quarta-feira, 2 de junho de 2021

  

 Nos anos quarenta organizaram-se várias e diferentes provas destacando em 1944 o I Campeonato de Remo para empregados das Companhias de Seguros, Torneios da Mocidade, o Campeonato Peninsular em 42,43 e 45, e um Campeonato Nacional Universitário em 1945. Em 1947 a FPR organizou a 1ª Conferência Nacional de Remo e publicou um anuário.

 No ano de 1948 Portugal inicia a sua participação nos Jogos Olímpicos. Em 1952,1960,1972,1992,1996 e recentemente em 2008 e 2012 volta a marcar presença no evento.

 

 

 

                                         

 

quinta-feira, 18 de março de 2021

 REGATAS ESCOLARES


 Aproveitando o entusiasmo do 1º aniversário da proclamação da Republica o Clube Naval de Lisboa com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, instituiu a Taça 5 de Outubro, uma Taça perpétua para ser disputada todos os anos na Capital, como Campeonato Regional de Velocidade na distância de 2000 metros. Na primeira edição venceu o Clube Naval e nos anos de 1912, 13 e 14 a vitória pertenceu sempre à ANL. Ainda durante o ano de 1911 Armando Soares Franco, Presidente da ANL e Ministro da Instrução ofereceu uma Taça com o seu nome para ser disputada pelas Escolas Superiores de Lisboa e Mauperrin Santos, sócio do Clube Naval, Director da Escola Académica e presidente da Sociedade Promotora de Educação Física Nacional (futuro COP) doou também uma Taça com o seu nome que seria disputada pelas Escolas Secundarias e Liceus da Capital, começando então uma nova era no Desporto Escolar. As regatas eram organizadas pelo CNL e pela ANL com o patrocínio da CML. Alguns anos mais tarde a Federação Portuguesa do Remo continuaria a utilizar essas Taças com o mesmo propósito, nascendo as Regatas Escolares que se iriam disputar até aos anos sessenta em Lisboa, Porto e Figueira. As condições iniciais para a disputa das Taças eram as seguintes:


Taça Soares Franco

A Taça Soares Franco, oferecida pelo Sr. Armando Soares Franco, Presidente do Conselho executivo da ANL, é destinada a ser disputada em regatas anuais, entre as Escolas Superiores de Lisboa e debaixo das seguintes condições:

1 – A corrida será disputada em inriggers de primeira classe, a 4 remos;

2 – A disputa realizar-se-á, sendo possível, no dia da corrida da Taça Lisboa;

3 – A regata efectuar-se-á ao longo da muralha norte do Tejo, num percurso de 1500 metros, e a sua organização ficará a cargo da Comissão organizadora da Taça Lisboa, de acordo com os delegados das escolas concorrentes;

4 – Nenhuma escola poderá inscrever mais que uma tripulação;

5 – A inscrição fecha dez dias antes do dia marcado para a regata;

6 – O regulamento da corrida será, na parte aplicável, aquele que for adoptado para a corrida da Taça Lisboa;

7 – A escola vencedora será a detentora da Taça, ficando responsável pela sua conservação. Dez dias antes da corrida será a Taça entregue à comissão organizadora da regata, a qual novamente a entregará à escola vencedora.

8 – A Taça será perpétua, tendo a escola que a ganhar durante três anos consecutivos, direito a um diploma especial conferido pelas restantes escolas que tenham disputado a Taça;

9 – Aos tripulantes da escola vencedora serão conferidas medalhas de vermeil;

10 – A inscrição para a corrida será de 5 escudos por cada escola, destinando-se o produto das inscrições à aquisição das medalhas e outras despesas especialmente inerentes à corrida da Taça;

11 – Quando por qualquer motivo não se realiza a corrida da Taça Lisboa, será a organização da corrida da Taça Soares Franco confiada à Associação Naval de Lisboa, de acordo com as escolas concorrentes.

