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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O esforço do remador

O ESFORÇO DO REMADOR


Ramalho Ortigão descreveu o Remo com esta frase soberba:
“ De calças arregaçadas e pernas nuas, com o peito ao vento, a elasticidade de um bom remo espadeirando a água comunica-se ao nosso arcaboiço e parece que, nesse exercício triunfal, todos os ossos cantam, como canta o estropo do couro cru, amarrado ao tolete, quando se pica a voga.
Dizem os do Algarve que, para remar, tudo puxa desde as unhas dos pés, até às pontas dos cabelos.
Quando se rema estirado, pranchando o corpo todo no mergulho do remo, o esforço empregado distribui-se igualmente por todos os músculos das pernas, dos braços, do tórax e dos rins, dando a máxima plenitude da força, a mais intensa sensação de poder e de vitória.
Remar, é dizer ao Oceano – chega-te para trás que vai aqui um homem! – e ver o Oceano obedecer.”  
Atendendo a que o Remo desenvolve bastante toda a estrutura muscular e articular do corpo humano, não é um desporto pesado nem desaconselhável. Pode ser mesmo recomendável para pessoas com problemas de peso, asma e diabéticos. A sua prática pode ser efectuada por pessoas de todas as idades e sexo.

A prática do desporto do Remo tem uma vertente recreativa, para manutenção do corpo e da mente e competitiva, mais exigente, com Campeonatos Nacionais, Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos.
Aos atletas de competição existe a obrigatoriedade de pelo menos um treino diário, tendo como objectivo a melhoria da performance da força, velocidade, resistência e flexibilidade. Sendo um desporto essencialmente colectivo, a sua prática fundamenta-se em sucessivos e cadenciados movimentos do corpo e dos remos. A água é transformada no ponto de apoio do remo num movimento coordenado e ritmado dos remadores com o objectivo de projectar a embarcação o mais rápido possível.

Dado que a melhor técnica é “aquela que faz andar o barco mais depressa” há sempre nos puristas a ideal. A maneira de pegar no remo, como sentar no carrinho, o ângulo do corpo, a colocação dos pés são motivo de discussão entre os treinadores e atletas.
O atleta está sentado num assento com rodas – carrinho –, que se movimenta numas calhas (cerca de 72 cm.) colocadas no poço da embarcação. A remada divide-se em duas fases distintas: a propulsiva – quando o remo está dentro de água – e a de descanso quando o atleta vem à frente preparar nova remada.
Os pés estão presos no finca pés ou pau de voga iniciando-se a remada com o deixar cair do remo na água – o ataque e a tomada de água – através do acto de levantar os punhos. Seguidamente, entram em acção as pernas empurrando com toda a força o pau de voga até estarem completamente esticadas. Nesse momento principia o movimento do tronco que está inclinado para a frente, estável, abrindo por completo até formar um ângulo confortável para, então, os braços puxarem o remo para o peito o mais rapidamente possível. Resumidamente, numa sequência sem paragem, de Pernas, Tronco e Braços.
Sequentemente vem a fase de descanso, mais lenta que a anterior em que o atleta inspira profundamente e ganha alento para um novo esforço de remada. O atleta empurra o remo para baixo tentando conseguir uma saída limpa do remo da água – o safar – devendo para isso a velocidade do movimento descendente do remo ser igual à velocidade do barco (assim como no ataque a velocidade ascendente do remo), começando por esticar os braços completamente, colocando seguidamente o tronco na posição de inicio de remada e começando a encolher as pernas para preparar a nova remada. Verifica-se assim uma sequência de Braços, Tronco e Pernas.
Para dificultar o remo tem que rodar na forqueta, sendo colocada a pá paralela à água na vinda à frente e, depois do punho passar os joelhos, na perpendicular à água para a próxima fase propulsiva.

