A primeira Selecção Nacional de Remo:
Apesar da federação portuguesa do Remo só ter sido fundada em !920 foi em 1919 que se formou a primeira Selecção Nacional de remo para os Jogos Interaliados em Paris.
Como não se realizaram os Jogos Olímpicos, em virtude de estar a decorrer a 1ª Grande Guerra as
Nações Aliadas organizaram estas provas, em vários desportos, para “moralizar os soldados e aproximar os países amigos”.
Um misto da ANL e do CNL, remou em Shell 8 e Shell 4, foram eles: Timoneiro: Ricardo Dias, Remadores: Augusto Talone, Jorge Ferro, Virgílio Silva, Carlos Sobral, João Sasseti, José Branco, João Silva, Gabriel Ribeiro no Shell de oito,
e no Shell de quatro: Timoneiro: Augusto Neuparth, os Remadores: Carlos Burnay, Raul Brito, Rodrigo Bessone Basto e José Serra Pereira
Como suplentes:
Henrique Aragão, António Diniz, Humberto Reis e Carlos Sá Pereira.
As selecções foram formadas a pedido do Sr. General Alves Roçadas:
Os Atletas:
Participação Geral das outras modalidades:
Pretendo publicar factos desconhecidos sobre a história dos desportos náuticos, colocando a sua beleza em destaque.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Remo no Mundo

O Remo como meio de propulsão,
que consiste em colocar a pá dentro de água com um ponto de apoio na borda da
embarcação é utilizado desde sempre. Sendo mais fácil em mares abrigados, não
invalida, no entanto, o seu uso na travessia dos Oceanos como nos foi
demonstrado pelos “Drakkars”
Vikings.
Tendo começado, certamente pela
utilização de um tronco flutuante o Homem foi desenvolvendo embarcações cada
vez mais sofisticadas através da união de troncos chegando até aos
impressionantes Trirremes,


que utilizavam cerca de 170
remadores. Foram usados no Mediterrâneo, onde os homens chegavam a morrer à
fome, à sede ou em pleno combate nessas embarcações.

O Remo como desporto de
competição é um dos mais antigos e tradicionais, regatas entre galeras faziam
parte das civilizações egípcias, gregas e romanas. Na Odisseia, Homero fala-nos
numa viagem de Ulisses, pela ilha de Ítaca, num barco a remos, enquanto que na
Eneida, Virgílio conta-nos que Eneias, príncipe de Tróia, homenageou seu pai,
com uma disputa entre quatro barcos, movidos por duzentos remadores
acorrentados às embarcações. O Faraó Amenophis II foi imortalizado na sua tomba
remando, há também excertos de uma regata em Veneza no ano de 1315.
Apesar do Remo ser muito popular
entre profissionais só no início dos anos 1700 é que o desporto se popularizou
entre cidadãos amadores quando
principiaram as regatas ao longo do Tamisa, das quais a mais antiga que se
conhece é a Doggett´s Coat and Badge Race
que toma lugar desde 1715.

Largada da 1ª Doggett´s Badge Race Doggett´s badge
Em 17 Julho de 1717 realizou-se um
Festival de Água da qual fazia parte uma regata de remo em Chelsea, no Tamisa,
que obtinha muitos patrocinadores e que constituiu a possibilidade para Handel
compor a sua “Water Music” a pedido do Rei George I. Nos finais do século XVIII
o Remo começou a fazer parte do desporto Universitário o que lhe proporcionou
um grande incremento, principalmente depois de em 1829 ter sido estabelecida a
primeira das tradicionais regatas entre Oxford e Cambridge. Dez anos volvidos e
efectuava-se a primeira das célebres regatas de Henley.
Nos Estados Unidos a regata de
Yale contra Harvard teve o seu início em 1852. O Canadiano Ned Hanlan (conhecido como “The Boy In Blue”, dado que envergava
uma camisola azul) a nível profissional sagrou-se Campeão do Mundo entre 1880 e
1884 em Skiff, ainda antes das Olimpíadas.

Ned Hanlan
O pai dos Jogos olímpicos, Barão
Pierre de Coubertain, escreveu várias vezes sobre o desporto do Remo, uma das
quais com esta bela frase que nos transmite a ideia geral do Remo “O
intenso esforço do remador, a harmonia e o sincronismo dos seus movimentos na
transposição das barreiras naturais fazem do Remo um desporto ideal”.

Pierre
de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos modernos, em Ouchy ©
A Federation Internationale dês
Societès d´Aviron (FISA), fundada em 1892, é a mais antiga de todas as
Federações desportivas, possui a sua sede em Lausanne e conta com mais de uma
centena de membros. A Federação Portuguesa do Remo, uma das mais antigas de
Portugal, fundada em 1920 é membro da FISA desde 1922.
FPR
FISA
Apesar da técnica de Remo não ter
sofrido grandes alterações ao longo do tempo, o desenho, a construção e o peso
do equipamento utilizado no desporto do Remo sofreu grandes modificações em
especial no século vinte.
As primeiras embarcações de
corrida eram de casco trincado robustas e pesadas, o atleta utilizava apenas os
braços e o tronco como meio de propulsão. Existiam com um, dois, quatro seis e
oito remadores, actualmente desapareceram as de seis. Os barcos eram conhecidos
como inriggers ou outriggers conforme a sua forqueta ou tolete era colocada
directamente no casco, ou utilizavam uns acrescentos em metal, as aranhas (que
apareceram por volta de 1828). Em outriggers remava-se no Skiff ou Single de um
atleta com remos parelhos, no Pair-Oar de dois atletas, cada um com um remo de
ponta e timoneiro, no Double Skull de dois atletas com remos parelhos, sem
timoneiro e nos de quatro, seis e oito remadores com timoneiro e remos de
ponta.
A beleza do Remo encontra-se no
ritmo dos atletas que impulsionam a embarcação (“A Sinfonia do Movimento”como
descrevia o construtor George Pocock). O estilo e o ritmo têm variado ao longo
dos anos, sendo que actualmente, a remada consiste num movimento cadenciado e
distinto durante o seu ciclo. A remada pode ser dividida em várias partes,
iniciando-se no ataque, com a tomada de água, a passagem do remo na água e o
final com o safar do remo (saída da pá da água), depois vem o deslize do
remador com o remo fora de água e o início de um novo ciclo da remada. O
remador está sentado de costas para a proa da embarcação, o movimento é gerado
por uma sequência de Pernas, Tronco e Braços e o deslize fora de água é o
inverso com Braços, Tronco e por fim as Pernas.
Basicamente podemos dividir a
modalidade em Remo de Ponta e de Parelhos. No Remo de Ponta o atleta segura um
remo, com cerca de 3,90
metros , utilizando para isso as duas mãos, na disciplina
de Parelhos, o remador segura um remo em cada mão, de cerca de 3m de
comprimento. Os remos começaram por ser em madeira mas actualmente são
construídos em material compósito, ultralight.

Actualmente no Remo Olímpico, só
existem barcos de tipo Shell (sucessores dos outriggers) podendo ser divididos no
Skiff (1X) – Um atleta com dois remos parelhos, o Double Skull (2X) – com dois
atletas de remos parelhos, o Quadri Skull (4X) – quatro atletas com remos
parelhos, o Shell de dois sem timoneiro (2-) – dois atletas com remos de ponta,
o Quatro sem timoneiro (4-) – quatro atletas cada um com o seu remo de ponta, e
o barco rei do Remo o Shell de oito (8+) – oito atletas com timoneiro e cada
atleta com um remo de ponta; competimos ainda em Shell de dois com timoneiro
(2+) – dois atletas com um remo de ponta cada e com um timoneiro, no Quatro com
timoneiro (4+) – quatro atletas com um remo de ponta cada e com um timoneiro,
embora estas últimas duas embarcações não pertençam ao alinhamento dos Jogos
Olímpicos, por razões economicistas. O comprimento das embarcações varia entre
cerca de sete metros no Skiff e dezoito metros no Oito, que é dividido em duas
partes, para melhor ser transportado. Durante as regatas de Remo o plano de
água permite o alinhamento de pelo menos seis tripulações, em pistas com um
mínimo de 12,50 m
até um máximo de 15m de largura e um comprimento de 2 Km em linha recta. As pistas
são delimitadas por bóias que estão colocadas com um intervalo de 12,2 m . Nos rios de maior
caudal é usual, em Portugal, especialmente em Lisboa, remar com uma embarcação
de casco trincado com sete tábuas de cada lado – o Yolle – que é utilizado em
barcos de quatro e oito atletas com timoneiro e remos de ponta. O Yolle (sucessor
das Guigas) é uma embarcação na qual os atletas se colocam em zigzag e não em
fila como no Shell ficando a forqueta colocada nas falcas portanto, sem aranhas
(inrigger).
Para direccionar as embarcações o
timoneiro utiliza o leme, uma peça móvel em torno de um eixo colocado na ré e
dirigido por uns cabos, chamados gualdropes (ou galdropes). Nas embarcações quando
não existe timoneiro o leme é comandado por um dos remadores através do seu
sapato (pé).