 

Taça Mauperrin Santos

A Taça Mauperrin Santos, oferecida pelo Sr. Dr. Jayme Mauperrin Santos, director da Escola Académica, sócio do Clube Naval de Lisboa, é destinada a ser disputada, em regatas anuais, entre as Escolas Secundarias e Liceus de Lisboa e debaixo das seguintes condições:

1 – A corrida será disputada em inriggers de primeira classe, a 4 remos;

2 – A disputa realizar-se-á, sendo possível, no dia da corrida da Taça Lisboa;

3 - A regata efectuar-se-á ao longo da muralha norte do Tejo, num percurso de 1500 metros, e a sua organização ficará a cargo da Comissão organizadora da Taça Lisboa, de acordo com os delegados das escolas concorrentes;

4 – Nenhuma escola poderá inscrever mais que uma tripulação;

5 – A inscrição fecha dez dias antes do dia marcado para a regata;

6 – O regulamento da corrida será, na parte aplicável, aquele que for adoptado para a corrida da Taça Lisboa;

7 – A escola vencedora será a detentora da Taça, ficando responsável pela sua conservação. Dez dias antes da corrida será a Taça entregue à comissão organizadora da regata, a qual novamente a entregará à escola vencedora.

8 – A Taça será perpétua, tendo a escola que a ganhar durante três anos consecutivos, direito a um diploma especial conferido pelas restantes escolas que tenham disputado a Taça;

9 – Aos tripulantes da escola vencedora serão conferidas medalhas de vermeil;

10 – A inscrição para a corrida será de 5 escudos por cada escola, destinando-se o produto das inscrições à aquisição das medalhas e outras despesas especialmente inerentes à corrida da Taça;

 

ANO

Mauperrin

Soares Franco

Nobre Guedes

1913

1918

1924

1925

1934

1935

1936

1937

1938

1939

1940

1942

1943

1944

1945

1946

1947

1948

1951

1952

1953

1954

1955

1956

Escola Académica

Casa Pia

Escola Académica

Escola Académica

Liceu Gil Vicente

Liceu Gil Vicente

Liceu Gil Vicente

Marquês de Pombal

Casa Pia

Veiga Beirão

Passos Manuel

Machado de Castro

Pedro Nunes

Manuel Bernardes

Passos Manuel

Camões

Ferreira Borges

Ferreira Borges

Ferreira Borges

Ferreira Borges

Liceu Francês

Passos Manuel

Ferreira Borges

Casa Pia

Escola Naval

-

-

Instituto Sup. Comercio

Técnico

Veterinária

Técnico

Agronomia

Agronomia

Económicas e Financeiras

Económicas e Financeiras

INEF

Faculdade Ciências

-

Faculdade Ciências

Técnico

Escola Naval

Escola Naval

-

Faculdade Letras

Faculdade Letras

Escola Naval

Escola Naval

Escola Naval

 

 

-

-

-

-

Instituto Industrial

Instituto Industrial

Instituto Industrial

Instituto Industrial Instituto Industrial Instituto Industrial Instituto Industrial

Escola Náutica

Pupilos do Exército

Pupilos do Exército

-

Inst. Ferrov Sul e Sueste

Pupilos do Exercito

Instituto Industrial

-

Instituto Industrial

Instituto Industrial

Instituto Comercial

Pupilos do Exercito

Instituo Industrial

 


A realização, a partir da década de trinta, dos Campeonatos Escolares de Remo, organizados pela Federação Portuguesa de Remo e a criação a nível estatal dos Centros de Remo da Mocidade Portuguesa, movimentaram um maior número de praticantes, facto que se reflecte no fomento da modalidade.

