LARGADA
ASPECTOS MECÂNICOS

Quando o remo está na perpendicular ao barco
(90° em relação ao eixo longitudinal do barco) a pressão que a água exerce
sobre a pá é paralela à linha de avanço do barco. O trabalho produzido gera um
avanço do barco em linha reta.
Quanto mais o remo se afasta da
perpendicular, maior é a percentagem de trabalho usado para desviar o barco da sua reta. Essa percentagem
é maior no início da remada (quando a pá está à proa) do que no final (popa),
devido à diferença da força do remador nestas duas posições, bem como ao fato
de que a remada é mais longa na proa do que na popa.
Do ponto de vista mecânico, a faixa entre 70 e 110°
é a mais produtiva para o avanço
do barco.

ASPECTOS BIOMECÂNICOS
A força
das pernas é tanto maior quanto maior for o ângulo coxas/pernas. À medida que
esse ângulo diminui – como na posição de ataque, por exemplo – a força das
pernas também diminui.
No final da remada, a posição
do remador é bastante forte: suas
pernas estão estendidas, os seus pés
apoiados no finca-pés e o tronco em posição
vertical.
Pelas razões expostas, o barco deve ser posto em movimento
através de uma série de remadas muito fortes
– para vencer o estado de
inércia em que se
encontra, mas curtas no
ataque – para fazer
o barco avançar sem desviá-lo da
reta, e longas no final
– para aproveitar o facto que o remador
está numa posição forte e que o final da remada interfere menos
no percurso do barco.
Para que este objetivo seja
alcançado, é preciso executar as ações e assumir as posições que produzam a
máxima força e maximizem o desempenho da embarcação.

ÂNGULOS DA REMADA, NA PARTIDA

PREPARAÇÃO PARA A PRIMEIRA REMADA
- Os Pés totalmente apoiados no finca-pés.
- Todos os remos a 60° em relação
ao barco (damos 10° de “desconto.” para a distância que a pá vai deslizar,
até ganhar apoio na água).
- Pás na vertical
e muito bem cobertas.
- Remos bem encostados na forqueta.
- Carrinhos a ¾ das calhas.
- Tronco ligeiramente à frente da vertical, com ombros paralelos
ao remo na ponta.
- Os dois braços totalmente estendidos nos cotovelos e nos pulsos.
A PRIMEIRA
REMADA
Várias
coisas devem acontecer sincronizadas e simultaneamente:
- Ao sinal de partida, a pá deve ser bem afundada, para
encontrar resistência (obtém-se isso levantando as mãos e levando os
ombros para trás)
- As pernas empurram firmemente contra o finca-pés, em sincronia com os movimentos para afundar
a pá, descritos acima. O objetivo é
lançar todo o peso do corpo para
trás. O carrinho não pode fugir.
- É preciso gerar
a máxima força possível.
- No começo da remada, os
braços continuam estendidos, apenas transmitindo a
força das pernas e do tronco para
a pá. Eles entrarão em ação à
medida que a remada se for desenvolvendo.
- As Pernas, o tronco e os braços devem
terminar juntos a remada.
- O tronco não
deve cair muito à ré, para que a próxima ida ao ataque seja muito
rápida.
MUITO IMPORTANTE: Na primeira remada, a água precisa ser
“espremida” e não “espancada”.
A tripulação precisa sentir o barco
deslocar-se para a frente, durante a
primeira remada. Pressionar violentamente
o finca-pés e puxar violentamente
o punho do remo faz
o barco – que está
parado - andar para trás
e a pá deslizar muito na água. O barco
não pode ser deslocado
com solavancos.
A SEGUNDA
REMADA
Concluída a primeira remada,
a ida ao ataque precisa de ser muito rápida, para que a
segunda remada
comece antes que o barco tenha
qualquer chance de perder velocidade.
- Carrinhos a meia calha
- Remos a 70° em relação
ao barco
- No ataque, tronco ligeiramente inclinado à frente e menos virado para o remo do que na primeira remada, na ponta. Braços totalmente estendidos nos cotovelos e nos pulsos, durante a
primeira parte da remada.
- Pés totalmente apoiados no finca-pés.
- Máxima
força nas pernas.
- O tronco não
deve cair muito para trás.
A TERCEIRA REMADA
É praticamente
a repetição da primeira remada, exceto pelo movimento do tronco,
pois, devido à velocidade adquirida pelo barco
(que reduz a resistência na pá) já não é necessário
buscar a
Posição vertical. O empurrão de
pernas deve ser bem sincronizado
com o movimento do tronco.
- Todos os remos a 60° em relação ao
barco
QUARTA, QUINTA
E SEXTA REMADAS
A partir
da quarta remada, a abertura vai
aumentando. A quarta remada
começa aos 55°, a quinta
aos 50° e a sexta aos 45° em relação
ao barco. Caso a tripulação esteja habituada a remar ainda
mais longo, deverá continuar
aumentando progressivamente o tamanho da remada.
A
velocidade crescente do barco fará diminuir o tempo gasto na passagem na água,
apesar do maior comprimento da remada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
- Nas remadas da largada, o equilíbrio do barco e
o sincronismo dos remadores são fundamentais.
- Os finais das remadas devem
ser fundos e apertados.
- As mãos devem
ser afastadas muito rapidamente.
- Em provas de seniores, a partida representa
cerca de 4% do tempo total
da prova; em provas
de masters (1.000 m), cerca de 8%. Nestas, as
hipóteses de corrigir erros de largada são muito
pequenas.
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