Em 1857 J.C. Babcock de New York
inventou uma forma de slide num Skiff
e em 1870 adaptou-o num barco de seis remos. O slide ou carrinho veio dar um
grande incremento no andamento da embarcação pois possibilitou a utilização das
pernas na remada. Em 1875 Michael Davis patenteou a forqueta com travinca e no ano seguinte desenvolveu
uma embarcação com aranhas móveis. As aranhas móveis foram mais tarde proibidas
pela FISA e por este facto não é usado, apesar de possibilitar um andamento
muito superior à das embarcações com aranhas normais.

M.F. Davis patent#165,072

M.F. Davis patent#209,960
Em 1893 a FISA organizou o seu
primeiro Campeonato da Europa de Remo, em Orta, Itália, nesse mesmo ano
fundou-se em Cambridge`s Newnham College
a primeira Sociedade de Remo Feminino.
Em 1896 foram eliminadas das
Regatas de Boston City as provas com
profissionais. Ainda nesse ano, na Grécia, realizaram-se as I Olimpíadas
modernas das quais o Remo fazia parte, no entanto as provas foram canceladas
devido ao mau tempo. Desde essa data que o Remo faz parte dos Jogos Olímpicos
sendo o único desporto com essa continuidade e longevidade.

CARTAZ DOS J.O. 1896
Em 1916 o Remo para ligeiros,
atletas com menos de 72,5 Kg ,
foi introduzido nas universidades americanas por Joe Wright na Pensilvânia, ao mesmo tempo que, em Inglaterra, Steve
Fairbairn começava a treinar no estilo que ficou com o seu nome e
obtinha excelentes resultados.
Em 1923 formava-se em Inglaterra
a Women`s Amateur Rowing Association
e em 1927 a
tradicional Boat Race (Oxford -
Cambridge), foi pela primeira vez televisionada pela BBC enquanto se
iniciava também a regata Oxford – Cambridge em Femininos.
A 100ª REGATA
OXFORD – CAMBRIDGE
Nos anos seguintes o Remo
continuou a ser um dos desportos mais praticados ao mesmo tempo que se assistia
a um grande incremento técnico e de material, as embarcações tornaram-se mais
leves e sofisticadas e as tripulações evidenciaram uma técnica mais apurada devido
ao aumento do treino e do seu controle. Durante o período da II guerra mundial
as competições foram praticamente todas suspensas. Com a divisão europeia nos
dois blocos também o Remo sofreu grandes diferenças na sua técnica e estilo
havendo duas grandes escolas, – a Alemã Ocidental e a dos países de Leste com a
sua política de desporto nacional.
Em 1954 realizaram-se os primeiros
Campeonatos da Europa de Femininos que foram dominados pela União Soviética. No
ano de 1962 competiram-se em Lucerna os primeiros Campeonatos do Mundo
realizados pela FISA, assim como em 1967 a primeira regata FISA Júnior foi
organizada em Ratzburg na Alemanha.
Durante o ano de 1969 foi
construída a primeira embarcação desenhada para Remo de Recreio (o Alden Ocean
Shell, lançado por Arthur Martin) o que veio introduzir uma nova vertente no
Desporto mais antigo do Mundo.
Nos mundiais de 1970 os alemães
orientais conseguiram medalhas de ouro ou prata em todas as provas.
Em 1974 pela primeira vez
realizaram-se em Lucerna os Campeonatos do Mundo para Pesos Ligeiros e para
Femininos em que a distância para elas era de 1000 metros . Ainda
nesta distância realizaram-se em Montreal, em 1976 as primeiras Regatas Olímpicas
de Femininos. Na vertente de Pesos Ligeiros as classes Femininas e Masculinas
só fizeram parte do emblema olímpico em 1996, nos Jogos de Atlanta.
Foi em 1977 que os irmãos
Dreissigacker começaram a construir remos de material compósito e em 1981
lançaram também no mercado o ergómetro Concept
II que veio revolucionar o treino do remo e universalizar um dos desportos
mais completos que se pratica.
O primeiro Campeonato do Mundo de
Femininos Pesos Ligeiros teve lugar no ano de 1985 em Hazewinkel em que a
distância de prova para as mulheres foi igualada à dos homens.
Em 1991 mais uma vez os
Dreissigacker desenharam e lançaram no mercado uma inovação – os remos com pá
de cutelo – que com o aumento do tamanho da pá iria ajudar os atletas com pior
técnica mas que em equipas de topo nunca se chegou à conclusão da sua real vantagem,
apesar da seguinte universalização das pás Big Blade (um melhoramento da pá de
cutelo que fica sem a espinha). Ao longo das épocas estes remos continuam
sofrendo várias alterações mínimas que apenas servem a economia e o consumismo
da empresa americana.
Nesse mesmo ano como não podia
deixar de ser, foi inaugurado em Inglaterra, pela Rainha Isabel II o Museu do Remo
com o nome de River and Rowing Museum.
No limiar do século XXI o
britânico Steve Redgrave conquistou a sua quinta medalha de Ouro olímpica em
cinco olimpíadas consecutivas algo nunca conseguido por outro atleta em
desportos de endurance. Outro atleta, também remador e inglês, Jack Beresford
conseguiu três medalhas de ouro e duas de prata em cinco olimpíadas, tendo sido
apenas traído pelo cancelamento dos Jogos Olímpicos que se deviam realizar em
1940.
domingo, 4 de fevereiro de 2018
História (s) do Remo em Cascais
O
Remo como desporto de competição é um dos mais antigos e tradicionais.
Regatas
entre galeras faziam parte das civilizações egípcias, gregas e romanas. O Faraó
Amenophis II foi imortalizado na sua tomba remando, há também excertos de uma
regata em Veneza durante o ano de 1315.
O
remo de competição popularizou-se a partir do inicio de 1700 com as regatas ao
longo do Tamisa, das quais a mais antiga que se conhece é a Doggett´s Coat and Badge Race que ainda
toma lugar desde 1715.
A
prova tem cerca de 4 milhas e passa, por baixo de onze pontes, o prémio para o
vencedor é um casaco de Waterman (barqueiro do Tamisa) com um crachá de prata
para o vencedor e de Bronze para os outros competidores. Foi instituída por
Thomas Dogget um actor comediante irlandês que segundo a lenda foi salvo por um
barqueiro. Dogget promoveu a regata até à sua morte em 1721 mas deixou
instruções no seu testamento para a continuação da prova.
Originalmente
a regata desenrolava-se a 1 de Agosto de cada ano para comemorar a ascensão de
George I, da casa de Hannover, ao trono de Inglaterra. No crachá o Cavalo simboliza
a casa de Hannover e tem a palavra “Liberdade” escrita.
Em
Inglaterra nos finais do século 18 a prática do Remo foi integrada no Desporto
Universitário o que proporcionou um incremento do seu exercício, principalmente
depois de em 1829 ter sido estabelecida a primeira das tradicionais regatas
entre Oxford e Cambridge.
Dez
anos volvidos e efectuava-se a primeira das célebres regatas de Henley.
Nos
Estados Unidos a regata de Yale contra Harvard teve o seu início em 1852.
O
Canadiano Ned Hanlan (“The Boy In
Blue”, era conhecido assim porque envergava uma camisola azul) praticou remo a
nível profissional e sagrou-se Campeão do Mundo entre 1880 e 1884 em Skiff,
ainda antes das Olimpíadas, a sua popularidade deu-lhe o direito a uma estátua
na sua terra natal. Foi também Imortalizado no cinema por Nicolas Cage.
Há
diversas histórias sobre a sua qualidade como atleta – uma delas numa regata contra
o Campeão americano Morris, parou duas vezes para esperar por ele e ainda venceu
por três comprimentos.
Contra
o Campeão Australiano Trickett – que era muito arrogante – Hanlan durante a
prova brincava com o público gritando e atirando beijinhos, remando aos zig
zags e numa vez depois de passar a Meta voltou para trás colocando-se ao lado
do adversário e ainda cortou a meta primeiro que ele – criando o mito do atleta
que venceu a mesma prova duas vezes!
A
Federation Internationale dês Societès d´Aviron (FISA), fundada em 1892, é a
mais antiga de todas as Federações desportivas, possui a sua sede em Lausanne e
tem mais de uma centena de membros. A Federação Portuguesa do Remo, fundada em
1920 é membro da Federação Internacional desde 1922. Dos seus clubes federados
contam-se nove centenários.
No livro de José Pontes, “Quasi um século de desporto”, tomamos conhecimento que em 1849 Abel
Power Dagge “teve a veleidade de organizar
uma regata” de Remo, tendo sido esta portanto a primeira prova organizada
em Portugal, segundo o autor.
