terça-feira, 1 de abril de 2025

 O Desporto e o Remo no Clube Ferroviário contando com o Grupo Desportivo da CP, agradeço ao Site do Ferroviário e ao Mário Melo

 

Breve História do Clube Ferroviário de Portugal e origem do Remo no Clube

 

Na última década do séc. XVIII a nobreza e a burguesia abastada trouxeram para Portugal o conceito de Sportman – cavalheiro que pode e sabe aliar o caráter recreativo do jogo aos benefícios da atividade física. Por forte influência das colónias inglesa e alemã o Remo e Vela começaram a ser praticados no nosso País mais tarde a Esgrima, a Natação, a Ginástica e o Futebol foram aparecendo na prática pelos Amadores.

 

Esta dimensão lúdica era privilégio da aristocracia, pois para o povo trabalhador, remar ou velejar significavam canseiras da labuta na faina fluvial, não sendo também partilhado com as classes médias, que tinham o tempo consumido com trabalho.

 

Há notícias de uma Regata de Remo em 1849 e A primeira “Carreira de Barcos”, era assim que se denominava a regata, foi organizada por Abel Power Dagge, Edward Shirley, Alex Hudson e G. A. Hangcock em1850. Na reunião de preparação desta regata esteve presente o comandante da escuna britânica Vixen onde o júri da prova estaria instalado. A 19 de Agosto de 1852 realizou-se outra regata em Belém que teve a honra de ser divulgada no Jornal inglês The Illustrated London News do dia 11 de Setembro. Para estas organizações foi escrito um “Regulamento de Regatas no Tejo”

O interesse despertado pelo «divertimento das regatas», associado ao “gosto e predileção” da Família Real pelos passeios a remos no Tejo, deram lugar em 1861, à formação de dois grupos de remadores. O primeiro grupo era composto na sua maioria por ingleses mesclado de alguns portugueses e, o segundo, era constituído exclusivamente por indivíduos da colónia alemã

A mudança do pensamento desportivo veio a acontecer no início do sec. XX (e com mais consistência depois do fim da Primeira Guerra Mundial) sob os princípios dos valores republicanos da Instrução Publica com a introdução da Educação Física e Saúde nos bairros operários

 

PREAMBULO

Em 1915, perante o agravamento dos preços dos bens de primeira necessidade e consequente diminuição do poder de compra, resultante do desenrolar da I Guerra Mundial, a maior empresa ferroviária do país, com cerca de 7500 ferroviários efetivos nos quadros, aprova um conjunto de medidas para minorar as dificuldades do pessoal. Assim, a 30 de dezembro de 1915, a CP decide conceder um subsídio denominado de "subsídio acidental" para minorar as dificuldades dos seus funcionários.

Esse subsídio consistia na atribuição monetária aos funcionários, casados ou viúvos, com dois ou mais filhos ou enteados dependentes. Além dos filhos, eram também considerados para efeito de atribuição do subsídio, os pais, avós, irmãos e netos que estivessem a cargo do funcionário.

Em 1924, o subsídio continuava a ser abonado aos trabalhadores e alterou a sua designação para subsídio de família (é de notar que apenas em 1942, o regime de abono de família viria a ser instituído em Portugal e atribuído com limitações).

Já desde a implantação da Républica, se vinha desenvolvendo o anterior movimento de associativismo laboral e solidário e, com a consagração destes subsídios gerou-se um espírito em que foi bem aceite a formação de um clube de empresa destinado aos ferroviários, contudo, e tanto quanto se sabe, só em 1928 essa atividade teve expressão organizada com o nascimento do Grupo Desportivo da CP, sendo seguido, em 1934, com a criação do Ateneu Ferroviário que veio dar resposta às atividades culturais e recreativas como o Grupo Cénico, a Banda de Música e os espetáculos em datas festivas.

Nas três décadas seguintes, muitas destas atividades tiveram lugar em sedes com poucas condições espalhadas por vários espaços que a CP detinha em Lisboa (Campolide, Príncipe Real, Xabregas entre outros)

A constituição destas associações foi tendo um papel importante na afirmação das atividades culturais e de competição desportiva que sucederam aos antigos espetáculos de ostentação até que, nos últimos anos da década de cinquenta, um evento internacional veio alterar radicalmente a situação.

Com efeito, e para dar resposta condigna a um evento de contornos internacionais patrocinado pela USIC (Union Sportif Internacional des Cheminots) que seria organizado pelos ferroviários portugueses, a Administração da CP decidiu construir um espaço condigno para receber tão ilustre delegação.  Em simultâneo patrocinou e estimulou a união das duas estruturas existentes (cultural – O ATENEU FERROVIÁRIO, e desportiva – o GRUPO DESPORTIVO da CP), o que veio a acontecer a 15 de dezembro de 1961 com o nascimento do CLUBE FERROVIÁRIO DE PORTUGAL.