Nos primeiros Campeonatos Escolares de Remo, na era da Federação, organizados pelo Clube Naval, em Lisboa e pelo Sport no Porto, por incumbência da FPR, em 1934, tomaram parte as seguintes escolas:

De Lisboa – Faculdade de Ciências, Instituto Superior Técnico, Faculdade de Letras, Escola Superior de Medicina Veterinária, Instituto Superior de Agronomia, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Escola de Belas Artes, Escola Naval, Escola Militar, Escola Náutica, Instituto Industrial de Lisboa, Instituto Comercial de Lisboa, Casa Pia de Lisboa, Liceu de Pedro Nunes, Escola Comercial de Ferreira Borges, Liceu Camões, Liceu Passos Manuel, Escola Minerva e Liceu de Gil Vicente. 

No Porto: Faculdade de Engenharia, Faculdade de Ciências, Instituto Industrial do Porto, Instituto Comercial, Escola Industrial Marques Leitão, Escola Industrial Infante D. Henrique, Liceu de Alexandre Herculano, Liceu Rodrigues de Freitas e Escola Comercial de Oliveira Martins.

Em Lisboa as tripulações eram treinadas pela Associação e pelo Clube Naval e no Porto pelo Sport e pelo Fluvial. Estavam em disputa as Taças Mauperrin Santos – Escolas Secundárias, Taça Eng. Nobre Guedes – Escolas Técnicas e Taça Soares Franco – Escolas Superiores. De salientar que na primeira década deste século a Taça Mauperrin Santos e a Taça Soares Franco já faziam parte de provas escolares organizadas pela ANL e pelo CNL, a partir de 1911. Foi tão bem acolhida por parte dos Directores das Escolas, a organização das provas, que alguns tiveram palavras de incitamento e louvor pela resolução tomada. Tanto entusiasmo despertou também nos alunos que a inscrição nas diversas escolas foram tantas que se tornou difícil a selecção, por exemplo o Liceu Camões enviou 52 alunos para escolha de 5.

Os vencedores, em Lisboa, foram o Instituto Industrial, Instituto Superior Técnico e Escola Gil Vicente.

O ano de 1942 foi o último ano em que as regatas escolares foram organizadas pela Federação. A partir deste ano a disputa destas Taças passa a ser responsabilidade da Mocidade Portuguesa. As organizações do regime passam a controlar mais uma actividade bastante antiga do remo Português. A partir de 1944 as Regatas são efectuadas com o “alto patrocínio do Ministro da Educação Nacional”. Uma instituição e dinamização dos velhos Clubes (ANL E CNL) são assim roubadas sem dignidade nenhuma.













quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Gago Coutinho e a Associação Naval de Lisboa / Real Associação Naval

 Gago Coutinho Faria anos hoje a minha contribuição para a sua história na Associação Naval de Lisboa:







Carlos Viegas Gago Coutinho, nasceu em Belém, Lisboa, a 17 de Fevereiro de 1869. Filho primogénito de José Viegas Gago Coutinho, marítimo, natural de Faro e de Fortunata Maria Coutinho, natural de Faro, moradores na Calçada da Ajuda nº 5. Foi baptizado na Igreja de Santa Maria de Belém a 2 de Junho de 1869, morreu na Freguesia de Santa Engrácia às 18h05 do dia 18 de Fevereiro de 1959.

Era assim que descrevia a sua família:

«Meu pai era um homem de reduzida educação literária. Só a primária, mas conhecia escrita comercial, em que praticava. Sargento de mar-e-guerra até 1873, serviu na nau Vasco da Gama e na fragata D. Fernando. Era homem alto, desempenado, bem branco. (...) falecendo em Lisboa com 93 anos. Meus avós eram livreiros em Faro. (...) De minha mãe, senhora pequena, algarvia, filha de padeiros, e que devia ter ascendência moura, nada mais sei a não ser que um irmão dela era patrão de um cahique da costa (...). (...) Desde os 8 anos que foi minha mãe adoptiva uma amiga de minha mãe, D. Maria Augusta Pereira, falecida em 1914.»

