de relatórios médicos e protestos técnicos, provando que o seu treino era idêntico ao masculino, depois só em

 

             1985 Mundiais Femininos PL

 

Conclusão

A história da mulher no remo é a transição do "remar por lazer" para o "remar por glória". Superando as barreiras do amadorismo forçado e das limitações físicas impostas pela sociedade, as remadoras conquistaram o direito de competir nos mesmos termos que os homens. O remo de competição hoje não é apenas um desporto para mulheres, mas um palco onde a resiliência feminina é celebrada em cada remada.

 

1. A Estratégia dos Clubes Independentes

Como os clubes tradicionais de remo (muitos ligados a universidades ou marinhas) proibiam a entrada de mulheres, elas fundaram os seus próprios espaços.

             O Ace Ladies Rowing Club, na Grã-Bretanha, e outros clubes femininos na França e na Alemanha, tornaram-se "incubadoras" de atletas.

             Elas não esperaram por permissão; organizaram as suas próprias regatas e criaram federações nacionais exclusivamente femininas para gerir o desporto fora da alçada dos homens.

2. A Tática da "Excelência Técnica"

Para combater o argumento de Coubertin de que o remo feminino era "inestético", as remadoras focaram obsessivamente na técnica de remada.

             Elas convidaram juízes internacionais para observar as suas provas e provar que eram tão técnicas quanto os homens.

             Isso forçou a FISA (Federação Internacional de Sociedades de Remo) a reconhecer oficialmente as competições femininas em 1954, muito antes de o COI permitir a sua entrada nas Olimpíadas.

3. A Aliança com os Países de Leste

Um fator político inesperado ajudou a organização feminina: a Guerra Fria.

             Países como a União Soviética, a Alemanha Oriental e a Roménia viram no remo feminino uma oportunidade de ganhar medalhas e demonstrar superioridade ideológica.

  • Estes países profissionalizaram o remo feminino, investindo em ciência desportiva e treino de elite. A pressão desses blocos políticos forçou o COI a incluir o remo feminino em Montreal 1976, pois as potências comunistas queriam somar esses pontos no quadro de medalhas.

SLIDE 16

 

Só que na minha opinião a história do remo feminino de alta performance tem um nome dominante: Roménia. Nas últimas décadas, o país estabeleceu uma hegemonia impressionante, produzindo as atletas mais condecoradas da modalidade.

Apresento aqui as remadoras que mais acumularam medalhas em Jogos Olímpicos, que é o padrão ouro para medir o sucesso no desporto.


As Maiores Medalhistas Olímpicas

Atleta

País

Ouro

Prata

Bronze

Total

Elisabeta Lipă

Roménia

5

2

1

8

Georgeta Damian

Roménia

5

0

1

6

Doina Ignat

Roménia

4

1

1

6

Kathrin Boron

Alemanha

4

0

1

5

Viorica Susanu

Roménia

4

0

1

5

Katherine Grainger

Grã-Bretanha

1

4

0

5

 

Destaques Individuais

1. Elisabeta Lipă (A Lenda)

É considerada por muitos a maior remadora de todos os tempos. O seu feito é extraordinário não apenas pela quantidade, mas pela longevidade: ela conquistou a sua primeira medalha de ouro em Los Angeles 1984 e a última em Atenas 2004. Ganhou medalhas em barcos diferentes, desde o skiff simples (individual) até ao oito feminino (coletivo).

Ao todo ele ganhou oito medalhas Olimpicas, sendo cinco de ouro, duas de prata e uma de bronze. Para isso, ela disputou seis Olimpíadas consecutivas, de 1984 até 2004, garantindo medalhas em todas elas.

 

2. Georgeta Damian

Dominou o início dos anos 2000. Ela é famosa pela sua parceria com Viorica Susanu no "dois sem" (coxless pair) e por ser peça fundamental no barco de oito da Roménia que foi imbatível por várias edições olímpicas.

3.Doina Ignat

Mais uma remadora romena, que conquistou seis medalhas olímpicas durante sua carreira.