        
Os músculos nas Fases da Remada

Ataque:





Remada:








 





Final:







Ida à frente:







A distancia de corrida padrão numa prova de Remo é de 2000 metros e tem uma duração média de cerca de sete minutos. É no início de prova – A Largada – que os remadores são capazes de aplicar a sua máxima força – 1 000 N *–. À medida que o barco acelera a força aplicada cai para um quarto. É também durante a Largada que a cadência é mais elevada chegando a ser medida uma voga – remadas por minuto – de 48 nos primeiros 45 segundos de prova diminuindo depois durante a prova para uma voga média de 33 - 35.
A enorme potência aplicada induz, no remador, uma quebra instantânea do alimento muscular ATP (Adenosina trifosfato) e CP (creatina fosfato). Como a demanda de energia excede em muito aquilo que pode ser fornecido através do uso de oxigénio (metabolismo aeróbio) a repetição da contracção muscular só pode continuar como resultado da glucose (metabolismo anaeróbico) o que permite que a ATP seja gerada na ausência de oxigénio. O problema é que esta reacção química vai provocar uma acumulação de lactato (ácido láctico) nos músculos, causando fadiga extrema ao atleta. Se a duração da corrida fosse apenas de cerca de um minuto, a quantidade de lactato acumulado não iria causar dificuldade, no entanto, em 2.000 metros os remadores têm que conseguir tolerar uma grande quantidade do ácido e continuar a remar durante toda a corrida. As equipas melhor treinadas podem tirar vantagem de estar à frente desde o início, doseando o esforço durante o resto da prova, para isso contribui também a posição dos atletas no barco que ao remarem para trás controlam os seus adversários na tentativa de os alcançar.
Após cerca de um minuto de prova até quase ao fim, a principal fonte de energia dos músculos é fornecida pelo metabolismo aeróbio, o glicogénio muscular é o combustível predominante juntamente com alguma gordura. Como está disponível oxigénio suficiente há uma produção mínima de ácido láctico.
Na parte final da regata aumente bastante o ritmo de prova com as tripulações a tentarem tudo por tudo para vencer a corrida, para a isso a máquina humana sintetiza toda a energia à sua disposição e soma as duas energias – aeróbia e anaeróbia – para conseguir disponibilizar aos músculos todo o alimento possível, volta então a ser produzido acido láctico e, se o empenho for levado ao limite, a ultima remada será o ultimo esforço que o atleta consegue realizar.    
O plano de treino tradicional no remo é um plano anual, dividido em três fases: preparatória, transição e específica. A fase de transição tem a duração de quatro semanas, a fase específica de 21 semanas e o restante é utilizado como fase de preparação. A fase específica é normalmente também dividida em duas, a fase de pré-competição e a competitiva com duração de 9 e 12 semanas, respectivamente.

“When one rows it is not the rowing which moves the ship: rowing is only a magical ceremony by means of which one compels a demon to move the ship.” -Nietzsche

 *Newton: Corresponde à força exercida sobre um corpo de massa igual a 1 kg que lhe induz uma aceleração na mesma direcção e sentido da força de 1 m/s²