Em 1885 Gago Coutinho concluiu o curso do Liceu e devido aos fracos recursos materiais de seu pai não conseguiu satisfazer a vontade de frequentar um curso de Engenharia na Alemanha, matriculou-se então na Escola Politécnica para preparar a sua entrada na Escola Naval, um ano depois. Entrou para a Armada como aspirante em 1886. Em 1890 foi promovido a guarda-marinha, em 1891 a segundo-tenente, e em 1895 possuía já a patente de primeiro-tenente. Em 1907 foi promovido ao posto de capitão-tenente e em 1915 a capitão-de-fragata. Em 1920 era já capitão-de-mar-e-guerra. Em 1922 foi promovido ao posto de vice-almirante, e em 1958 um ano antes de falecer, a almirante.

 

O seu primeiro grande embarque foi na corveta “Afonso de Albuquerque”, de 7 de Dezembro de 1888 a 16 de Janeiro de 1891, numa viagem para Moçambique pertencente à Divisão Naval da África Oriental. Seguidamente passou à canhoneira “Zaire”, na qual navegou até 24 de Abril de 1891, viajando de regresso a Lisboa. Colocado na Divisão Naval da África Ocidental, embarcou sucessivamente na lancha-canhoneira “Loge”, que comandou, na canhoneira “Limpopo”, na canhoneira “Zambeze”, e na corveta “Mindelo”. Durante o serviço nesta corveta no Brasil, em 1894, adoeceu com a febre-amarela, foi então internado no Hospital da Beneficência Portuguesa no Rio de Janeiro. Já em Portugal, esteve embarcado na canhoneira “Liberal” e na corveta “Duque da Terceira”. Foi nesta corveta que fez nova viagem ao Atlântico Norte. Viajou depois até Moçambique na embarcação de transporte “Pero de Alenquer” e, a seguir, ingressou na corveta “Rainha de Portugal”, embarcou então na canhoneira “Douro”, que o trouxe para Lisboa. Fez parte da guarnição da corveta couraçada “Vasco da Gama”, até 31 de Março de 1898, da qual passou para a sua primeira comissão como geógrafo ultramarino, em Timor.

De espírito inovador, era sincero e austero, afirmava: «Gosto de controvérsias, de tudo o que possa esclarecer, pois sou comunicativo como todos os homens do mar. Gosto da discussão que faz luz...». Normalmente modesto ao fazer as suas apresentações e conferências nas academias, qualidade que, segundo os que com ele conviviam, vinha cultivando desde sempre: «(durante a travessia), o meu papel foi secundário.» (Gago Coutinho, 30/03/1942). Também muito imaginativo, tinha sempre uma resposta de espírito pronta para dar, ou uma anedota para contar. Em resposta à pergunta: como tinha atravessado África a pé? Resposta pronta de Gago Coutinho: «Como havia de ser? Com as botas rotas, para a água sair mais à vontade, porque, para entrar, entrava sempre.»

Assinalável é também o seu gosto pelo desporto, visto não ser muito comum na época em que viveu. Desde adolescente que o praticava, remo, vela e especialmente ginástica com aparelhos. Já com alguma idade, ainda trabalhava com as argolas montadas numa trave do tecto na Rua da Madragoa, para se manter em forma. A prática desportiva interessava-o, e dedicou-lhe algumas das suas palavras, das quais temos o exemplo aquando da conferência do 71º. aniversário do Real Ginásio Clube Português (1946). Foi  Secretário Geral da Real Associação Naval/Associação Naval de Lisboa e rezam as crónicas que foi ele quem deu, em Portugal, o primeiro curso de Patrão da Náutica de Recreio, em 1900, na Real Associação Naval. Já no inicio do século XX organizava com frequência conferências no seu clube náutico.