O interesse despertado pelo «divertimento das
regatas», associado ao “gosto e predilecção” da Família Real pelos passeios a
remos no Tejo, deram lugar à formação de dois grupos de remadores que podem ser
considerados os grandes percursores do desporto do Remo em Portugal. Abel Power
Dagge, um dos fundadores da Real Associação Naval e, mais tarde, também
fundador do Club Naval de Lisboa, fazia parte desse grupo. Estes dois grupos de
amadores além dos barcos de quatro e seis remos remavam também em guigas de 8 remos, construídas propositadamente para
esse fim pelos construtores Luís Silvério de Faria e I. C. Dangebau, que
se denominavam respectivamente Lusitânia e
Germânia. A guiga Lusitânia, construída em 1862, tinha (12,80 m) de comprimento e (1,83
m) de largura, tendo custado 201,600 reis,
Esta guiga segundo os nossos registos deverá ter sido
a primeira embarcação de Remo desportivo construída em Portugal e por um
construtor português.
Destes
acalorados desafios resulta a fundação, em Lisboa no ano de 1862, do Tagus Rowing Club e do Club dos Remeiros Lusitano (sucessor do Arrow Club
fundado em 1828), dois dos primeiros clubes de remo instituídos em Portugal,
que a 8 de Maio de 1873 se fundiriam com o nome de Rowing Club de Lisboa e que em1891 deu origem ao Clube Naval de
Lisboa. O Lusitano face aos problemas financeiros em 1870 já se tinha fundido
com o Clube Naval do Tejo mantendo o seu nome.
Tipos
de sócios :
Sócios
Capitalistas – Jóia de 10$000 rs
Sócios
Subscreventes – não paga jóia mas não
tem direito ao material do clube
Os
atletas do Tagus Rowing Club eram, na sua maioria, originários da colónia Alemã
existente na Capital (Pressler e Rainer Daehnhardt eram os mais conhecidos), enquanto
os remadores do Lusitano eram formados por alguns portugueses nomeadamente os irmãos
Pinto Basto enquadrados pelos ingleses que residiam em Lisboa e que traziam o
gosto pelas actividades náuticas da velha “Albion”. Ainda em 1871 encontrámos
referências a agremiações denominadas “ Club
Naval, Club do Tejo, Club dos Remeiros Corsário”. Estes clubes possuíam
além das duas guigas atrás descritas, as seguintes guigas: de 4 remos a Janota,
a Ondina que se afundou no Tejo em 1882, a Sybilla, a Lançada, a Flirt, a
Attempt e a Nereida.
De
6 remos existiam a Alice, a Corsário, a Rower, a Mizpah, a Branca (de D.
Afonso), a Verde (de El Rei D. Luís) e a Preta (da Rainha), possuíam ainda os
outrigger Swallow, Dark e Light, remavam também em Escaleres e Catraios de 4
remos e nas Canoas dos Yachts de um só homem. Os britânicos Hickie e Mittchell
já remavam nos seus próprios Skiffs. Salientamos também as célebres Guigas
Ophélia de El Rei D. Carlos e a Vega de Sua Majestade a Rainha, com grandes
despiques entre sócioas da Real Associação Naval e do Real Ginásio.
Apesar
do começo da prática e regulamentação do Remo ter acontecido em Lisboa e Paço
de Arcos foi em Cascais que se dinamizou e conheceu um maior incremento.
Tendo
o Rei D. Luís escolhido Cascais para passar a época balnear em 1870 trouxe
consigo a prática do Remo e o divertimento das Regatas. A imprensa da época regista
que a primeira regata de Remo em Cascais terá sido organizada logo em 1872 mas
a partir dessa data as Regatas de Cascais tornaram-se um hábito organizadas
primeiro pela Real Associação Naval e mais tarde também pelo Real Clube Naval
de Lisboa que em 1902 abriu até uma Secção na sua bela Baía.
Nos
Jornais da época o anúncio dos eventos era constante e os Vapores Lisbonenses
criavam carreiras especiais para os entusiastas assistirem às provas. Também ainda
existem, felizmente, inúmeros pósteres das regatas de Cascais onde nos podemos
deliciar com a descrição pormenorizada das provas, dos remadores e remadoras e
as suas toilettes, as actividades anexas tais como o pau ensebado com ou sem
porco no cesto, a caça ao pato e os jantares com baile para a entrega dos
prémios.
Desde
1872 até 1910 a Baía de Cascais foi palco anualmente de inúmeras histórias e
desafios cheios de paixão clubística alguns deles desconhecidos e muito
curiosos.
Até
1880 a Regata de Cascais realizava-se sempre em Setembro. contudo, em 1881 as
provas realizaram-se no dia 2 de Outubro para no ano seguinte voltarem a Setembro
e irem alternando entre estes dois meses até ao fim da Monarquia, quando
Cascais deixou de ter a sua Regata anual.
Escolhemos
algumas histórias e acontecimentos que demonstram a relevância de Cascais no
desenvolvimento da prática do Remo e não só.
A
título de exemplo em 1878 serviu para estrear o Vapor Aurora que levou os vários
convivas à Vila. A viagem demorou uma hora e trinta minutos entre Lisboa e
Cascais e mais dez minutos na volta, lê-se no Diário Ilustrado que era “uma
excelente embarcação com muitas comodidades pertencente à frota da Aldeia
Galega propriedade do sr. França Netto”.
A
Baía ficava inundada de pessoas em terra e dentro de água. Nos Vapores seguia
desde Lisboa uma Banda que tocava para os convidados, parando até em Paço de
Arcos para receber mais passageiros quando a lotação não ia completa.
Em
1881, Segundo a história por altura das regatas de Cascais desse ano
compareceram à prova alguns atletas do Clube Fluvial Portuense que trouxeram o
Escaler Brito Capelo para competir contra o Escaler do Rei. Após as regatas
efectuou-se, como costume, um baile na Cidadela para homenagear os concorrentes
e distribuir os prémios. Sua Majestade El Rei D. Luiz, que presidia ao baile,
notou a falta “dos rapazes do Porto”.
No
dia seguinte D. Luiz enviou os seus ajudantes de campo ao hotel onde estavam
alojados os dirigentes do Fluvial para trazê-los ao Palácio. Na presença de Sua
Majestade os dirigentes ouviram as suas desculpas e informou-os que o clube
iria ser distinguido com o título de Real sem pagar os respectivos direitos.
D. Luiz – o Rei Marinheiro e D. Maria Pia
assistiam sempre às Regatas normalmente passeando numa embarcação à Vela ou a Vapor.
Não temos conhecimento que remasse no entanto o seu Filho D. Carlos e o neto D.
Luiz Filipe deixaram-se converter à saudável prática do Remo.
No
dia 29 de Setembro de 1883 realizou-se uma regata de Guigas com crianças entre
os 7 e 12 anos que disputavam um prémio oferecido pela Rainha, tendo a prova
sido adiada para a Rainha poder estar presente. A partir desta data os mais
novos começaram a integrar as regatas de Remo com frequência.
Nessa
prova os Remadores foram Francisco e Sebastião Gil de Herédia, João Pinto Leite
e o voga Francisco Figueira da Câmara, na Guiga Naiade e na Janota remaram Luis
Trigoso, António Gil de Herédia, Manuel da Cunha e Menezes e voga foi José
Pinto Leite.
Na
regata de 27 de Setembro de 1885 os exploradores Capelo e Ivens participaram nas
provas timonando cada um uma Guiga nas regatas de Remo.
Entre
1884 e 1885, Capelo e Ivens realizaram uma nova exploração em África, primeiro
entre a costa e o planalto de Huíla e depois através do interior até Quelimane,
em Moçambique. Continuaram, então, os seus estudos hidrográficos, efectuando
registos geográfico-naturais mas, também, de carácter etnográfico e
linguístico. Estabeleceram assim a tão desejada ligação por terra entre as
costas de Angola e de Moçambique. Partiram para essa missão a 6 de Janeiro de
1884 e regressaram no dia 20 de Setembro de 1885 tendo sido recebidos
triunfalmente pelo rei D. Luís.
Em
1888 a tradicional regata de Cascais realizou-se a 24 de Setembro e à noite
houve um baile para entrega dos prémios que contou com a presença do Príncipe
Regente D. Carlos e de D. Amélia tendo sido esta a primeira prova presidida
pelo futuro Monarca.
Nesta
regata houve uma prova entre senhoras da sociedade em que remaram as senhoras
D. Margarida e Marianna Salema, Leonor Atalaya, Piedade Asseca, as filhas do
Conde de Sobral, Isabel Ornellas e Gabriela Ferreira Pinto Basto, podemos
afirmar que o evento contribuiu para o início da prática mais regular do Remo
feminino tendo inclusive em 1901 D. Afonso timonado uma guiga de remadoras nas
provas de Cascais.
Na
regata de Cascais de 22 de Setembro de 1889 a Real Associação Naval promove as
Regatas de Remo em linha na distância de uma Milha, imitando o que já se fazia
noutros países. De notar que D. Afonso presidiu a esta Regata.