Carlos Henriques

domingo, 18 de outubro de 2015

A Associação Naval de Lisboa nos Jogos Olímpicos

O movimento olímpico em Portugal, terá principiado com a nomeação,
em 1906, de D. António de Lencastre, como encarregado de negócios do
Comité Olímpico Internacional no nosso país, por sugestão de El Rei D.
Carlos, à época Comodoro da Real Associação Naval.
Todavia, a nossa primeira participação nos Jogos Olímpicos só ocorreu
em 1912, ano em que pela primeira vez surge a denominação de Comité
Olímpico Português, nascido a partir da Sociedade Promotora da Educação
Física Nacional (SPEFN), fundada três anos antes. Era esta agremiação que
realizava os Jogos Olímpicos Nacionais, um conjunto de provas de vários
desportos que coroava o Campeão Olímpico Nacional.
O Dr. Mauperrin Santos, sócio da ANL e director da Escola Académica,
era o grande mentor e organizador destes eventos.
A primeira sede do COP foi nas instalações desta Sociedade, sita no Largo
do Picadeiro, sendo a primeira Direcção constituída por:
Presidente de Honra: Conde de Penha Garcia
Presidente: Dr. Jaime Mauperrin Santos
Vice-presidentes: D. António de Lencastre, Charles Bleck e Manuel
Egreja.
Secretário-geral: Dr. José Pontes
Secretários: Aníbal Pinheiro, Armando Machado e Duarte Rodrigues
Membros: Álvaro de Lacerda, Dr. António Osório, Daniel Queiroz dos
Santos, Fernando Correia, Guilherme Pinto Basto, Manuel da Cunha e
Menezes, Pedro Del Negro, Dr. Pinto de Miranda e o Dr. Sá e Oliveira.
Desta primeira Direcção faziam parte destacados sócios da Associação
Naval de Lisboa: distinguimos aqui o Presidente de Honra, o Presidente da
Direcção, o Secretario Geral, entre outros. A participação de sócios da
ANL nos corpos gerentes do C O P, tem sido contínua ao longo dos anos,
contando-se entre os membros das Direcções, Francisco Duarte, Ricardo
Pereira Dias e, recentemente, o Eng. Lima Belo, ex presidente e actual
representante do COI em Portugal.
A dimensão simbólica nacional da primeira participação nos Jogos
Olímpicos ficou registada para a posteridade, por J. Benoliel, nesta
fotografia tirada na Praça do Comércio, à época palco de celebração dos
acontecimentos mais importantes do País.
A primeira participação olímpica ficou marcada pela morte trágica de
Francisco Lázaro, facto que motivou uma grande onda de solidariedade
culminada com a construção de um Mausoléu para o Campeão Português.
Dos atletas integrados na primeira comitiva olímpica, destacamos Joaquim
Vital, Remador e Lutador da ANL.
Enquanto remador, foi vencedor da Taça Lisboa e da Taça Mondego, duas
das mais importantes provas de Remo existentes à época.
Enquanto Jornalista, fez a reportagem do evento para os Sports Ilustrados;
Desportista de eleição, praticava ainda esgrima, sendo por esta altura
também director da secção de Luta da Associação Naval de Lisboa. 
O eclodir da I Grande Guerra motivou a interrupção dos Jogos durante o
conflito.
Sabemos que o Remo se preparava para uma boa participação em 1916, e
que nos Jogos Interaliados (competições organizadas pelas tropas da
Aliança para moralizar e entreter os soldados), efectuados em Paris, um
misto de remadores da ANL e do CNL participaram nas provas de Shell de
8 e de Shell de 4.
Faziam parte destas equipas os remadores: Rodrigo Bessone Basto, José
Serra Pereira, Humberto Reis, Correia Leal, António Ferreira, Ricardo
Pereira Dias, Augusto Talone, Jorge Ferro, Carlos Sobral, João Sassetti,
José Branco, João Silva e Gabriel Ribeiro.
Em 1920 foram retomados os Jogos e a famosa Bandeira com Cinco
Anéis Coloridos, símbolo da Paz entre os Povos, foi pela primeira vez
hasteada nesta competição, ao mesmo tempo que se iniciava a leitura do
Juramento Olímpico por um atleta.
João Sassetti, exímio Remador da ANL, vencedor da Taça Lisboa integrou
a comitiva Lusa presente em Antuérpia, sendo contudo em Esgrima que
representou Portugal nesse ano. Esteve também presente nessa modalidade
em 1928, tendo vencido a medalha de Bronze. Oito anos mais tarde, foi o
chefe da delegação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Berlim.
A primeira representação olímpica portuguesa da Vela em 1924, devese
igualmente a um associado da ANL, Frederico Burnay. Notável atleta,
foi membro do Comité Olímpico Português e Presidente da Federação
Portuguesa de Remo, tendo chefiado as presenças de Portugal nesta
modalidade, em 1948 e 1952.
Nos Jogos de Amesterdão (1928) além da presença espectacular que nos
honrou com o Bronze para a nossa equipa de Espada (que incluía João
Sassetti), integraram a comitiva nacional os associados velejadores
Frederico Burnay, Carlos Eduardo Bleck (herói da aviação e um dos
fundadores da TAP), Ernesto de Mendonça António Guedes de Herédia e
João Penha Lopes, um exímio remador que integrava também a equipa de
Sassetti vencedora da Taça Lisboa em Remo.
Na Alemanha de Hitler, além do chefe da Delegação, João Sassetti,
marcaram presença na modalidade de Vela os sócios da Associação Naval
Ernesto Mendonça, Joaquim Mascarenhas Fiúza e António Guedes de
Herédia.