Desta fusão resultaram uns estatutos e uma nova imagem do recente Clube, onde passaram a constar o emblema, bandeira, flamula e equipamentos a utilizar:

 


 


Relativamente ao Remo no CFP, consta-se que terá começado com a deslocação dos trabalhadores vindos da margem Sul para trabalhar nas Oficinas Gerais da CP que atravessavam o Rio Tejo de barco a remos, tanto na vinda, como na ida faziam competições entre si, pelo que se justificou a existência de um Posto Náutico que foi inicialmente construído junto às oficinas de Xabregas.

Mercê da má qualidade destas águas para a prática do Remo como modalidade desportiva foi transferido e inaugurado em 17 de Abril de 1966 um novo Posto Náutico, aproveitando um dos edifícios das oficinas e armazéns existentes no terminal de Alcântara-Mar, junto à Doca de Santo Amaro, na Junta de Freguesia de Alcântara.

Neste momento o Clube Ferroviário de Portugal é um clube desportivo, cultural e recreativo. Praticando diversas atividades, que têm um papel importante nas áreas geográficas das Juntas de Freguesia de S. Vicente, Marvila e Alcântara, onde se encontram as várias instalações do Clube.

 - A Sede que funciona na Rua de Santa Apolónia 59-63, em Lisboa, desde a sua criação em 1961. O edifício integra um terraço – com bar-restaurante, esplanada de 250 metros quadrados e uma das melhores vistas da cidade – um salão e vários ginásios nos pisos inferiores, com várias atividades acessíveis aos sócios do clube.

 Nesta Sede, temos centralizadas as modalidades desportivas de Voleibol Feminino, Atletismo, Kosho Ryu Kenpo, Fitness (TRX e Total Condicionamento) e Ténis de Mesa. Temos ainda outras atividades, como Atelier de Desenho, Danças de Salão, Coro, Tango e Pole-Dance.

 

 - No Complexo Desportivo de Marvila – vulgarmente conhecido pelo “Campo da CP” – o Clube Ferroviário de Portugal possui:

·         um campo relvado para a prática de Futebol de 11,

·         um novo campo multifuncional apto a receber as modalidades de Futsal, Basquetebol,  Andebol e Ténis.

·          novos balneários remodelados e funcionais

·         Iluminação capaz de receber oficialmente jogos noturnos

 

 



 - No Posto Náutico de Alcântara-Mar

 Não se conseguiram até hoje, documentos que nos levem a afirmar uma data para o início do Remo no âmbito do Desporto Ferroviário, seja a que o Clube Ferroviário de Portugal possui na sua sede (Fig.2). Esta taça tem a seguinte inscrição: Taça de El Rei – 19.10.1880 – Regata de Cascais. É uma taça em prata trabalhada. Vários documentos existem a exaltar a Vela do Clube Ferroviário. Em 1890 nas Regatas da Trafaria existe uma inscrição na prova em papel timbrado da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses

 Em 1943, aceitando um convite do Barcelona, participou naquela cidade numa Regata de mar em Yolle de Quatro. A tripulação do Ferroviário conquistou o primeiro lugar. A imprensa da época tanto o Jornal La Lunes como o Jornal La Prensa não pouparam elogios á tripulação do Clube Ferroviário de Portugal.

Num passado mais recente, no Campeonato do Mundo disputado em Atlanta nos Estados Unidos, a equipa Portuguesa representada por dois remadores do Clube Ferroviário de Portugal conquistaram um brilhante 3.º lugar (Medalha de bronze), sendo o único Clube Português até hoje com duas medalhas em Campeonatos do Mundo.

 

Atualmente o Clube Ferroviário de Portugal disputa os Campeonatos Nacionais de Remo em várias categorias.

Neste momento, tem diferentes classes de Remo:

APRENDIZAGEM, MANUTENÇÃO e COMPETIÇÃO. Dedica-se também ao Remo de Lazer, e mais recentemente também ao Remo de Mar

Estas instalações do Posto Náutico desde a sua inauguração em 17 de abril de 1966, tem vindo progressivamente a sofrer melhoramentos possuindo neste momento, várias áreas como:

-          Hangar das embarcações, de Remo olímpico, de Remo de mar, de aprendizagem e Lazer

-          Possui tanques para Remo com capacidade para 12 remadores. O maior do País com 2 zonas de treino diferenciado,

-          Vários ginásios para remo indoor (ergómetros) e musculação,

-          Áreas de apoio como balneários, estaleiro, oficina, secretaria, sala de troféus, etc.

Tem em funcionamento permanente diferentes classes de Remo: aprendizagem, manutenção e competição