Em
1896, D. Carlos e D. Amélia passearam-se num escaler de 8 remos durante a
Regata de Cascais organizada pela Real Associação Naval, na qual competiram
nove provas de Remo e seis de Vela. Aquela regata, destacou-se pela grande
adesão do público que acorreu à margem para assistir àquele que foi um dos
maiores eventos desportivos realizados em Portugal. Nesse dia a vila recebeu
seis mil visitantes.
Para
comemorar os aniversários do Rei D. Carlos e da Rainha Dª Amélia, o Real Club
Naval de Lisboa decide realizar as Regatas de Cascais em 29 de Setembro de
1901, a que se seguiram nos anos seguintes, na mesma data, regatas idênticas
que se celebrizaram pelo seu esplendor. A imprensa da época retracta da
seguinte forma esta prova:
-
“ (...) A natureza, querendo hontem
galardoar os esforços de um punhado de rapazes que n´esta terra ainda se
interessam pelo sport náutico, vestiu-se de gala e deu-lhes tudo o que era
necessário para esse fim: vento fresco para as corridas de vela; brisa suave para
os espectadores encalmados; lux difusa para os amadores photograficos – que
eram bastantes, – e mar de leite para as regatas de remos. Isto posto, vamos ao
resultado d´essa bela festa. Sua Magestade El-Rei assistiu a toda a regata, de
bordo do Iate Lya, pertencente a sua augusta esposa. O lindo barco arvorava o
distinctivo do Real Club Naval de
Lisboa. (...)”.
De
certa maneira o Real Clube Naval substituía assim a Real Associação Naval na
organização anual da regata de Cascais.
Em
1906 por altura da disputa da Taça Lisboa e após vários artigos publicados nos
jornais por Alberto Totta do CNL e Carlos Sá Pereira da ANL sobre os atletas
que mudavam de clube para terem melhores condições de treino e embarcações mais
modernas e leves – os trânsfugas -, ambos consideraram-se ofendidos e a
contenda foi mesmo decidida em duelo à espada. Realizou-se no dia 15 de Julho
junto do Farol da Guia, havendo duas testemunhas para cada esgrimista e a
presença de dois médicos. O Mestre António Martins do Ginásio Clube Português foi
nomeado director do combate. O primeiro assalto foi interrompido porque as
armas tocaram no chão e tiveram que ser desinfectadas.
Ao
terceiro assalto porque Alberto Totta tinha sido ferido no cotovelo, pararam o
combate e verificarem que Sá Pereira também já tinha um ferimento no antebraço,
os médicos decidiram então que o combate não podia continuar. Uma das regras
era que o combate terminava com o derramamento de sangue.
Em 1907 nas Regatas em honra do Príncipe D. Luiz
Filipe na qual se disputaram provas de remo, vela e barcos automóveis pela
primeira vez em Portugal, escreveu-se mais uma página de ouro do Remo em
Cascais. Depois de várias derrotas e humilhações dos remadores do Clube Naval e
da Associação Naval contra as tripulações invencíveis dos ingleses do OPorto
Boat Club, o Comodoro Bucknall do CNL, agarrou no seu filho Henry e meia dúzia
de atletas do CNL e levou-os para estágio para uma propriedade que possuía em
Sarilhos. Dos treinos bastante puxados apenas resistiram o seu filho e mais
três jovens que desafiaram e venceram os ingleses nestas regatas de Cascais,
era a primeira vez que alguém os vencia. Deve ter sido, também, o primeiro
estágio de “competição” efectuado no nosso Pais.
Logo a seguir uma tripulação da Real Associação Naval
consegue um feito idêntico e acaba-se o mito dos ingleses do Porto.
O interessante é que Henry Bucknall estudava em Oxford
e tinha vencido a Regata Oxford – Cambridge em 1905. Na tripulação do Porto
estava também Johnstone um seu rival de Cambridge que tinha perdido contra
Bucknall naquele ano de1905 mas vencido as regatas de 1906 e de 1907. Outra nota importante é que estes
dois atletas representaram no ano seguinte a Inglaterra nos Jogos Olímpicos de
1908 em Londres e venceram a medalha de Ouro na prova de oito.
A proclamação da República teve repercussões nos
Desportos Náuticos consequentemente, os clubes apadrinhados pela Família Real
sofreram um duro revés. Foi necessário mudar de nome e de pavilhão. Porém,
lentamente, conseguem reagir reformando os respectivos estatutos, ao mesmo
tempo que diversificam a sua acção, tornando-se mais eclécticos, criando
secções com diferentes modalidades desportivas, a par de uma intensa actividade
cultural e social, patente na organização de festivais náuticos e na promoção
de passeios à vela e a remos que movimentam grande número de sócios,
respectivas famílias e despertam o interesse da sociedade da época. Sem o
mecenato da Família Real e da Nobreza em geral foi necessário conseguir acesso
a outras fontes de financiamento por isso os clubes de Remo procuraram outras
paragens e aproveitaram o apoio das localidades de Vila Franca, Seixal,
Alcochete, Azambuja, e até mesmo Sines organizando provas e passeios nesses
locais. Por este facto só em 1912 é que temos conhecimento de regatas em
Cascais, apesar do CNL ainda possuir a sua secção na Baía. As provas seguintes realizaram-se
apenas em 1916 nas quais a tripulação vencedora era composta por remadores
desta secção do Clube Naval.
O ano de 1916 fica também marcado, através de uma
iniciativa de Charles Bleck, pelas reuniões entre o Ministério da Guerra e os
clubes Náuticos de Lisboa para cedência das embarcações dos sócios da ANL e do
CNL para vigilância dos portos. Os seus sócios foram equiparados ficando com
graduações militares.
Com a I Guerra Mundial muitos atletas foram
mobilizados e alguns acabaram mesmo por perecer em terras longínquas, os clubes
vegetavam , havia falta de mão-de-obra. O Remo outrora Rei, tinha que rivalizar
com outros desportos emergentes tais como a Natação, o Polo Aquático e,
principalmente, o Futebol que começava a roubar adeptos e paixão ao nosso
desporto: até a Taça Lisboa não se realizou em 1917 por falta de remadores
disponíveis.
Em 1925 a FISA, pretendendo homenagear o Remo
português, convidou Portugal para organizar os campeonatos da Europa de 1926.
para o efeito foi nomeado o Presidente da Assembleia Geral da FPR, Álvaro
Lino Franco, como Vice-Presidente
da Federação Internacional de Remo. Pedro Peters, na altura o Presidente da
Comissão Dirigente, deu conhecimento na AG de 5 de Dezembro de 1925 que o
governo de Portugal se tinha comprometido com um subsídio de 500 000$00 para a
organização dos Campeonatos da Europa e também para a dragagem do rio Mondego
na Figueira da Foz, local onde se desenrolaria a prova. O seu não cumprimento pelo
governo motivou a vergonha da FPR, a demissão de Álvaro Franco da FISA e o
castigo a Portugal, tendo sido retirado o apoio da Federação Internacional ao
transporte das embarcações para os Campeonatos da Europa. Tal resultou na
ausência forçada do nosso país durante largos anos às provas internacionais!
Só a 18 de
Setembro de 1927 se voltaram novamente a realizar regatas de Remo na Baía,
desta feita entre o Clube Naval e o Vacum Sports Club, integradas na Festa
Náutica organizada pelo Grupo Náutico Português (clube formado a partir de
alguns entusiastas da Vela sócios descontentes da Associação e do Clube Naval).
O Chefe de estado e o Governo assistiram ao desenrolar destas provas. O
Programa incluía uma Corrida de Hidroaviões, Regatas de Vela, Provas de Natação
e Regatas de Remo. Durante as festividades, realizou-se uma bênção de
embarcações, fogo-de-artifício e os prémios foram distribuídos durante o Baile
no Casino Internacional do Monte Estoril.
As provas serviram para a reabertura oficial da Secção
de Cascais do Clube Naval de Lisboa que receberia, no dia 16 do mês seguinte,
uma tripulação de três Dinamarqueses que seguiam numa Guiga a Remos a caminho
da India, tendo demorado quatro horas e meia entre a Ericeira a Cascais.
Depois em 1929 e no ano seguinte ainda se realizaram
regatas de remo na Baía, mas só em meados dos anos 30 o Remo seria novamente
cabeça de cartaz em Cascais com a organização da I Semana Náutica Internacional
do Estoril que se desenrolou entre os dias 23 e 30 de Agosto de 1936.
Existiram provas de Remo, Vela, Motonáutica e Natação,
mas a Jóia da coroa foi mesmo o Remo cujo programa incluía os dias de França,
do Porto, da Bélgica, da Figueira da Foz, da Inglaterra e, para finalizar, o
dia de Portuga,l onde se disputou a extraordinária Taça Portugal.
Estiveram
presentes atletas de França, Bélgica e Inglaterra. Os portugueses vieram de
Lisboa, Barreiro, Porto e Figueira da Foz. A par das Regatas Internacionais da
Figueira da Foz, foram as manifestações desportivas mais importantes da década,
No
primeiro dia de provas o Presidente da República, General Carmona, esteve
presente e inclusivamente deu a partida para a disputa da Taça de França.