Das suas diversas viagens destacamos:

1893 – No Mindelo (Luanda - Rio de Janeiro), cujo comandante era o grande almirante Augusto de Castilho

1896 - No Pero de Alenquer (Lisboa – Lourenço Marques), seguindo na medida do possível a histórica rota de Vasco da Gama, na sua viagem rumo à Índia, travessia que tão grandes ensinamentos lhe veio a fornecer para os seus estudos sobre "Náutica dos Descobrimentos".

Já com 75 anos fez, a bordo da barca portuguesa Foz do Douro, uma nova travessia à vela, Santos – Leixões, durante a qual navegou 105 dias, utilizando o histórico astrolábio, como os antigos mareantes portugueses, confirmando, assim, as suas opiniões sobre as rotas por estes seguidas.

Calcula-se, por conseguinte, que durante toda a sua vida, o almirante teria navegado 30837 milhas o que, por certo, constitui um recorde para todos os oficiais do seu tempo. A sua missão, a bordo dos barcos em que prestou serviço, foi, quase exclusivamente, de "oficial encarregado da navegação", daqui vindo a resultar o conhecimento que manteve com o sextante clássico.

De 1913 a 1914 Gago Coutinho comandou a  missão de delimitação da fronteira Angola com a Rodésia, surgindo como seu colaborador o segundo-tenente Arthur de Sacadura Cabral a quem o almirante apelidava de «observador de fina vista».

A competência do geógrafo levou à sua nomeação pelo Ministério da Guerra, em 1928, a presidente da Comissão, para propor a reorganização dos serviços geográficos, cadastrais e cartográficos. Neste mesmo ano passou igualmente a vogal da comissão encarregada de estudar o estabelecimento de um aeroporto nos Açores, e a navegação aérea nas colónias

Desempenhou ainda as funções de Presidente da Comissão de Cartografia, contribuíndo eficazmente para a criação da missão geográfica de Moçambique e para a solução definitiva da fronteira luso-belga na região do Dilolo.

Assim, o seu interesse pela aviação não surgiu apenas do espírito Romântico que esta inspirava, mas principalmente do caracter científico do almirante. Gago Coutinho pressentiu na aviação uma hipótese de novas descobertas científicas, onde desejava aplicar os seus inúmeros conhecimentos e pesquisar quer a nível marítimo quer a nível terrestre. O emprego, quase diário, que havia feito, em África, durante as suas missões de geógrafo, do sextante e o grande conhecimento sobre este instrumento, eram mais que suficientes para justificar a sua opinião. Assim, Gago Coutinho foi um dos primeiros oficiais de Marinha a oferecer-se para ir ao estrangeiro obter a sua «Carta de piloto do ar», uma vez que a de «piloto do mar» já tinha há alguns anos. Tirou o Brevet em França em 1915, num frágil Maurice Farman, o "baptismo do ar" do almirante realizou-se em Portugal, mais propriamente na Escola de Aviação Militar em Vila Nova da Rainha, acompanhado pelo já piloto-aviador Sacadura. Nesta escola, foi, mais tarde, instrutor.

A propósito da sua passagem pela escola referida, e já no contexto das experiências aéreas na companhia, de Sacadura Cabral, o almirante comenta:

«Vou ao aeródromo de Vila Nova da Rainha e dou três voos com o Sacadura. Total, 35 minutos no ar. Admirável a segurança; demos vários saltos, curvas, etc. até governei um pouco. Pareceu-me bastante fácil e muito mais seguro do que eu julgava. Em todo o caso, entusiasmei-me.»

Esta foi a primeira de algumas das suas experiências de voo que culminariam com a Travessia Aérea do Atlântico Sul, que consagra o nome de Gago Coutinho como aviador, na História Nacional.