Após a II Guerra Mundial realizaram-se, no ano de 1948, em Londres, os
Jogos que proporcionaram aos nossos consócios Duarte e Fernando Bello
a conquista da medalha de Prata em Vela, na classe Swallow, mesmo
correndo numa embarcação emprestada. O protesto de outra equipa
concorrente retirou-lhes contudo a vitória. Mas nestes Jogos, os associados
da ANL estiveram de parabéns pois, além destes campeões, estiveram
também presentes nas regatas de Vela João Miguel Tito, Joaquim
Mascarenhas Fiúza, Júlio Leite Gourinho, João da Silva Capucho, António
Guedes de Heredia e Henrique Sallaty. Uma embaixada extraordinária!
Seguiram-se os Jogos Olímpicos de Helsínquia, em 1952, durante os quais
o nosso homenageado de hoje, velejando num Star, conquistou mais uma
medalha de Bronze para a Vela portuguesa, o que muito honrou a
Velhinha.
Fazendo equipa no Espadarte, Rebello de Andrade e Joaquim Fiúza foram
o expoente máximo de mais uma grande embaixada do nosso clube, a
saber: Mário Quina, os irmãos Bello, Júlio Gourinho, João Tito, Alberto
Graça e Carlos Lourenço.
Decorreram em Melbourne os Jogos Olímpicos de 1956, à excepção das
competições equestres que tomaram lugar em Estocolmo, em virtude das
leis de quarentena que impediam o ingresso de cavalos na Austrália.
No país dos cangurus, a representação da Vela portuguesa voltou a ter
membros da ANL. Desta feita os seleccionados foram: Duarte Bello, José
Bustorff Silva, o Conde de Caria Bernardo Mendes de Almeida, Sérgio
Marques e Carlos Lourenço, tendo os dois primeiros alcançado um quarto
lugar em Star, no Faneca, falhando o pódio por pouco.
Na edição seguinte, os nossos associados os irmãos Quina, José e Mário
foram as vedetas da comitiva portuguesa, ao conquistarem a medalha de
prata no Má Lindo. Faziam também parte da Armada da Associação Naval,
os Velejadores Carlos Ribeiro Ferreira, Joaquim Pinto Basto, Gonçallo
Pinheiro de Mello, Fernando Bello, Júlio Gourinho e Duarte Bello, sendo
de acrescentar a presença, na modalidade de Luta, de Luís Vieira Caldas.
Foram estes os Heróis de Roma que participaram nas Olimpíadas de 1960.
Foi no País do Sol Nascente, em Tóquio, que se realizaram os Jogos de
1964. Com uma presença discreta mas não menos importante, a delegação
portuguesa era composta, na Vela, por Eduardo Queiroz, Joaquim Pinto
Basto, Carlos Ribeiro Ferreira e os Irmãos Bello, todos eles associados da
Associação Naval de Lisboa.
A 2134 metros acima do nível médio das águas do mar, decorreram os
Jogos Olímpicos de 1968 no México. A terra dos Aztecas não foi de boa
memória para a participação portuguesa, cujos atletas não se conseguiram
adaptar à altitude. Nestas olimpíadas, estiveram presentes os irmãos Quina,
Fernando Belo e António Sarafana, todos sócios da Associação.
Nas mais negras Olimpíadas de sempre, Munique 72, a Política, o
Terrorismo e a falta de Fair-Play, conseguiram superar os valores “Citius,
Altius, Fortius” que o Barão tinha idealizado para os Jogos.
Na Vela, contaram com a participação dos associados da ANL, José
Manuel Quina, António Mardel Correia e Henrique Anjos.
No Remo esteve presente José Lopes Marques em Skiff. Uma presença
discreta é certo, mas a chegada tardia das embarcações de remo, só
disponíveis para treino na véspera das competições, em muito contribuiu
para a fraca prestação desportiva. Outro factor de peso terá sido, segundo
testemunho oral a nós facultado por este associado, o stress provocado pela
ida diária dos atletas à pista, na esperança de as encontrar.
Nas edições seguintes a participação da ANL não foi tão profícua.
Destacamos no entanto, na modalidade de Vela, a presença de Joaquim
Ramada em Montreal, António Mardel Correia e Henriques Anjos, em
LA e Patrick Monteiro de Barros, em Seul.
Apesar de nenhum atleta da Associação Naval de Lisboa ter estado
presente nos Jogos de Atenas, estes serviram de rampa de lançamento para
o ingresso de mais uma modalidade, desta feita nos Jogos Paralímpicos.
Deve-se essa proeza ao excelente trabalho de José Nunes na Comissão
Organizadora da modalidade de Remo com o objectivo, alcançado, de
incluir o Remo no programa dos Jogos Paralímpicos. Uma conquista do
nosso sócio, da FISA e da FPR.
Mais uma vez, através do associado José Nunes, a ANL está presente na
escrita de mais uma página brilhante do desporto Português e Mundial.
Queremos, por último, salientar a constituição do Comité Paralímpico de
Portugal, no ano transacto, que na sua primeira Comissão Executiva conta
também com a presença de um sócio da Associação Naval de Lisboa.
Apesar dos seus 154 anos a ANL mantém um destacado envolvimento no
panorama desportivo nacional. Os seus membros (nomeadamente José
Nunes, Francisco Lobato, Pedro Mendonça, José Caldeira), dignificam as
suas modalidades e continuam a elevar o nome de Portugal bem alto no
Mundo, vencendo desafios e dirigindo o Remo e a Vela para a Náutica
voltar a conquistar a excelência e o lugar de destaque que já foi seu no
desporto Nacional.
Lisboa, 23 de Junho 2009-06-23
Conferência proferida por ocasião das Comemorações ANL – 100 Anos De
Olimpismo