Os
clubes estrangeiros dominaram todos os eventos em que participaram mas no
último dia de provas Cascais volta a ficar na história do remo com a disputa do
primeiro Campeonato Nacional de Outriggers de oito vencido pelo Clube
organizador – Clube Naval de Lisboa - em que participaram também as equipas da
Associação Naval, do Sport Clube do Porto, do Clube Fluvial Portuense e da
Associação Naval 1º de Maio da Figueira da Foz.
Embora
a Semana Náutica previsse a continuidade anual, a saída da Presidência do Clube
Naval do Eng. Abreu Nunes, empresário Cascalense fundador da Junta de Turismo
do Estoril e Director da Sociedade Propaganda de Cascais, inviabilizou os
apoios necessários para a organização da prova no ano seguinte.
Acredito
que em resultado desta sinergia, a maioria dos sócios do Clube Naval da secção
de Cascais juntaram-se ao movimento para a Fundação do Clube Naval de Cascais em
1938 ainda como Clube Náutico Afonso Sanches.
Alguns
destes membros ainda mantinham o gosto pela arte de remar mas a Vela foi sempre
o grande desígnio do Clube Naval de Cascais que mesmo assim se filiou na Federação
em 1943 com cerca de 20 praticantes inscritos e duas embarcações na sua frota.
O objectivo da secção era a prática salutar do remo e o passeio na Baía, porém
distinguimos a tripulação composta por José Antunes Pinto, João Soares, José
Gonçalves, João Galamas e Manuel Marques como timoneiro que representando o
Clube Naval de Cascais no Campeonato de Principiantes em 1945 tiveram uma
excelente participação.
Nascido
no ano seguinte ao Clube Naval, em 1939, a partir da Sociedade Estoril Plage
mas mais para a prática da Natação e do Futebol o Grupo Desportivo Estoril
Praia, inscreveu-se na Federação em 1945 para começar logo a brilhar no
desporto do Remo. Com 45 praticantes federados contava com 3 barcos na sua
flotilha. Um deles de construção Suiça da empresa Stanfli, um Shell 4 de grande
qualidade que mais nenhum clube em Portugal possuía.
Logo
em 1945, 46 e 47 o clube da Linha de Cascais conseguia excelentes resultados
para a região pois verificámos que
nestes anos o Estoril foi Campeão Regional de Principiantes e Campeão Nacional
de Juniores e Seniores com as seguintes tripulações:
Campeões
Regionais de Principiantes Yolle de 1945: Manuel Saldanha, Manuel Matias,
Emílio Sotivy, Fernando Bravo e o timoneiro Orlando Basso
Campeões
Regionais de Juniores Yolle 1945: Manuel Saldanha, Manuel Matias, Mário Lopes
da Costa, Mossod Bilton e Orlando Basso a timonar.
Campeões
Nacionais e Regionais Juniores e Seniores Yolle 1946: Fernando Nunes, Emílio Sotivy,
Mário Lopes da Costa, Manuel Matias e timoneiro Orlando Basso
O
Campeonato Nacional de Yolle de 1946 foi mesmo uma organização do Grupo
Desportivo Estoril-Praia.
Ainda
em 1947 a tripulação do Estoril-Praia composta por: Manuel Saldanha, Alfredo
Morgado, Mário da Costa, Manuel Matias e o timoneiro Orlando Basso tiveram
mesmo o atrevimento de competirem na Regata da Taça Lisboa em Shell 4, nesta
altura já dominada pelos clubes de Aveiro, Porto e Caminha e até abandonada a
sua disputa pelos clubes de Lisboa. Em 1950 Manuel Matias representou ainda os
canarinhos competindo em skiff nos Campeonatos Peninsulares de Remo.
A
nível regional os anos de 1940 e 1950 foram muito severos para os clubes de
Lisboa que viram o Remo de competição desviar-se para Norte onde as águas eram
mais propícias a remar com embarcações de muito frágil construção. A par disso
o desenvolvimento das escolas de remo da Mocidade Portuguesa, com os seus
Centros de Remo esvaziou os clubes que se viram privados de financiamentos e de
atletas o que motivou a sua estagnação.
Lemos
então no relatório da Federação de 1953 que o “Grupo Desportivo Estoril-Praia,
que durante alguns anos se fez representar em provas oficiais, animando as
disputas de regatas na zona a que pertencia, por circunstâncias certamente
alheias à sua vontade, abrandou nos últimos anos o entusiasmo que vinha dando à
modalidade, deixando por completo na época transacta de participar em provas,
acabando por solicitar a sua desfiliação em 18 de Juno de 1953 (…) e líamos
também:
Mais uma desfiliação nos foi solicitada, em 11
de Março, de 1953 e igualmente deferida: a do Clube Naval de Cascais, um dos
mais antigos filiados da Federação e que desde há muito praticamente tinha
paralisado a sua secção de Remo.
Vimos
assim desaparecer o Remo na linha de Cascais, que por pouco não atingia um
século de existência.
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
História do Remo em Portugal - 1828 - 2018 - 190 Anos de História
História do Remo em Portugal
190 ANOS DE HISTÓRIA
Autor:
Carlos Manuel Gomes Henriques
A
prática do Remo em Portugal, enquanto desporto organizado, terá começado em
1828 com a fundação do Arrow Club por Abel Power Dagge, os irmãos Pinto Basto e
alguns elementos da colónia britânica residente na metrópole, segundo
documentos inéditos que nos foram recentemente facultados pela família Dagge.
Do
referido acervo documental constavam as actas de fundação de várias associações
náuticas, a sua correspondência e deliberações das Assembleias Gerais, assim
como memórias de Abel Power Dagge, membro fundador da Real Associação Naval e
do Clube Naval de Lisboa, quiçá o primeiro desportista náutico a existir em
Portugal.
Segundo
José Pontes, no seu livro “Quasi um século de desporto”, a primeira regata de
desportistas amadores oficialmente realizada em Portugal foi de Remo, corria o
ano de 1849, e foi promovida por Abel Power Dagge.
São
célebres, pelo menos a partir de 1852, por ocasião dos festejos anuais de Paço
de Arcos, as Regatas em barcos à vela e a remos, promovidas pelo Conde das
Alcáçovas, por um grupo de aristocratas, alguns deles ligados à Casa Real, e
por elementos da colónia inglesa. A regata de 1853, foi presidida pelo infante
D. Luiz que se fez conduzir a bordo do vapor da Marinha de Guerra Portuguesa
Conde de Tojal. Aproveitando a estadia do barco de guerra inglês Odin, fundeado
na Baia de Paço Arcos, realizou-se uma corrida de remos entre marinheiros
portugueses e ingleses. Do programa de 1854, constava a participação de duas
guigas de 4 remos, tripuladas por “curiosos”.
Na
sequência destes eventos, foi fundada em 1855 a Real Associação Naval, a mais
antiga agremiação desportiva da Península Ibérica e uma das mais antigas do
mundo.
O
interesse despertado pelo «divertimento das regatas», associado ao “gosto e
predilecção” da Família Real pelos passeios a remos no Tejo, deram lugar em
1861, à formação de dois grupos de remadores. O primeiro grupo era composto na
sua maioria por ingleses mesclado dealguns portugueses e, o segundo, era
constituído exclusivamente por indivíduos da colónia alemã. Estes dois grupos
de amadores remavam também em guigas de 8 remos, construídas propositadamente
para esse fim pelos construtores Luís Silvério de Faria e I. C. Dangebau, que
se denominavam respectivamente Lusitânia e Germânia. A guiga Lusitânia,
construída em 1862, tinha 12,80 m de comprimento e 1,83 m de largura, tendo
custado 201,600 reis. Segundo os nossos registos, esta guiga deverá ter sido a
primeira embarcação desportiva de remo construída em Portugal e por um mestre
português. Destes acalorados desafios resulta
então
a fundação, em Lisboa, do Tagus Rowing Club e do Club dos Remeiros Lusitano,
dois dos primeiros clubes de remo instituídos em Portugal.
Numa
época em que o remo desportivo era a modalidade de eleição praticada pela elite
inglesa residente na região norte é fundado, em 20 de Junho de 1866 o Oporto
Boat Club, em 1868 o Clube Naval Portuense e em 1876, o Club Fluvial Portuense,
fundado num antigo café da Ribeira, o Café de Santo Amaro, resultante do
entusiasmo de um grupo de portuenses pelos desportos náuticos. Este último,
ainda em actividade trata-se da colectividade desportiva mais antiga do Norte
de Portugal. O Oporto Boat Club era apenas constituído por ingleses, possuindo
tripulações de muita qualidade e na altura consideradas invencíveis. Segundo as
nossas consultas a sua primeira derrota foi em 1907, sobre a qual tratamos mais
à frente. Na segunda metade do Séc. XIX, a Figueira da Foz era o local de
ferias durante os meses de Agosto a Outubro das elites portuguesas, aparecendo
a veranear também alguns espanhóis. Neste contexto formam-se na Figueira a
Associação Naval Figueirense, com estatutos de 1866 e o Clube Moderno cujos
estatutos datam de 1881. A 14 de Outubro de 1880 funda-se em Setúbal a
Associação Fluvial Setubalense, mostrando-nos que o gosto pelos desportos
náuticos em Setúbal também é muito antigo. Em 1884, ainda por iniciativa de
Abel Power Dagge, foi criado o primeiro Campeonato que se realizou em Portugal.