 

 

OBRAS PUBLICADAS:

Algumas determinações de longitude feitas ultimamente em África pela missão da fronteiro do Barotze, 1915

As determinações de latitude pela missão da fronteira Barotze, 1915

Impressões de duas viagens através de África entre Angola e Moçambique, 1915

Relatório da missão geodésica de São Tomé. 1920

Relatório da viagem aérea Lisboa-Rio de Janeiro, 1923 (de colaboração de Sacadura Cabral)

Tentativa de interpretação simples da teoria da relatividade restrita, 1926

O roteiro da viagem de Vasco da Gama e a sua versão nos Lusíadas, 1930

Desdobramento da derrota de Vasco da Gama nos Lusíadas, 1931

Possibilidade da rota única de Vasco da Gama em Os Lusíadas. Impossibilidade de Vasco da Gama ter de Cabo Verde navegado para o Sul, 1931

Pela Segunda vez, possibilidade de ler em Os Lusíadas uma rota única de Vasco da Gama, 1933

Gaspar Côrte-Real, 1933

Alguns erros em que se apoiou o desdobramento da rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas, 1933

Continuação dos erros em que se apoiou o desdobramento da rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas, 1934

Passagem do Cabo Bojador, 1935

Influência que as primitivas viagens portuguesas à América do Norte tiveram sobre o descobrimento das Terras de Santa Cruz, 1937

O almirante foi também colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

 

Bibliografia

ALBUQUERQUE, Luís de, Curso de História da Náutica, Lisboa, Alfa, 1989.

BOLÉO, José de Oliveira, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, Lisboa, Sociedade de Geografia, 1972.

CORRÊA, Pinheiro, Gago Coutinho, Precursor da Navegação Aérea, Porto, Portucalense Editora, 1969.

Correia, José Pedro Pinheiro,

LEMOS; Carlos M. Oliveira e, O Almirante Gago Coutinho, Lisboa, Instituto Hidrográfico, 2000.

REIS, Manuel dos, CORTESÃO, Armando, Gago Coutinho Geógrafo, Coimbra, Junta de Investigações do Ultramar, 1970, sep. de Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Tomo XIII, 1969. 

http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/index1.html





domingo, 24 de janeiro de 2021

Com Barco emprestado o Ferroviário foi Campeão

 


«DE BARCO EMPRESTADO, FERROVIÁRIO É CAMPEÃO»

 História de uma regata, por Sandoval Cruzinha

«De barco emprestado, Ferroviário é Campeão». Foi este o título escolhido pelo (Dr.) João Oliveira, – também ele remador – para escrever, em 28 e 30 de março de 1983, nas páginas do Jornal a Bola, sobre a conquista do Campeonato Nacional de Fundo, no Rio Douro, pelo Clube Ferroviário de Portugal.

Passados 35 anos sobre esta regata, dirão vocês: “Cheira-me a bafio”! De facto, esta história pertence ao “museu” da nossa memória, mas ao ser convidado para escrever umas linhas no nosso boletim de treinadores de Remo, entendi que devia aproveitar a oportunidade para prestar uma singela homenagem ao Clube Naval Infante D. Henrique, e à minha tripulação de Shell 8+, vencedora dessa regata nesse ano.

A história conta-se assim:

Em 1983 o CFP não dispunha de um Shell 8+ em condições de participar com dignidade em provas de grande exigência, como é um Campeonato Nacional de Fundo. Era um barco antigo, largo e pesado, ao qual adicionávamos a dificuldade de remar em barcos Shell, nas águas remexidas do Tejo. Treinávamos na Doca do “Espanhol” em Alcântara – Lisboa – com cerca de 1500m (bem esticados) em Shell4 c/s timoneiro. Quatro desses remadores eram mais altos e pesados, e outros quatro mais baixos e leves. Conjunto ideal para formar um Shell 8+, “enfiando” os pesados a meia-nau, e os leves às pontas (proa e ré). Tínhamos tudo, só faltava o barco! E todos queriam muito participar nesse campeonato.

Então, o “Jójó” (Jorge Mendes) treinador da rapaziada, resolveu recorrer à “pedincha” e contactou o Sr. Albino Oliveira, ao tempo, Presidente do Clube Naval Infante D. Henrique (CNIDH) perguntando, se não teria um barco que nos pudesse emprestar. A resposta foi pronta! Venham para cima que têm cá um barco à vossa espera! E lá fomos!… (O CNIDH não participou nesta prova)

Alugámos uma carrinha de 9 lugares onde couberam 10, e partimos para Gondomar na 6ª feira dia 25 de março.

À chegada lá estava o Sr. Albino Oliveira à nossa espera e deparamo-nos com um Shell 8+ em madeira do “Carpentiere Navale Donoratico” novinho, à nossa disposição. Não perdemos tempo! De imediato, começámos a montar aranhas e a proceder às afinações, metendo o barco na água, e voltando a terra 3 ou 4 vezes, até conseguirmos atinar com a afinação mais adequada ao conjunto dos remadores.

No sábado dia 26, treinámos em tranches de 30’/40’ e voltávamos a terra para mais afinações nos ângulos das forquetas, alavancas e entre eixos, até conseguirmos o máximo equilíbrio e rendimento na água. Os remos de madeira eram nossos. Nessa noite, fomos jantar a um pequeno restaurante (já não me recordo o nome) na Ribeira do Porto, onde estava afixado um poster grande com a fotografia do rio Douro desde a Foz até à Ponte Luís I. Acresce dizer, que eu era o timoneiro desse Shell 8+ e, como tal, responsável pelo rumo e pelo espírito combativo da tripulação.

Comecei ali, na toalha de papel da mesa, a desenhar as curvas do Douro e a definir a estratégia da regata com o “Jójó” (Jorge Mendes), e ficou decidido que o meu rumo seria apontar à Alfândega do Porto (minha voga) e dali tirar uma reta até a Ponte D. Luis I, para depois dar leme para a sota, encostando mais ao lado de Gaia, uma vez que a chegada ficava nessa margem depois da Ponte Dª Maria Pia. No tal restaurante, a dona, vendo que estávamos equipados com as cores do Ferroviário, “espicaçava-nos” dizendo que: “Bossemecês” não têm hipótese nenhuma. Quem “bai” ganhar é o “Flubial”! Vai uma apostinha, disse-lhe eu?!… (muito longe de imaginar que iríamos ser campeões) Tá bem, se ganharem, venham cá beber uma garrafa de espumante! Combinado!

Dia 27 de Março, domingo muito cedo, no posto náutico do CNIDH, dávamos os últimos retoques no barco. Tínhamos que remar de Gondomar, cerca de 10Km, para chegar à largada, que foi dada na Afurada. A meio do caminho tivemos uma avaria. Partiu-se uma correia do pau-de-voga a um remador, creio que ao Carlos Alberto (o CA, como lhe chamamos), que entretanto, desenrascou a situação com um atacador de uma sapatilha. E eis-nos na largada, alinhados com mais 4 tripulações: ARCO, GALITOS, CNL, FLUVIAL e CFP. O CDUP não alinhou (peço desculpa se me falta nomear algum clube):

– Senhores, prontos?… LARGA!…

E começou a luta entre todos para ganhar a dianteira. Não tínhamos percorrido 100m e nova avaria num pau de voga ou slide, já não posso precisar bem. Levantei o braço, mas não fui atendido pelo juiz arbitro.

Parámos, reparámos, e seguimos em último lugar, em voga forte e ritmada, tentando que os nossos adversários não descolassem muito de nós. Paulatinamente lá fomos encurtando distâncias. Transposta a Ponte da Arrábida comecei a dar leme para a minha voga apontando à Alfandega do Porto, enquanto as restantes tripulações se encostavam do lado de Gaia, acompanhando a curva do rio. Nesta zona da Alfândega, conforme a estratégia planeada, apontei à Ponte D. Luis I, em linha reta, dando leme para a minha sota, com o objetivo de passar a Ponte o mais perto possível do lado de Gaia, e com esta manobra conseguir juntarmo-nos às outras tripulações. E assim foi!