terça-feira, 21 de maio de 2013

domingo, 14 de outubro de 2012

Guiga de Seis banco fixo

Esta é uma guiga de seis de banco fixo que podemos apreciar no Museu de Marinha. Eram as embarcações mais importantes do Remo desportivo no final do século dezanove em Portugal.

Os Reis D. Luis e D. Carlos, a Rainha D. Maria Pia e D. Amélia, assim como o D. Afonso irmão de D. Carlos possuíam guigas de seis que punham à disposição dos Clubes de então, Real Associação Naval, Real Ginásio Clube, Real Clube Naval de Lisboa, Clube dos Aspirantes de Marinha que efectuavam regatas entre si:










































sábado, 8 de setembro de 2012

Regata YOLLE 1988

Encontrei esta maravilha em casa nas recentes arrumações de verão. Espero que reparem no proa do YOLLE 4 - um remador extraordinário:



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Real Associação Naval v/s Real Club Naval

Estes dois clubes sempre foram rivais dentro de água mas cá fora tiveram muitas vezes os mesmos sócios, como ainda hoje acontece.

Hermann Mozer foi um dos maiores nautas em Portugal, foi um dos fundadores da RAN e foi Comodoro do RCN.

A sua embarcação "MINA" foi um ícone da história da Vela em Portugal no final do séc. XIX. Era costume vê-lo ao leme da sua embarcação que timonou até morrer.