As regatas foram efectuadas no Tejo durante três anos seguidos, em skiff, como
competidores estiveram os ingleses Hickei e Mitchel e o futuro Barão de
Almeirim, Manuel Braamcamp, que venceu os ingleses e conquistou o Titulo de
Campeão do Tejo, ganhando uma medalha de ouro que usava com orgulho na corrente
do seu relógio. É durante este ano, 1884, que as regatas passam a ser sempre em
linha recta na distância de uma milha aproximadamente. Anteriormente eram
normalmente efectuadas entre duas bóias com ida e volta. Em 27 de Janeiro de
1892, são aprovados os estatutos do Club Naval de Lisboa, já em actividade
desde Novembro de 1891. Com o aparecimento do Clube Naval de Lisboa os
desportos náuticos e o Remo em particular, ganham um notável incremento porque
o recém-criado Clube imprime um grande dinamismo na prática desportiva. No dia
1 de Maio de 1893 é fundada na Figueira da Foz, a Associação Naval 1º de Maio,
a primeira colectividade de cariz eminentemente popular instituída em Portugal,
nascendo segundo Maria Alice Guimarães, como continuidade da Associação Naval
Figueirense. Nesse mesmo ano, a Real Associação Naval e o Real Gimnásium Club
Português criam as suas secções de Remo. Na cidade de Aveiro, em 1894, o
Ginásio Clube Aveirense organiza uma secção de Remo, que mais tarde viria a
chamar-se Clube Mário Duarte. Logo a seguir a 1 de Janeiro de 1895 é fundado o
Ginásio Clube Figueirense, como Clube Gimnastico Velocipedico Figueirense,
porventura a continuação do Clube Ginástico, fundado anteriormente nesta cidade
em 1889. Em 1896, D. Carlos e D. Amélia passearam-se num escaler de 8 remos
durante a Regata de Cascais organizada pela Real Associação Naval na qual
competiram nove provas de Remo e seis de Vela. Aquela regata, destacou-se pela
grande adesão do público que acorreu à margem para assistir àquele que foi um
dos maiores eventos desportivos realizados em Portugal. Nesse dia a vila
recebeu seis mil visitantes. Para comemorar os aniversários do Rei D. Carlos e
da Rainha Dª Amélia, o Real Club Naval de Lisboa decide realizar as Regatas de
Cascais em 29 de Setembro de 1901, a que se seguiram nos anos seguintes, na
mesma data, regatas idênticas que se celebrizaram pelo seu esplendor. Podemos
ler no Livro de actas da Comissão de Regatas do Real Club Naval de Lisboa que
nesta regata existiram provas disputadas por senhoras da sociedade
constituindo, provavelmente, uma das primeiras manifestações de desporto
feminino em Portugal. Aproveitando o apoio e beneplácito do seu Comodoro, Sua
Majestade El Rei D. Carlos, o Clube Naval de Lisboa cresceu e difundiu os
Desportos Náuticos pelo País abrindo secções e Postos Náuticos em Azambuja,
Cascais, Trafaria, Luanda, Lourenço Marques, Portimão, Lagos, Pedrouços e Funchal.
Estas delegações evoluíram mais tarde para os actuais clubes existentes nestas
localidades. No alvorecer do século XX despertava grande interesse as regatas
em guigas de quatro e de seis remos. No entanto, a falta de uniformidade nas
características das embarcações, a que se juntava uma deficiente
regulamentação, suscitavam frequentes conflitos que, em alguns casos, conduziam
à quebra de relações entre as principais agremiações náuticas. Em 1898, no
Centenário da Índia devido a um empate numa regata de Remo os atletas da Real
Associação Naval e do Real Clube Naval envolveram-se numa zaragata que destruiu
a Cervejaria Jansen, no Cais do Sodré, com prejuízos no valor de 400.000 réis
(O Infante D. Afonso quis inteirar-se pessoalmente do ocorrido) e em 1906 houve
mesmo um duelo à espada, em Cascais, entre Alberto Totta do CNL e Carlos Sá
Pereira da ANL, devido a uma regata da Taça Lisboa.
A
necessidade de regulamentação das regatas de Remo mereceu alguma reflexão no
“Congresso Marítimo Nacional”, promovido pela Liga Naval Portuguesa, em 1902,
sem que contudo daí resultasse alguma alteração tendo, no entanto, sido
aprovada a tese “Impulsionamento do rowing nacional. Sua utilização possível na
educação física do povo português”, da autoria de Joaquim Leotte dirigente do
Clube Naval de Lisboa e o grande responsável pela instituição da Taça Lisboa a
prova mais importante do Remo Português.
É
neste contexto que em 1904, a pedido de Joaquim Leotte, a Associação Naval de
Lisboa, o Clube Naval de Lisboa, o Clube de Aspirantes de Marinha e o extinto
Clube Naval Madeirense instituíram a Taça Lisboa em Remo como Campeonato de
Portugal, Taça ainda hoje em competição, constituindo a prova desportiva mais
antiga do nosso país. Assim nasceu a Taça Lisboa e a Convenção que se lhe
seguiu assinada pelos mesmos clubes, a 20 de Abril de 1904. A primeira regata
da taça foi realizada a 29 de Maio, ao longo da muralha da Junqueira, entre as
docas de Santo Amaro e do Bom Sucesso. A Convenção, o primeiro regulamento de
regatas de Remo, estabelece as bases para a regulamentação “das corridas de
embarcações de Remo e tinha como fim último promover “o desenvolvimento do
rowing portuguez”, a ela se devendo orápido desenvolvimento que o Remo atingiu
nos anos que se lhe seguiram.
Nos
Jogos Olímpicos de 1908, Henry Bucknall, o voga da tripulação de Shell 8 de
Inglaterra, que venceu a medalha de ouro, foi remador do Clube Naval de Lisboa.
Filho do seu Comodoro Bucknall, tendo associado a si e a seu pai uma história
de desforra entre o CNL e uns ingleses do Porto, como já tínhamos descrito
anteriormente. Em 1907 depois de várias derrotas e humilhações dos remadores
portugueses contra as tripulações invencíveis dos ingleses do Porto, o Comodoro
Bucknall, agarrou no seu filho e meia dúzia de atletas do CNL e levou-os para
estágio para uma propriedade que possuía em Sarilhos. Dos treinos bastante
puxados apenas resistiram o seu filho e mais três jovens que desafiaram e
venceram os ingleses numa regata em Cascais, era a primeira vez que alguém lhes
ganhava. Deverá ter sido, também, o primeiro estágio de “competição” efectuado
no nosso Pais. Logo a seguir uma tripulação da Real Associação Naval consegue
um feito idêntico e acaba-se o mito dos ingleses do Porto. Em 1908 o Dr.
António Rainha oferece ao Ginásio Figueirense a Taça Mondego para ser disputada
em inriggers de 4 remos na distância de uma milha, por todas as tripulações
nacionais existentes, sempre no rio Mondego. Em 1911 Francisco Bento Pinto
oferece à Associação Naval 1º de Maio a Taça Alzira, disputada no mesmo tipo de
embarcação mas como Campeonato Regional. Segundo o grande dirigente figueirense
Severo Biscaia: “A disputa da Taça Alzira constituía um grande alvoroço e
assunto de todas as conversas, atiravam-se pedras de cima da ponte à passagem
das embarcações, e ouviam-se muitos insultos mútuos pois os do Ginásio eram
finitos que só comiam bifes e bebiam água das pedras e os da Naval uma data de
carroceiros que se alimentavam a vinho tinto e sardinha.” A proclamação da
República teve repercussões nos Desportos Náuticos, sobretudo na Vela com o
desaparecimento dos Yachts Reais. Consequentemente, os clubes apadrinhados pela
Família Real sofreram um duro revés, foi necessário mudar de nome e de
pavilhão. Porém, lentamente, conseguem reagir reformando os respectivos
estatutos, ao mesmo tempo diversificam a sua acção, tornando-se mais
eclécticos, criando secções com diferentes modalidades desportivas, a par de
uma intensa actividade cultural e social, patente na organização de festivais náuticos
e na promoção de passeios à vela e a remos que movimentam grande número de
sócios, respectivas famílias e despertam o interesse da sociedade da época.