Passámos o CNL, e depois o Galitos. À nossa frente, o Arco e o Fluvial, discutiam a cabeça da regata, sem contarem que uns intrusos vindos de Lisboa se preparavam para dar luta até ao fim. Recordo como se fosse hoje, os gritos e aplausos de incentivo ao Fluvial, que vinham das duas margens do Douro e do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís. Foi espetacular! Nunca tinha vivido até àquela regata um ambiente tão entusiasta de apoio ao Remo, que, diga-se de passagem, também nos galvanizou e contribuiu para darmos mais luta.

É nesta fase da regata que entra na nossa tripulação o nono remador, – o Simões. Quem era este personagem? Ninguém! Apenas o nome de código que eu arranjei para substituir o termo “PEGA 20” quando fosse necessário fazer séries para descolar dos adversários. E resultou!

Ultrapassámos o CNL, Galitos e Arco com esta “ratice” e ficámos ao lado do Fluvial antes da Ponte D. Luís. O experimentado timoneiro do Fluvial, conhecedor do Douro, começou a “empurrar-me” para o meio do rio, não permitindo ao Ferroviário, encostar ao lado de Gaia. Mas lá fomos lado a lado, ora com a proa do Fluvial à frente, ora com a do Ferroviário, numa luta titânica sem sinais de quebrar o ritmo.

Aproximávamo-nos da Ponte Dª Maria e da linha de chegada. A cadência aumentava na ponta final, podendo qualquer das tripulações ser campeã, e continuávamos naquele “baile” de proa para a frente, proa para trás, até que no limite das forças o “SIMÕES” voltou para ajudar a equipa do Ferroviário, e vencemos por uma proa!

Três ou quatro elementos da tripulação lançaram-se à água completamente eufóricos! Estava tudo doido! Eu só desejava ter à mão uma garrafa de oxigénio. Fiquei afónico. O mais caricato é que com tanto banho, esquecemo-nos de ir receber a taça e as medalhas, ficando o “Jójó” (Jorge Mendes) sozinho à nossa espera com a taça e as medalhas na mão.

A classificação ficou assim ordenada: 1º CFP; 2º Fluvial; 3º Arco; 4º Galitos e 5º CNL, conforme escreveu o Eng. Flores (presidente do júri) no Jornal de Notícias.

No final da regata o Sr. Fernando Barbedo que acompanhou a prova, perguntava se o timoneiro do Ferroviário era do Porto, pelo facto de ter feito aquele rumo.

Conto esta história para enaltecer as virtudes do REMO. Nunca teríamos sido Campeões sem a solidariedade do CNIDH e do seu presidente Albino Oliveira que nos emprestou o barco. Nunca teríamos sido Campeões, se aqueles 8 rapazes do Ferroviário não tivessem fibra, espírito de sacrifício, crença e uma vontade de ganhar extraordinária.

São inúmeros os atributos do nosso desporto: dignidade, honestidade, generosidade, companheirismo, lealdade, espírito de sacrifício e entreajuda, liderança. Estes são alguns dos valores que ficam para a vida.

Tinha 14 anos, em 1962, quando comecei a praticar Remo. Hoje, com 71, ainda por cá ando como treinador a passar a mensagem a outros.

A Nossa tripulação era constituída por: 1 – Fernando Palma (O tira linhas); 2 – Alcino Costa (O Ramsés); 3 – Carlos Afonso (Atual presidente da ANL); 4 – Paulo Ferreira; 5 – Eduardo Jorge Oliveira; 6 – António Gonçalves; 7 – Carlos Alberto (CA); 8 – José Leitão (Atual diretor da formação da FPR); Timoneiro: Sandoval Cruzinha; Treinador: Jorge Mendes (Jójó).

 

P.S.: Não voltámos ao restaurante para beber o espumante.