Deixo aqui duas fotos dessa embarcação numa arvorando o pavilhão do Real Clube de Naval e na outra da Real Associação Naval:





































terça-feira, 12 de junho de 2012

Despezas dos Clubes Náuticos

As despezas dos clubes são as mesmas desde o início do Remo em Portugal:

Renda do armazém:


















Água e aluguer do Contador!!!!:
















Seguro:

















Palamenta:























Combustível para os músculos:



















O que era bom e mudou é que não tinham que colocar as embarcações dentro de água, alguém as punha por eles:

















sexta-feira, 11 de maio de 2012

Augusto Alberto












Esta História foi contada por Augusto Alberto - Figueirense de gema, personagem exemplar do remo português, meu companheiro e adversário de algumas Regatas e cursos de Treinadores. Lembro-me do Treino de Altitude quando cursámos juntos em Lamego...

A história da Celeste - uma "Racer"



     Fará hoje, 22 de Junho, 79 anos, a história mais sublime do desporto da Cidade, que quero aqui recuperar, depois de a ter contado em Dezembro de 1997, na extinta Linha do Oeste. Algumas alterações são exigidas, porque o tempo de hoje, não é o tempo de 1977, ainda muito povoado pela tragédia da Rua da República. Para que se conheça e se reflicta sobre a importância das coisas e do melhor da minha Cidade.
     È incontornável que a história da primeira metade do século 20 não pode negligenciar o contributo soberano dos clubes da cidade. Neste particular, a história dos primeiros 50 anos da Associação Naval 1º de Maio possui um encanto muito particular. Cidade e clubes entrelaçam-se.
     Desse período fica como momento mais sublime, o dia 22 de Junho de 1930. Estava uma manhã calma, de calor sanjoanino e dos “5 irmãos” partiram à mesma voz os dois shell 4 com timoneiro, da Naval e do Ginásio. Em disputa estava o Campeonato Regional de fundo. A luta saiu dura. O normal. Era a honra dos dois eternos rivais que se jogava então.
     A velha ponte, lugar mítico das últimas acelerações, imutável, viu os dois conjuntos confluir para o mesmo pegão. Conheciam bem as correntes os dois timoneiros, experientes e timoratos. Entraram forte, até que o inevitável acontece, sobretudo quando se joga bem alto a bandeira.
     O sol e o esforço fizeram esgotar as energias. Bátegas de água e suor molhavam os corpos. As mãos a tangerem subtilmente os remos. Nunca se apertam!
     Os remos movem-se sincopadamente. O timoneiro dá mais um puxão nos baldrocos, uma guinada de leme. O aperto foi de mais. E zás! A proa do celeste entra completamente por debaixo do barco Ginásio. O leme, lâmina fina do barco ginasista corta e rebenta a tela da caixa-de-ar do Celeste. Chocam! Os barcos perdem velocidade e param. Os nervos rebentam frágeis e ainda hoje não se sabe, nem ninguém nunca saberá, os motivos, António Cachola alivia os pés do seu pau-de-voga, salta do seu lugar e entra na água cristalina do Mondego. O grande Edmundo salta também, mas submerso sente um remo debaixo dos seus pés e pula de novo à superfície. Finca as mãos na borda do barco e aí permanece. Cachola não sabe nadar. Os outros três também não. Só o timoneiro sabe dominar as marés. O tempo corre. Os presentes, toda a multidão que sob o tabuleiro da velha ponte saudava a regata, dão-se conta do pior. Saltam à água dois homens destemidos. Salta á água um adversário Ginasista. Mas Cachola afunda-se. A Cidade agita-se e logo chora.
     Vinte e quatro horas após, o corpo aparece frio, junto à velha ponte, mãos fincadas no pilar, que a tudo assiste.