Paralelamente, promovem a construção em Portugal dos primeiros barcos a remos
de corrida, nos estaleiros privativos da Associação e do Clube Naval. Decorria
o ano de 1910 quando se funda em Viana do Castelo o Viana Taurino Club o
primeiro desta cidade e que iria começar e dinamizar o desporto do Remo no rio
Lima, contudo já em 1906 no Jornal Aurora do Lima podemos ler que: “nas festas
da Senhora da Agonia realizou-se uma regata de três escaleres a 4 remos”.
Ainda
neste ano Armando Soares Franco, Presidente da ANL oferece uma Taça com o seu
nome para ser disputada pelas Escolas Superiores de Lisboa e Mauperrin Santos,
sócio do Clube Naval, Director da Escola Académica e Presidente da Sociedade
Promotora de Educação Física Nacional (futuro COP) oferece também uma Taça com
o seu nome que seria disputada pelas Escolas Secundarias e Liceus da Capital,
começando então uma nova era no desporto escolar. As regatas eram organizadas
pelo CNL e pela ANL com o patrocínio da CML. Alguns anos mais tarde a Federação
Portuguesa do Remo continuaria a utilizar essas Taças com o mesmo propósito,
nascendo as regatas escolares que se iriam disputar até aos anos sessenta em
Lisboa, no Porto e na Figueira.
Nas
regatas efectuadas nesse ano, a 3 de Outubro pelo Viana Taurino, em Viana do
Castelo, para competição da Taça com o nome do clube, origina-se uma grande
celeuma porque um dos competidores, o Clube Fluvial Portuense, coloca slides no
escaler Porto que vence a regata mas depois é desclassificado, pelos árbitros.
Este episódio fez correr muita tinta nos jornais da época. Na regata
participaram clubes de Viana, Esposende, Vila do Conde e Porto. Ainda na mesma
regata comentou-se o equipamento dos atletas, se devia ser calça ou calções e
lê-se também no Jornal Sport de Lisboa “ (…) A garrafa de excitante despejada à
partida pela tripulação do Viana Taurino Clube, a que se refere o Sr. Silveira,
não passa de uma simples e inofensiva garrafa de água do Vidago (…).
O
ano de 1919 é marcado pela realização, na Figueira da Foz, do Campeonato
Internacional de Remo para comemorar a vitória das forças aliadas da Primeira
Grande Guerra, onde seria disputada a Taça da Vitória que a par da Taça Lisboa
seria a prova mais importante do remo português. Podiam concorrer a este
campeonato todas as colectividades desportivas nacionais e estrangeiras
legalmente constituídas.
A
Taça da Vitória foi instituída pela Associação Naval 1º de Maio e adquirida por
subscrição entre as Nações Aliadas da Grande Guerra e destinava-se a ser
disputada em outriggers de oito remos. As Nações que subscreveram a Taça foram
Portugal, Brasil, América do Norte, Inglaterra, França, Itália, Bélgica,
Servia, China, Japão, Grécia, Sião, Roménia, Honduras, Libéria, Panamá,
Nicarágua e Peru. Também em 1919 formou-se a primeira Selecção Nacional de remo
para os Jogos Interaliados em Paris.
Dado
que não se realizaram os Jogos Olímpicos, as Nações Aliadas organizaram estas
provas, em vários desportos, para moralizar os soldados e aproximar os países
amigos.
Um
misto da ANL e do CNL, representou Portugal e remou em Shell 8 e Shell 4.
No
dia 19 de Fevereiro de 1920 na Sala da Associação Naval de Lisboa reúne-se a
Comissão Organizadora e Iniciadora da Federação Nacional de Remo, com a
participação dos clubes de Lisboa e da Figueira (do Porto não houve resposta à
solicitação mesmo depois de serem enviados dois ofícios), marcando então uma
reunião de delegados oficiais para o dia 10 de Março, sendo contudo no
Congresso Náutico Nacional realizado no Porto, em Abril de 1920, por iniciativa
do Clube Fluvial Portuense com o apoio do Sport Clube do Porto, que a
Associação Naval de Lisboa e o Clube Naval de Lisboa apresentaram as bases, da
Federação Nacional de Remo passando, a partir dessa data, a existir uma
entidade reguladora do desporto do Remo em Portugal. Nesse mesmo congresso são
também instituídos e regulamentados os Campeonatos Nacionais de Remo
Aos
29 dias do mês de Agosto de 1921 reuniram-se na Sala da Associação Naval, os
clubes: Associação Naval de Lisboa, Clube Naval de Lisboa, Associação Naval 1º
Maio, Ginásio Clube Figueirense, Clube Naval Setubalense e Sport Algés e Dafundo
tendo procedido à eleição da primeira Comissão Dirigente da Federação
Portuguesa do Remo que ficou assim constituída:
Presidente
– Dr. Carneiro Prego
Secretario
– Nuno Vasconcelos
Tesoureiro
– José Reis
Vogais
– Augusto Salgado e Carlos Botelho Moniz
Em
1922 a Federação Portuguesa do Remo inscreve-se na FISA, o que lhe permite
fazer-se representar nos campeonatos da Europa em Como, Itália, em 1923, com
uma tripulação de Shell de dois com timoneiro do Sport Clube do Porto e, em
1926, em Lucerna, Suíça, com uma tripulação do Clube Naval de Lisboa que
participa nas provas de quatro com e sem timoneiro.
Os
Campeonatos Nacionais de Remo de 1931, organizados pelo Clube Fluvial Portuense
e pelo Sport Clube do Porto, realizados no Porto, entre o Bicalho e a Alfândega,
destacaram-se pela forte adesão do público que acorreu a ambas as margens para
assistir àquele que foi o maior evento desportivo realizado em Portugal até
aquela data, tendo-se computado uma assistência superior a 50 mil pessoas.
Nesse
mesmo ano, as Regatas Internacionais da Figueira da Foz com provas Natação,
Remo e Vela tiveram igualmente grande adesão por parte do público,
contabilizando-se cerca de 25 mil assistentes.
A
realização, a partir da década de trinta, dos Campeonatos Escolares de Remo,
organizados pela Federação Portuguesa de Remo e a criação a nível estatal dos
Centros de Remo da Mocidade Portuguesa, movimentaram um maior número de
praticantes, facto que se reflecte no fomento da modalidade.
Nos
anos quarenta organizaram-se várias e diferentes provas destacando em 1944 o I
Campeonato de Remo para empregados das Companhias de Seguros, Torneios da
Mocidade, o Campeonato Peninsular em 42,43 e 45, e um Campeonato Nacional
Universitário em 1945. Em 1947 a FPR organizou a 1ª Conferência Nacional de
Remo, publicando também um anuário. No ano de 1948 Portugal inicia a sua
participação nos Jogos Olímpicos, aproveitando as excelentes performances das
célebres tripulações do S. C. Caminhense e do Galitos de Aveiro. Em
1952,1960,1972,1992,1996 e recentemente em 2008 volta a marcar presença nestes
eventos. É na década de quarenta que também se conjectura sobre a construção de
uma pista de Remo na Cruz Quebrada, em Lisboa, na Barragem do Ermal, em Braga
ou na Pateira de Fermentelos, em Aveiro, desenrolando-se uma acesa discussão
sobre o melhor local.
Os
anos sessenta destacaram-se pelo início da competição dos Jogos Luso
Brasileiros e em 1966 foram criados os escalões etários para os mais jovens,
como categoria de remadores.
A
partir de 25 de Abril de 1974, dá-se início a uma nova etapa no desenvolvimento
do Remo desportivo, pautada pelos princípios de democratização do desporto,
definidos na política estatal da época, tendo em vista a massificação da
modalidade. No âmbito desta política, a Direcção Geral dos Desportos,
implementa Planos de Desenvolvimento da Modalidade. Em 1976, inicia-se o
processo de formação de treinadores, sistematizados em vários graus. É
estabelecido um intercâmbio com a Polónia com a vinda da equipa olímpica polaca
durante todo o mês de Fevereiro, tendo, no âmbito do mesmo, sido dada formação
a um elevado número de técnicos nacionais. Paralelamente, assiste-se à criação
de Escolas de Remo da DGD por todo o país.
Nos
anos 80, a ANL introduziu a variante de Remo Indoor em Portugal organizando, em
1992, o primeiro Campeonato Nacional de Remo Indoor que conta com um elevado
número de participantes.
Em
1985, realiza-se o primeiro Congresso de Remo, na Figueira da Foz onde, pela
primeira vez, se reúnem todos os agentes desportivos que participam na vida da
modalidade, tendo-se debatido amplamente os problemas do Remo. No ano seguinte
o Remo passa a integrar as modalidades com planos de Alta Competição que a Direcção
Geral dos Desportos apoia.
Após
esporádicas presenças em 1962 e 1982, Portugal inicia, em 1986, a sua
participação regular e sistemática em campeonatos do mundo de remo com uma
presença em Inglaterra. Dois anos depois, Henrique Baixinho, skiffista peso
ligeiro, classifica-se em 4º lugar no Campeonato do Mundo de Milão.