 

4. Kathrin Boron

Representando a potente escola alemã, Boron é um exemplo de consistência técnica no sculling (remo de parelhos). Ela conquistou as suas quatro medalhas de ouro em quatro Olimpíadas consecutivas (1992 a 2004), sempre em barcos de classe mundial.

5. Katherine Grainger

A remadora mais titulada da Grã-Bretanha. A sua história é de resiliência: após conquistar três pratas consecutivas (2000, 2004, 2008), ela finalmente alcançou o ouro em casa, nos Jogos de Londres 2012. Em 2016, no Rio, somou mais uma prata, tornando-se a primeira mulher britânica a ganhar medalhas em cinco edições diferentes dos Jogos.

 

Ekaterina Anatolyevna Khodotovich-Karsten (em bielorrussoКацярына Анатолеўна Хадатовіч-КарстэнMinsk2 de junho de 1972) é uma remadora bielorrussa, bicampeã olímpica e hexacampeã mundial no skiff.

Carreira

Karsten competiu nos Jogos Olímpicos de 199219962000200420082012 e 2016.[1]

 obteve duas medalhas de ouro (1996 e 2000), uma de prata (2004) e uma bronze (2008) nas Olimpíadas seguintes, sempre no skiff simples.[2] Em sua sétima Olimpíada, no Rio de Janeiro, competiu aos 44 anos e ficou em segundo lugar na final B, finalizando em oitavo no geral.

 

SLIDE 17

A conquista, em 1990, da primeira medalha na Taça das Nações com uma tripulação feminina em double-skull. No ano seguinte, novamente uma tripulação feminina conquista mais uma medalha na Taça das Nações, uma medalha nas regatas internacionais de Lucerna e atinge a final A no Campeonato do Mundo, o denominador comum é Conceição Batista que teve estes resultados com a Heloísa Luz e com a Luciana Alçada.

 

 

 

SLIDE 18

 

Sobre as atletas que tive a honra de treinar pretendia destacar a remadora Cristina Roque Lino que para mim foi a melhor atleta que treinei. Queria sublinhar entre as várias vitórias desta atleta a medalha de Prata que venceu nas Regatas Internacionais de Macon de 1990 prova durante a qual tive o privilégio de a acompanhar como treinador. Participou ainda no ano seguinte no Campeonato do Mundo Júnior em Banyoles, Espanha. Com uma grande formação pessoal e desportiva não desmereceu quando, ainda muito jovem, foi desclassificada num Campeonato Nacional depois de vencer destacada a prova, devido a duas colegas numa embarcação terem gritado palavras de incentivo… eram as regras da altura, muito injustas. Apesar disso não desistiu e destacou-se representando sempre muito bem o clube e a selecção nacional.

Para terem uma noção em 1992  na secção de Remo da ANL dos 75 atletas que representaram o Clube nos vários escalões apenas três eram femininos ( uma sénior, uma júnior e uma infantil). Ainda como treinador da Associação Naval de Lisboa quero realçar no I Campeonato Nacional de Ergómetro, em 1993,  a participação das atletas presentes na prova e que se destacaram, nomeadamente a Filipa Cabaça e a Elsa Rodrigues. Ainda nesse ano a Filipa subiu ao pódio no Campeonato Nacional de Fundo em Crestuma. No ano de 1995 mais duas pupilas minhas, a Inês e a Ana Margarida, representaram condignamente o clube e subiram ao pódio no Campeonato Nacional de Velocidade Shell.

Queria também lembrar a remadora Raquel Franca que além de atleta da ANL foi a primeira mulher a exercer como árbitro de Remo, actuando como Juíza em várias regatas do nosso Calendário de Provas. 

No CNL destaco a Raquel e Carmo que venceram o double skull e ficaram segundo lugar no Dois sem timoneiro e no Quadri Skull.

 

Slide 19

Merece também destaque a carreira da Filomena Franco vencedora de uma medalha de Bronze nos Mundiais e a participação nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012,onde eu estive presente como responsável do Remo Paralímpico Português, como Vice-Presidente do Comité.

Slide 20

 

Para finalizar destaco a atleta Patrícia Batista Campeã Europeia de Remo de mar 2025

Slide 21
























Sem comentários: