segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sugestões para uma boa Largada

 

 

LARGADA

 

ASPECTOS MECÂNICOS


Quando o remo está na perpendicular ao barco (90° em relação ao eixo longitudinal do barco) a pressão que a água exerce sobre a pá é paralela à linha de avanço do barco. O trabalho produzido gera um avanço do barco em linha reta.

 

Quanto mais o remo se afasta da perpendicular, maior é a percentagem de trabalho usado para desviar o barco da sua reta. Essa percentagem é maior no início da remada (quando a pá está à proa) do que no final (popa), devido à diferença da força do remador nestas duas posições, bem como ao fato de que a remada é mais longa na proa do que na popa.

Do ponto de vista mecânico, a faixa entre 70 e 110° é a mais produtiva para o avanço do barco.

 


 

ASPECTOS BIOMECÂNICOS

A força das pernas é tanto maior quanto maior for o ângulo coxas/pernas. À medida que esse ângulo diminui – como na posição de ataque, por exemplo – a força das pernas também diminui.

No final da remada, a posição do remador é bastante forte: suas pernas estão estendidas, os seus pés apoiados no finca-pés e o tronco em posição vertical.

Pelas razões expostas, o barco deve ser posto em movimento através de uma série de remadas muito fortes para vencer o estado de inércia em que se encontra, mas curtas no ataque para fazer o barco avançar sem desviá-lo da reta, e longas no final para aproveitar o facto que o remador está numa posição forte e que o final da remada interfere menos no percurso do barco.

Para que este objetivo seja alcançado, é preciso executar as ações e assumir as posições que produzam a máxima força e maximizem o desempenho da embarcação.


ÂNGULOS DA REMADA, NA PARTIDA

 

 

PREPARAÇÃO PARA A PRIMEIRA REMADA

 

- Os Pés totalmente apoiados no finca-pés.

- Todos os remos a 60° em relação ao barco (damos 10° de “desconto.” para a distância que a vai deslizar, até ganhar apoio na água).

- Pás na vertical e muito bem cobertas.

- Remos bem encostados na forqueta.

- Carrinhos a ¾ das calhas.

- Tronco ligeiramente à frente da vertical, com ombros paralelos ao remo na ponta.

- Os dois braços totalmente estendidos nos cotovelos e nos pulsos.

A PRIMEIRA REMADA

Várias coisas devem acontecer sincronizadas e simultaneamente:

- Ao sinal de partida, a deve ser bem afundada, para encontrar resistência (obtém-se isso levantando as mãos e levando os ombros para trás)

- As pernas empurram firmemente contra o finca-pés, em sincronia com os movimentos para afundar a pá, descritos acima. O objetivo é lançar todo o peso do corpo para trás. O carrinho não pode fugir.

- É preciso gerar a máxima força possível.

- No começo da remada, os braços continuam estendidos, apenas transmitindo a força das pernas e do tronco para a pá. Eles entrarão em ação à medida que a remada se for desenvolvendo.

- As Pernas, o tronco e os braços devem terminar juntos a remada.

- O tronco não deve cair muito à ré, para que a próxima ida ao ataque seja muito rápida.

MUITO IMPORTANTE: Na primeira remada, a água precisa ser “espremida” e não “espancada”. A tripulação precisa sentir o barco deslocar-se para a frente, durante a primeira remada. Pressionar violentamente o finca-pés e puxar violentamente o punho do remo faz o barco que está parado - andar para trás e a deslizar muito na água. O barco não pode ser deslocado com solavancos.

 

A SEGUNDA REMADA

Concluída a primeira remada, a ida ao ataque precisa de ser muito rápida, para que a  segunda  remada comece antes que o barco tenha qualquer chance de perder velocidade.

- Carrinhos a meia calha

- Remos a 70° em relação ao barco

- No ataque, tronco ligeiramente inclinado à frente e menos virado para o remo do que na primeira remada, na ponta. Braços totalmente estendidos nos cotovelos e nos pulsos, durante a primeira parte da remada.

- Pés totalmente apoiados no finca-pés.

- Máxima força nas pernas.

- O tronco não deve cair muito para trás.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A TERCEIRA REMADA

É praticamente a repetição da primeira remada, exceto pelo movimento do tronco, pois, devido à velocidade adquirida pelo barco (que reduz a resistência na pá) não é necessário buscar a

Posição vertical. O empurrão de pernas deve ser bem sincronizado com o movimento do tronco.

- Todos os remos a 60° em relação ao barco

QUARTA, QUINTA E SEXTA REMADAS

A partir da quarta remada, a abertura vai aumentando. A quarta remada começa aos 55°, a quinta aos 50° e a sexta aos 45° em relação ao barco. Caso a tripulação esteja habituada a remar ainda mais longo, deverá continuar aumentando progressivamente o tamanho da remada.

 

A velocidade crescente do barco fará diminuir o tempo gasto na passagem na água, apesar do maior comprimento da remada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

- Nas remadas da largada, o equilíbrio do barco e o sincronismo dos remadores são fundamentais.

- Os finais das remadas devem ser fundos e apertados.

- As mãos devem ser afastadas muito rapidamente.

- Em provas de seniores, a partida representa cerca de 4% do tempo total da prova; em provas de masters (1.000 m), cerca de 8%. Nestas, as hipóteses de corrigir erros de largada são muito pequenas.

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