Em
1985 disputa-se em Óbidos um Oxford – Cambridge em Shell de oito, numa pista já
balizada, embora de forma rudimentar. Também neste ano são iniciados cursos de
remo para cidadãos com deficiência.
Em 1989 são redigidos os novos estatutos
e os treinadores criam a sua própria estrutura – o Conselho de Treinadores. A
década de 90 é marcada pelo aumento de participações em competições no
estrangeiro e pela obtenção dos resultados mais significativos na História do
Remo nacional, destacando-se: A conquista, em 1990, da primeira medalha na Taça
das Nações com uma tripulação feminina em double-skull. No ano seguinte,
novamente uma tripulação feminina conquista mais uma medalha na Taça das
Nações, uma medalha nas regatas internacionais de Lucerna e atinge a final A no
Campeonato do Mundo; Em 1994, a conquista da primeira medalha num campeonato do
mundo com uma tripulação de quadri - skull peso ligeiro. Em 1999, uma
tripulação de double-skull masculino, Artur Antunes e Bruno Mascarenhas,
conquista o seu primeiro título Mundial, no Campeonato do Mundo de Juniores em
Plovdiv, Bulgária. A publicação de legislação sobre o regime jurídico das
federações, em 1993, implica que estas alterem os seus estatutos para poderem
ser consideradas de utilidade pública desportiva. Em Lisboa realiza-se a
Conferência Anual FISA de Treinadores com a presença de técnicos de todo o
mundo. Em 1997 tem início o plano de apetrechamento dos clubes, apoiado pela
Federação, que viria a contemplar mais de 100 embarcações, dezenas de
ergómetros e centenas de remos. Três anos mais tarde, cinco árbitros
portugueses obtêm a licença internacional e, quatro deles, passam a partir
desta data a marcar presença nas grandes regatas internacionais, incluindo
campeonatos do mundo. José Nunes é eleito Presidente da Comissão do Remo
Adaptado, sendo o primeiro português a ter assento nas estruturas executivas da
Federação Internacional, devendo-se ao seu excelente desempenho nesse cargo, a
participação do Remo Adaptado, pela 1ª vez nos jogos olímpicos em Pequim. Em
2002, depois de um processo iniciado em 1997, é inaugurada a pista de Montemor
– O – Velho, obedecendo o seu projecto às especificações da FISA para pistas
internacionais. Em 2003, e depois de uma primeira participação no ano anterior,
uma tripulação de Remo Adaptado de Soure conquista a primeira medalha num
campeonato do mundo. A prática desportiva do Remo tem-se diversificado nos
últimos tempos e encontramos hoje também nos planos de actividade federativos
além da competição o Remo Indoor, o Remo de Mar, o Remo Adaptado e o Remo de
Turismo. A conquista do primeiro título mundial da sua história, em 1999, a
organização do Congresso Extraordinário da FISA na cidade do Porto em 2001, com
a presença de 200 delegados de 60 países, e a realização em Montemor – O –
Velho, em Agosto de 2002, da Coupe de la Jeunesse, competição onde estiveram
presentes 400 participantes de 10 países europeus, deram à Federação e ao País,
uma visibilidade exterior impensável poucos anos atrás, o que originou através
de um grande empenho da Federação Portuguesa do Remo e do Governo, a conquista
da organização do Campeonato da Europa de 2010 ao fim de 86 anos, o que
motivou, até um castigo a Portugal pela FISA, devido ao facto de em 1924 e 1954
os Governos de então não terem apoiado a organização do evento já destinada a
Portugal. Em 2004 Carlos Henriques e André Correia presidentes do CNL e ANL
organizaram a regata comemorativa do Centenário da Taça Lisboa no mesmo local
da 1ª prova e um Jantar no Museu de Marinha. Nessa regata o Náutico de Viana
vence o Troféu Centenário, um Jarrão oferecido propositadamente pela Vista
Alegre. A prova foi um sucesso de participação a nível de clubes e um record de
espectadores nas provas organizadas em Lisboa. Esta Regata serviu de ensaio
para a Regata comemorativa dos 150 Anos da ANL.
Encerrando as comemorações dos 150
anos da ANL, a Lisboa Classic Regatta teve nesse ano como
ponto alto uma inédita disputa entre as Universidades de Oxford e
Cambridge.
Em 2005, a mítica Universidade de
Cambridge esteve pela primeira vez em Lisboa, e foi derrotada pela Selecção de
Lisboa, numa regata inédita em Yolle de 8. Este desaire não deixou de causar
alguma surpresa, já que a equipa inglesa disputa anualmente com Oxford uma das
mais conceituadas regatas a nível mundial.
Voltaram-se a efectuar estas provas em
2007 e 2008 sempre com um grande êxito e com a chancela do Comodoro da ANL
André Correia.
Depois de algumas provas de selecção
atribuladas, querelas dos treinadores da selecção com o treinador do Sport
Clube do Porto e com o treinador particular dos atletas Pedro Fraga e Nuno
Mendes, a tripulação de Double-Skull Peso Ligeiro conseguiu o apuramento para
os Jogos Olímpicos de Pequim e teve uma excelente prestação conseguindo chegar
às Meias-Finais ficando em 8º na Geral, melhor só a equipa do Galitos de Aveiro
uns anos antes.
Nos Jogos Paralímpicos tivemos a
participação de Filomena Franco.
A Federação Portuguesa do Remo
participou activamente na fundação do Comité Paralímpico de Portugal e Carlos
Henriques é eleito para a sua Comissão Executiva em representação do Remo
português. O Remo Adaptado está em franco desenvolvimento em Portugal, com
aumento do número de atletas e participação internacional nos Jogos
Paralímpicos e Global Games, contando já com medalhas nos campeonatos do Mundo
da Modalidade.
Em Avis, local privilegiado, para o
treino do Remo dos clubes do Distrito de Lisboa e Setúbal, um antigo atleta
internacional, Luís Teixeira desenvolveu um projecto meritório – Avizaqua –
onde existe um centro de estágio, com um Hotel, Restaurante, Ginásio e Piscina,
entre outras comodidades num ambiente de treino fantástico, que segundo ele: “o
edifício é inspirado numa folha e na sua queda no solo transformando-se num
elemento orgânico que acompanha as curvas de nível do terreno sem danificar a
estrutura arbórea existente.”
Numa Pista de Remo totalmente renovada,
Montemor foi palco em 2010 do Campeonato da Europa de Remo, organizado pela
FPR, avançando também a construção dos Centros de Alto de Rendimento de
Montemor e do Pocinho, locais que irão permitir um aumento da qualidade de
treino aos atletas da Selecção Nacional. Nesta Regata Pedro Fraga e Nuno Mendes
sagraram-se Vice Campeões da Europa em double-skull Peso Ligeiro.
A paralímpica portuguesa Filomena Franco
conquistou a medalha de bronze na prova de Skiff (AS) dos Campeonatos do Mundo
de remo, que decorreram no lago Karapiro, na Nova Zelândia."A prova correu
muito bem, apesar do vento, que obrigou a um controlo muito grande do
barco", disse Filomena Franco, uma atleta paraplégica, em declarações à
Agência Lusa.
Filomena Franco, que terminou a prova de
1000 metros em 07.37,36 minutos atrás da brasileira Cláudia Santos (06.47,60) e
da francesa Nathalie Benoit (06.43,18), lembrou que o seu grau de lesão "é
bastante maior do que os das duas primeiras classificadas".
Depois de ter estado em Pequim2008 por
convite, no ano que marcou a estreia do remo nos Jogos Paralímpicos, Filomena
Franco garantia que agora sonha com uma presença em Londres 2012. "Estou
no caminho certo, corri com as melhores do Mundo. Quero chegar mais longe, sei
que tenho muito que trabalhar, mas quero estar em Londres", referiu. Nos
Jogos de Pequim 2008, Filomena Franco ficou em 11.º lugar na final B, tendo
então admitido que o seu objectivo "era chegar ao fim".
Nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres a
dupla de Peso Ligeiro Pedro Fraga – Nuno Mendes conseguiram uma prestação
espetacular, apurando-se para a Final A onde conseguiram um extraordinário 5º
lugar. Ainda neste ano, em Varese – Itália, esta dupla voltou a ficar em
segundo lugar nos Campeonatos da Europa.
Filomena Franco conseguiu também
participar nos Jogos Paralímpicos de Londres.
Em 2013 Pedro Fraga venceu duas provas
da Taça do Mundo em Skiff Peso Ligeiro (Lucern e Eton Dorney) tornando-se o
primeiro português a alcançar este feito, sagrando-se ainda Vice-campeão da
Europa nos Europeus de Sevilha. No Campeonato do Mundo desse ano, na Coreia
igualou a prestação de Henrique Baixinho, em 1988 e obteve o 4º lugar em Skiff
Peso Ligeiro.
No ano seguinte em Belgrado, mais um
feito para este atleta, em Belgrado na Sérvia subiu ao mais alto degrau da
prova e sagrou-se Campeão da Europa em Skiff peso ligeiro.
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