     Não é minha intenção ao cabo de 79 anos ajustar a história. Aliás, não há ajuste possível. Foi, sê-lo-á por todo o sempre, comum, os encontros, o entrelaçar dos remos. Só que agora os barcos são de matéria dura e não é assim do pé para a mão que rebenta uma caixa-de-ar. Para além de que saber nadar, é uma regra certa.
     As exéquias de Cachola foram monumentais. Toda a Cidade se juntou no infortúnio. A imprensa Nacional registou o momento. António Cachola ficou como símbolo do clube. Todos os anos os velhos navalistas se deslocam ao seu mausoléu.
     Mas, e o Celeste? O barco?
     Não acredito no destino. Acredito no potencial dos homens e instituições. Na vontade e inteligência. O resto são misticismos de gente que mendiga, rasteja e é incapaz. A sorte e o azar são coisas do jogo da vida.
     Há anos numa manhã de sábado dirigi-me ao velho posto náutico da Av. Saraiva de Carvalho e não consegui abrir a porta. O telhado do velho edifício ruiu sobre os barcos e o atrelado que os transporta. Os escombros entravaram a porta. Percebi o pior. Logo dei pela perda.
     Não sei quantas vezes o Celeste ainda remou depois da tragédia de 1930. Se calhar poucas. Ou mais nenhuma. O que sei é que ficou completamente destroçado. Fiquei muito magoado e hoje carrego uma dúvida. Provavelmente não fiz tudo para o salvar. Quantas vezes reclamei para que dali fosse retirado? Quantas? Pressentia que aquilo haveria de suceder. Mas também é certo que nunca ninguém me ouviu. Garanto-vos que hoje, conhecendo a forma como acabou, tê-lo-ia colocado à porta do museu, único lugar onde deveria repousar.
     Celeste, em honra à mulher mais bela. Construído em Itália, Livorno, teve curta vida, aquela foi a sua regata de estreia, e história complicada.
     Nesse dia de desconsolo, do último folgo do Celeste e do velho posto náutico, houve um prenúncio. Um prenúncio de que haveriam de suceder coisas bem piores. Se se tem reflectido sobre os escombros da Av. Saraiva de Carvalho, talvez se tivesse evitado a desgraça da rua da República, que foi o fogo que destruiu a notável sede da Associação Naval 1º de Maio. A perca de uma preciosidade.
     Estamos sempre a tempo de parar para reflectir. O futuro será sempre aquilo que cada um de nós quiser. Para o bem e para o mal.
     Mas curioso, é o facto de no mesmo dia do trágico acidente e quase à mesma hora, ter estado a minha mãe a empurrar para a luz do dia o seu primeiro filho, o meu irmão mais velho, que veio ocupar demograficamente o lugar do Cachola. Pelo menos por aqui, que bom que foi.


     Esta é a história sublime de uma regata de remo. Permanece obscura, mas fui a tempo de a recuperar na oralidade do meu Pai, que se hoje fosse vivo teria mais de cem anos e do próprio Edmundo, de quem os Ingleses um dia disseram ser o remador mais valente que alguma vez remou nas memoráveis regatas da Taça Vitória, no conjunto das regatas Internacionais da Figueira da Foz, da primeira metade do século passado. Taça Vitória, com também fim trágico, devorada pelo fogo da rua da República. Que infelicidade!
     Por fim, aproveito desde já para responder a uma insidiosa pergunta feita por um anónimo, aqui neste aldeia olímpica. O que faço eu hoje, ainda no remo? REMO, caro anónimo, sempre REMO.

     Augusto Alberto.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Acções

Os Clubes Empresa agora estão em voga mas quando foram fundados os clubes de Remo em Portugal foram através da compra de acções dos seus sócios para aquisição do material:









































terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Madeira Correia

Para muitos sócios da ANL o sr. Madeira Correia é um desconhecido mas foi Presidente da Associação Naval de Lisboa mais de dez anos, foi Presidente da FPR e Campeão Nacional de Skiff, aqui está a foto dele no barco:


segunda-feira, 8 de agosto de 2011